30 de janeiro de 2009

Biólogo descobre estratégia para reverter os sintomas da doença Machado-Joseph

‘Esta estratégia de terapia genética para a Machado-Joseph lança-nos na pista certa em busca de possível tratamento da doença’, afirmou Sandro Alves
Sandro Alves, mealhadense, juntamente com Luís Almeida, ambos investigadores da Universidade de Coimbra, demonstraram, recentemente, que é possível reverter os sintomas da doença de Machado-Joseph (doença neurodegenerativa ainda sem tratamento) através de uma nova estratégia científica.Mónica Sofia Lopes, repórter do Jornal da Mealhada, entrevistou Sandro Alves, que é licenciado em Biologia (variante científica) pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, e que obteve média de dezanove valores no estágio científico. De momento é aluno de doutoramento da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, especialidade em Tecnologia e Ciências da Saúde, ramo da Biotecnologia, executando actividade científica no grupo de Vectores e Terapia Génica do Centro de Neurociências e Biologia Celular de Coimbra e no Institute of Biomedical Imaging and Molecular Imaging Research Center (MirCen), em Paris, França, sob a orientação do doutor Luís Pereira de Almeida e doutor Nicole Déglon. As suas pesquisas de doutoramento foram já apresentadas em congressos nacionais e também internacionais de Neurociência e de Terapia Genética (Natal - Brasil; Atlanta; Washington, New York – EUA; Roterdão - Holanda, Barcelona - Espanha, Paris - França, Lausanne - Suíça).
O que é a doença de Machado-Joseph?
De um modo sistemático, a doença de Machado-Joseph é uma doença rara, do foro neurológico, podendo ser transmissível de pais para filhos, cuja sintomatologia clínica é composta pela ataxia, isto é, uma condição de descoordenação dos movimentos corporais podendo afectar a força muscular, o equilíbrio e, naturalmente, os movimentos básicos dos membros. É normalmente associada a uma degeneração de áreas específicas do cérebro, nomeadamente, o cerebelo. Além da perda de capacidade motora, presente na maior parte dos pacientes, também a fala é afectada, sendo que outros tipos de manifestações clínicas, tais como as limitações dos movimentos dos olhos, a retracção dos músculos faciais, a dificuldade em deglutir os alimentos, distúrbios durante o sono, entre outros, podem ser observados. Diversos sintomas podem juntar-se a estes, evidenciando a enorme heterogeneidade clínica da doença de Machado-Joseph, fazendo com que cada doente seja um caso único. Normalmente, é uma doença com manifestação tardia, na qual os primeiros sintomas surgem na idade adulta, entre os trinta e os quarenta anos de idade, embora existam casos extremos entre os seis anos e os setenta anos. Regra geral, quanto mais precoce é a doença, mais grave é a sintomatologia. Até à presente data não existe tratamento disponível.
Qual o âmbito da investigação que desenvolveu?
Na doença de Machado-Joseph ocorre degeneração gradual de populações específicas de células nervosas em determinadas regiões do cérebro, devido à mutação de um gene que codifica uma proteína designada ataxina-3. Sendo esta uma doença genética, a investigação foi levada a cabo de modo a tentar tirar partido da descoberta de um mecanismo (designado “interferência de RNA”) que há dois anos atrás “deu” o prémio Nobel da Medicina a dois investigadores internacionais. Esse mecanismo consistia em silenciar, ou seja, eliminar, a expressão de proteínas alteradas, isto é, mutadas, que tenham uma relação directa com o estabelecimento de diversas doenças, tais como a doença de Machado-Joseph, por exemplo. Este trabalho, que foi recentemente publicado na revista americana Plos One, demonstra, pela primeira vez, ser possível reduzir a expressão da cópia mutada de um gene num modelo animal, permitindo que a expressão do gene normal seja preservada. De um modo simples o que foi feito foi “operar” ratos, injectando no cérebro um vírus que transportava o gene com a mutação, de modo a que a proteína mutada fosse expressa, levando a que os ratos ficassem “doentes”. Aqui a finalidade era replicar o que se passa nos doentes de Machado-Joseph. Como tentativa de combate à doença, foram injectados no cérebro dos ratos vírus, que servem de vectores, transportando uma sequência específica para silenciar o gene mutado com o objectivo de eliminar a proteína mutada reduzindo assim os sintomas neuropatológicos referentes à doença de Machado-Joseph. Dois meses após a cirurgia, procedeu-se à análise dos cérebros dos ratos (cerca de trinta) e os resultados revelaram-se bastante promissores, sendo que a acumulação de proteína mutada tinha decaído para os cinquenta por cento e os danos neuronais reduzidos em sensivelmente setenta por cento, o que é fantástico. Quem tiver curiosidade poderá sempre pesquisar o artigo que está disponível na internet utilizando o seguinte endereço: http://www.plosone.org/article/info%3Adoi%2F10.1371%2Fjournal.pone.0003341.
O que muda com esta descoberta?
Em primeiro lugar temos que ser serenos… quando o objectivo é atingir o patamar clínico esta é a regra número um! E digo isto para evitar criar expectativas a curto prazo para os doentes de Machado-Joseph. No entanto, é inequívoco que, pela primeira vez, na doença de Machado-Joseph se publica um estudo pré-clínico em ratos, mostrando de forma clara que é possível reduzir de forma bastante robusta os sinais neuropatológicos desta terrível doença. Com efeito, este estudo demonstra ser possível reverter os sinais neuropatológicos da Machado-Joseph, recorrendo a uma estratégia de terapia genética. Este é um grande passo no combate à doença, sendo que brevemente irei submeter - juntamente com os meus orientadores, doutor Luís Pereira de Almeida, do Centro de Neurociências de Coimbra, e doutora Nicole Déglon, do Molecular Imaging Research Center, Paris, França, onde fiz parte desta pesquisa de doutoramento - um outro trabalho pré-clínico também com finalidade terapêutica para a Machado-Joseph. Como se compreende, ainda não poderei dar mais detalhes, mas asseguro que também é bastante promissor. Posso mesmo adiantar que esta estratégia de terapia genética para a Machado-Joseph nos lança na pista certa em busca de um possível tratamento da doença. No entanto, estudos adicionais terão obrigatoriamente que ser feitos de modo a poder transpor para humanos a aplicação prática destes estudos, e, em particular, dar maior esperança a quem é portador da Machado-Joseph. A um nível mais global, a técnica que por nós foi utilizada para silenciar o gene mutado da ataxina-3, responsável pela doença de Machado-Joseph, poderá ser também aplicável em outras doenças do foro neurológico, entre as quais a doença de Parkinson e a doença de Alzheimer. É extremamente importante referir que o vírus, por nós utilizado para transportar os genes para o cérebro de ratos, foi utilizado muito recentemente no tratamento clínico de três doentes de Parkinson, estando este projecto a ser executado em França.
Qual é a sensação de mostrar ser possível reverter os sintomas da doença de Machado-Joseph, uma doença que foi descoberta por um português?
De facto, os primeiros casos foram diagnosticados nos Açores, sendo que os portadores desta doença começaram a ser exaustivamente estudados na década de setenta por dois neurologistas portugueses, doutor Corino Andrade e doutora Paula Coutinho, que, para mim, são a referência máxima nacional a nível clínico da doença de Machado-Joseph. É com grande satisfação que após mais de trinta anos de estudo desta doença possa contribuir com algo, que sinceramente acredito e espero que venha ajudar os portadores desta doença - o desenvolvimento de uma terapia genética para a Machado-Joseph. Nesse dia sentirei que não só todo o meu esforço, mas também o de todas as pessoas empenhadas neste projecto, valeu a pena. Posso dizer que, na primeira vez que analisei as “fatias” de cérebro dos ratos operados senti alguma ansiedade e excitação. Foi um momento simpático, único e bastante gratificante.
Qual a próxima?A próxima doença?
Depois de quase cinco anos a trabalhar na doença de Machado-Joseph, penso ser altura de mudar um pouco de modo a que tudo o que aprendi possa a vir a ser aplicável numa outra doença. Nesse sentido, e após submeter-me à prestação de provas de Doutoramento na Universidade de Coimbra no próximo mês, continuarei, se Deus quiser, uma nova etapa na Unidade de Neurologia e de Terapia Experimental do Hospital “La Pitié- Salpêtrière”, igualmente em Paris, por um período de dois ou três anos, onde irei executar um projecto relacionado com o desenvolvimento para a terapia genética de uma doença também rara designada Ataxia espinocerebelar do tipo 7 (SCA7). Tal como a doença de Machado-Joseph, também esta é uma doença neurodegenerativa com alguns sintomas semelhantes mas que tem a particularidade de afectar não só estruturas cerebrais, mas onde também ocorre degeneração da retina e para a qual actualmente não existe terap
Como surgiu a oportunidade de ir para França?
Após a conclusão do estágio de licenciatura, fui convidado pelo meu orientador, doutor Luís Pereira de Almeida, da Faculdade de Farmácia da Universidade de Coimbra, a concorrer à bolsa de doutoramento. Após obter a bolsa, começámos a trabalhar em colaboração com a equipa da doutora Nicole Déglon, perita mundial no desenvolvimento de vectores virais, que tem o seu laboratório sediado em Paris, daí o facto de ter prosseguido com os trabalhos experimentais em Paris sendo que outros foram executados em Coimbra. Queria salientar que embora tenha passado um largo período em França, a minha tese de doutoramento, contendo este trabalho e outros, foi orientado por ambos, sendo de referir que as suas experiências foram muito importantes para levar estes estudos a “bom porto”.
Que balanço faz da vida em França?
Se bem que goste de estar em Portugal por razões óbvias, o balanço destes últimos anos por França tem sido uma experiência muito enriquecedora e positiva para mim, a todos os níveis. A nível profissional as condições são mesmo muito boas e compensam bastante. Além disso, ter tido a oportunidade de poder trabalhar num laboratório estrangeiro, onde, por sua vez, trabalha uma quantidade enorme de estrangeiros oriundos de outros países, é sempre fonte de conhecimento, permitindo aprender outras técnicas sempre susceptíveis de serem importadas. Ao mesmo tempo trata-se igualmente de um ambiente cosmopolita que me permitiu compreender um pouco mais de cada cultura e, ao mesmo tempo, aperfeiçoar línguas estrangeiras o que, nos dias de hoje, é cada vez mais importante. Posso dizer que desde 2004, período no qual tive a primeira oportunidade no estrangeiro, as coisas têm acontecido a um ritmo alucinante sendo algo que me trouxe bastante satisfação pessoal.
O que falta em Portugal para que os cientistas façam cá a sua investigação?
Para ser honesto, o nosso país tem bastantes e excelentes investigadores. Nos dias de hoje faz-se ciência com muita qualidade em Portugal e isso deve-se, em grande parte, ao grande investimento que o nosso Governo, desde há alguns anos para cá, tem vindo a fazer no campo da ciência. No entanto, e se bem que sejamos um país pequeno neste cantinho da Europa, penso que o referido investimento em equipamentos, infra-estruturas e “massa humana” talvez devesse ter sido projectado há mais tempo, investimentos que foram efectuados por outros países europeus como, por exemplo, a Inglaterra, a Alemanha, a França, bem como outros países do Norte da Europa, que por sua vez têm toda uma outra estrutura. Naturalmente, em algumas áreas talvez não estejamos tão avançados quanto esses países, mas as instituições académicas têm trabalhado bastante e bem de modo a que a médio/longo prazo Portugal possa oferecer mais e melhores oportunidades a investigadores nacionais. Temo, no entanto, que a actual grave crise financeira global que nós vivemos a nível mundial se venha a repercutir em investimentos futuros que por esta altura deverão estar previsivelmente a ser estudados pelos responsáveis governativos. Se calhar, e não querendo de modo algum ser pessimista, mas acima de tudo pragmático… tempos difíceis se avizinham!

13 de janeiro de 2009

Pioglitazona e a Ataxia de Friedreich‏

O PPAR-agonistas são um tipo de moléculas utilizadas na medicina clínica para o tratamento do diabetes mellitus. Estudos recentes têm demonstrado um possível papel destas drogas em várias doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e esclerose lateral amiotrófica. A exacta causa porque estes fármacos podem ter um efeito protector na morte neuronal nestas doenças ainda não está totalmente esclarecido. Ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa causada pela expansão GAA, tipo tripla hélice no primeiro intron do FXN gene que codifica a proteína mitocondrial frataxina. Há muitas hipóteses explicativas sobre o mecanismo pelo qual as repetições GAA bloqueiam a transcrição da frataxina, a mais aceite relaciona o mecanismo a uma possível replicação do DNA anómalo. Basicamente, na presença do GAA, formando a tripla hélice de DNA ao invés da habitual dupla hélice, com a formação de heterocromatina, o que equivale a uma forma de DNA inacessível para o processo normal de transcrição normal das células. Heterocromatina está relacionado com o bloqueio da produção de frataxina em inúmeros trabalhos publicados. Curiosamente, todos os indivíduos heterozigotos na expansão GAA (ou seja, apresentando um alelo normal e expansões GAA) produzem níveis baixos de frataxina 50% em comparação com pessoas comuns, e são completamente assintomáticos. Este facto leva-nos a concluir que as drogas que aumentam os níveis de 5-35% em frataxina nos pacientes de Ataxia de Friedreich para cerca de 50% pode ser suficiente para curar a doença. A proteína mitocondrial frataxina é essencial para muitas funções celulares. Redução dos níveis de frataxina na Ataxia de Friedreich causa: - Redução de enzimas importantes, como complexo ferro-enxofre mitocondrial, aconitasa (enzima importante para o ciclo de Krebs e no metabolismo energético da célula) e complexos I / III da cadeia respiratória (produção de ATP). - Acúmulo de ferro nas mitocondrias. - Prejuízo na medula espinhal neurónios do córtex e do cerebelo. Na prática, frataxina tem a capacidade de ligar o ferro mitocondrial, na sua ausência ou quando não há suficiente, o ferro livre interage em importantes funções mitocondriais gerando uma significativa toxicidade mitocondrial que leva à morte celular por um processo chamado setresse oxidativo (no cerebelo, no córtex e medula espinhal).
O estudo financiado visa determinar os efeitos de um potente agonista PPAR-gama como Azelaoyl PAF (APAF), uma substância química utilizada em laboratório com culturas de células de pacientes com Ataxia Friedreich (fibroblastos).
Essas drogas agonistas PPAR-gama poderiam entre outras coisas, reduzir o setresse oxidativo e proteger as células da morte.
Os resultados mostram que o tratamento de fibroblastos provenientes de pacientes com AF num modelo de células neurais (SKNBE) de controle com doses crescentes de dois APAF tem aumentado a quantidade de frataxina na célula, com níveis de aprox. 45% para uma pessoa normal.
Inesperadamente, o estudo também mostrou que, na Ataxia de Friedreich não são só os baixos níveis de frataxina, mas também estão reduzidos os níveis de outra proteína importante para a função mitocondrial e activação das defesas celulares contra setresse oxidativo. A proteína chama-se PGC1alfa. A proteína PGC1alfa está presente em níveis baixos nos linfócitos e nos fibroblastos de pacientes com Ataxia Friedreich e em algumas células de modelos animais para a doença (camundongos "KIKO" e "Kiki", com expansões GAA). Estes dados sugerem que esta proteína desempenha um papel fundamental no desenvolvimento da doença e alguns sintomas clínicos incluindo diabetes. Abrindo uma nova perspectiva para a investigação de novos fármacos. Notavelmente, agonistas PPAR-gama são conhecidos pela sua habilidade de aumentar os níveis de PGC1alfa e este estudo mostra que a APAF tem também a capacidade de aumentar a proteína PGC1alfa em quase duas vezes, assim como aumentar os níveis de frataxina.
Em conclusão, podemos lançar a hipótese de que estas drogas agonistas
do receptor PPAR-gama podem ser consideradas potenciais candidatos para o tratamento de Ataxia Friedreich devido à sua capacidade não só para aumentar frataxina mas também a PGC1-alfa. APAF molécula é um laboratório, enquanto os agonistas PPAR-gama, como as drogas rosiglitazona e pioglitazona bem conhecidas e utilizadas em clínica para tratamento de diabetes mellitus (diabetes tipo 2).

Após um acordo com a farmacêutica TAKEDA, que produz Pioglitazona, iniciou um estudo em modelos animais (ratos KIKO; assintomáticos porque têm um número limitado de repetições GAA) de Ataxia Friedreich. O protocolo prevê o fornecimento de pioglitazona durante 4 semanas, com doses de 25 mg / kg / dia por via oral. O estudo foi realizado com 10 camundongos saudáveis controle e 10 KIKO camundongos tratados com pioglitazona e placebo como controle.
Os dados preliminares de um pequeno grupo de KIKO camundongos não revelaram efeitos tóxicos durante o tratamento:
-Qualquer aumento no peso corporal
-Não há defeito do coração
-Não há toxicidade hepática
-Qualquer mudança no comportamento
Conforme os primeiros dados sobre os efeitos da pioglitazona sobre os níveis de frataxina e PGC1alfa in vivo em camundongos KIKO ainda vai ter que esperar.
As experiências em seres humanos acabam de começar em França pelo Dr. Pierre Rustin. Ainda não há resultados.

Traduzido em 07-01-2009 por
Mário Galinha

12 de outubro de 2008

Doença do Machado com tratamento

Há uma nova estratégia terapêutica que pode ser o primeiro tratamento da doença do Machado, também conhecida por Machado-Joseph, através de uma investigação da Universidade de Coimbra, juntamente com investigadores suíços e franceses.
A descoberta vai permitir que seja possível reverter os sintomas da doença do Machado, que tem forte incidência na ilha açoriana das Flores,ou seja, vai ser possível reverter os sintomas desta doença neurodegenerativa que são a perda progressiva das capacidades e morte gradual de conjuntos específicos de neurónios.A doença tem maior incidência a nível mundial nos Açores, na ilha das Flores, onde uma em cada 140 pessoas é portadora da maleita.O estudo foi publicado numa revista norte-americana, onde os investigadores descrevem a descoberta num modelo animal e a técnica descoberta pode ter aplicações noutras doenças como a de Parkinson ou de Alzheimer.A investigação partiu de um outro estudo que valeu a Craig Mello e Andrew Fire, o prémio Nobel da Medicina, de 2006.

9 de setembro de 2008

APAHE - Dia Internacional de Divulgacao da Ataxia/Congresso

DATA: 25 de Setembro de 2008 – Quinta-feira

HORA: 14:00 h

LOCAL: Universidade do Minho – ICVS (Escola de Ciências da Saúde) Campus de Gualtar 4710-057 Braga



Programa do evento -


A APAHE – Associação Portuguesa de Ataxias Hereditárias realiza no próximo dia 25 de Setembro, quinta-feira, a partir das 14 horas, na Universidade do Minho, um Congresso por ocasião do Dia Internacional de Divulgação da Ataxia. Nesse dia, desde há nove anos atrás, num movimento que teve início nos Estados Unidos, várias organizações, no mundo de pessoas que sofrem de ataxia, desenvolvem esforços no sentido de divulgar este sintoma. Existindo dois tipos de ataxias, adquiridas ou hereditárias, a APAHE diz respeito exclusivamente às ataxias hereditárias: uma doença rara de origem genética, pertencente ao foro neurológico, progressiva e incapacitante, que afecta a coordenação dos movimentos musculares voluntários e o equilíbrio. Este ano, a data será pela primeira vez assinalada no nosso país, mais concretamente na cidade de Braga, através das iniciativas que a APAHE vai levar a cabo em colaboração com o Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS), da Universidade do Minho, e com o Núcleo de Estudantes de Medicina (NEMUM) desta mesma Universidade.


Conferências


Os trabalhos têm início às 14h, no grande auditório do ICVS (Universidade do Minho), com uma exposição de posters científico-informativos sobre esta patologia e conferências informativas sobre a ataxia: “Prevalência das ataxias em Portugal”, por Paula Coutinho, Professora Catedrática, Médica Neurologista no Hospital de Santa Maria da Feira e Investigadora no IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular), da Universidade do Porto; · “Diferentes tipos de ataxias”, por Jorge Sequeiros, Médico Geneticista, Professor Catedrático do ICBAS (Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar) e do IBMC (Instituto de Biologia Molecular e Celular) da Universidade do Porto; · “Uma perspectiva biológica da ataxia”, por Patrícia Maciel, Docente do Curso de Medicina da Universidade do Minho e Responsável de investigação em Neurociências do ICVS (Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde), da Universidade do Minho; · “Terapêutica com deferiprone em doentes com Ataxia de Friedreich – Protocolo”, por Ana Moreira, Médica Neurologista no Hospital D.Estefãncia, Lisboa, e Investigadora nesta área. Destinadas a todos os aqueles que têm intervenção nesta área, desde profissionais de saúde (médicos neurologistas, fisiatras, terapeutas, enfermeiros, etc.) a investigadores, as conferências têm também por objectivo permitir às pessoas afectadas por ataxias hereditárias, seus familiares e amigos, contactar com a comunidade médico-científica, trocar impressões e esclarecer dúvidas sobre as terapêuticas mais adequadas a esta doença rara e degenerativa.


Actividades Culturais


Além das conferências, o Congresso compreende ainda um conjunto de outras actividades, de carácter cultural, mais direccionadas para a comunidade em geral. Pelas 17 horas realiza-se o lançamento do livro “9º Defeito Genético”, escrito por Teresa Fernandes, uma pessoa afectada pela ataxia de Freidreich, um dos tipos mais comuns de ataxias hereditárias. O livro, publicado pela editora PrimeBooks, é uma lição de força e de vontade de viver, um relato na primeira pessoa sobre a luta da sua autora contra a doença. Durante todo o dia estará patente ao público, no hall do Auditório do ICVS, uma exposição mista de arte, que reúne trabalhos de diversas áreas e sensibilidades artísticas: pintura, fotografia, escultura e artesanato urbano. Todas as peças resultam da colaboração dos seus autores com a APAHE, e destinam-se a permitir-lhe reunir fundos com o produto da sua venda. Após o dia 25 de Setembro, a exposição/venda com fins de beneficência assume um carácter itinerante e poderá ser visitada em vários espaços museológicos e expositivos do distrito de Braga. Deste modo espera-se que mais pessoas possam ouvir falar de ataxia e da APAHE.


O Dia Internacional de Divulgação da Ataxia termina em Braga, pelas 18h30, depois de um lanche convívio e de um sorteio entre os participantes. Com esta iniciativa, a APAHE, cujo âmbito de actuação é nacional e centra-se na promoção da qualidade de vida e na protecção dos interesses das pessoas que sofrem de ataxias hereditárias, espera contribuir para o incremento da investigação sobre esta doença, aproximar a comunidade médico-cientifica e as pessoas portadoras de ataxia, e, além disso, sensibilizar toda a comunidade, não apenas a escolar e científica, para a ataxia. Recorde-se que uma ataxia hereditária – um subtipo de ataxia – é uma doença do foro neurológico, que consiste na perda de coordenação dos movimentos musculares voluntários, de forma progressiva e degenerativa. Contudo, com uma terapia e medicação adequadas, pode ser em muito retardada a sua progressão. Daí a importância deste evento, o primeiro do género a ter lugar em Portugal, e que se espera possa contribuir significativamente, no breve e longo prazo, para uma melhoria dos cuidados que recebem as pessoas afectadas por esta patologia e, consequentemente, da sua qualidade de vida.


Ana Pereira

Presidente da Direcção da APAHE

E-mail:
ana_cs_pereira@yahoo.

8 de setembro de 2008

Nova esperança para o tratamento de uma forma comum de doença hereditária neuromuscular.

(Tradução de Mario Galinha)

Data do artigo: 04 Setembro 2008 - 4:00
Os tratamentos que aumentam a produção dos “motores muitopequenos” que produzem a energia celular, poderiam ser prometedores,tratar uma das mais comuns formas de doenças hereditáriasneuromuscular, de acordo com um relatório publicado no número deSetembro de Cell Metabolism , uma publicação de Cell Press. As doençasneuromusculares causadas por defeitos daqueles motores as mitocondriasem todos os lugares no mundo afetam um grande número de crianças eadultos, mas até agora seguem sem tratamento, afirmam osinvestigadores.Os investigadores estão demonstrando nos ratos com exposição a umdefeito muscular na função mitocondrial, os tratamentos pensados paraaumentar o número de mitocondrias pode melhorar os sintomas dafraqueza muscular e aumentar a sobrevivência. Estes tratamentos actuamrealçando a actividade da chamada recepção activada do proliferador docoactivator das peroxisomas (PPAR) (PGC-1a), um regulador principal dometabolismo, que sabe-se jogar um papel importante na produção dasmitocondrias. “Basearmo-nos no facto que tanto os ratos como nospacientes com esta doença, ainda existe actividade residual nas enzimasdefeituosas das mitocondrias,” diz Carlos Moraes de Universidade deMiami da escola de medicina. “Se cada célula tivesse mais mitocondriascada, com a mesma actividade residual, melhoraria os sintomas clínicos”.“Isto foi exactamente o que aconteceu nos ratos,” disse. “Quandoaumentado o número das mitocondrias, a miopatía era ligeira e os ratosviveram mais tempo sem sintomas. “Por miopatía nós compreendemostoda a doença neuromuscular que as fibras do músculo deixam detrabalhar correctamente, resultando em fraqueza muscular. Nos ratoscom miopatía mitocondrial, os investigadores induzem a produção dosmitocondrias de duas maneiras: com modificações genéticas queaumentaram PGC-1a no músculo esquelético ou fornecendo-lhes umadroga chamada bezafibrate que já foi aprovada pela FDA (agência doestado da medicina nos EUA) para o tratamento de desordensmetabólicas, incluindo o índice elevado de lipidos no plasma sanguíneo(hiperlipidemia), no diabetes e no síndrome metabólico. Bezafibrate activaPGC-1a junto com outros receptores activados do proliferador dosperoxisomas (PPARs). Aproximações terapêuticas que prolongaram a vidados ratos e atrasaram o começo da doença, de acordo com este estudo.Esse efeito deve-se provavelmente a um aumento no número dasmitocondrias. Indica-se que em alguns casos o número das mitocondriasno músculo tinha aumentado até quatro ou cinco vezes, disse Moraes. Osratos com deterioração mitocondrial vivem em média somente três ouquatro meses, os ratos transgénicos de PGC-1a viveram um anoaproximadamente e alguns chegaram mesmo aos 22 meses. Os animaistratados também mostraram benefícios na roda do esquilo. Os ratos como defeito mitocondrial e aqueles que não tinham recebido o tratamentocomeçaram a cair nos testes da roda do esquilo aos três meses da idade.O rato PGC-1a de Transgénico com miopatía, não mostrou sintomas defraqueza até a idade de 7 meses. Aqueles que foram tratados obtiverammelhores resultados na roda do esquilo há idade de seis meses que osratos de três meses não tratados. “O controle da expressão de PGC-1a ede PPARs poderia oferecer uma estratégia nova nos tratamentos: nãosomente para as miopatías mitocondriaes, mas também para outrasdoenças mitocondriaes, “esta é a conclusão que tiram os investigadoresdos resultados. “Os resultados prometedores nos ratos com miopatía,aqueles que foram alimentados com bezafibrate, identificam os gonistaspequenos das moléculas de PPAR, usados já em seres humanos emdesordens metabólicas, como opção do tratamento para doençasmitocondriaes.” Embora que os resultados sejam prometedores, Moraesobservou que bezafibrate tem efeitos secundários potenciais quenecessitam ser examinados. Tem a esperança de poder começarrapidamente um teste clínico para averiguar se este tratamento temefeito em pacientes com doenças mitocondriaes. Também estão fazendoestudos para provar se um tratamento similar pode ter potencial paratratar também desordens mitocondriaes a nível cerebral.

2 de setembro de 2008

Carta de Professor Pierre RUSTIN, investigador no INSERM (03/06/2008)

REVAMOTO: É realmente a hora! Neste início de século, vivemos um momento muito específico na luta contra a Ataxia de Friedreich. Com efeito, após a descoberta do gene responsável desta doença em 1997 (gene que contem a informação necessária para a produção de um pequeno constituinte das células, chamado frataxina), logo as consequências causadas pelas anomalias neste gene (geralmente uma expansão anormal que provoca uma espécie enrolamento do gene e perturba a sua leitura), o mundo da investigação está diante de um grande desafio: encontrar uma solução para lutar contra esta doença!De facto, são numerosas as equipas de investigação que em todo o mundo focalizam as suas actividades sobre este objectivo. Até à data, foram propostas cinco abordagens que visam etapas diferentes no que pensamos saber da doença: permitir uma melhor leitura do gene por moléculas susceptíveis de desenrolar o gene (nos EUA); aumentar o fabrico da frataxina utilizando o gene como (na Áustria); capturar o ferro que se encontra em excesso em certos compartimentos das células; (as mitocondrias, compartimentos onde a etapa final da combustão dos alimentos produz a energia para toda a célula e qualquer organismo) (em França); agarrar com um medicamento (o idébénone ou Mnesis) os compostos perigosos do oxigénio (famosos radicais livres) que são sem dúvida responsáveis por uma parte da doença; (em França); aumentar as defesas do organismo contra os radicais livres (ensaio Pioglitazone) (em França). Sim leu bem: três das cinco abordagens são desenvolvidos na França pelas nossas equipas de investigação! Á que desmentir os discursos sobre a pretendida falta de competitividade das nossas equipas na França. E no entanto não é simples a investigação no nosso país porque os meios faltam: investigar fica caro no dia a dia, as máquinas custam frequentemente preços exorbitantes, os estudantes formados nos nossos laboratórios refugiam-se no estrangeiro para fugir mais facilmente á precariedade e são excelentes…Face a isto, apenas os discursos, as promessas, os Comités de avaliação, as organizações além disso para terminar de tratar o problema: o nervo da questão é o dinheiro!É neste contexto que a ideia da REVAMOTO tem sentido: um sinal forte para desenvolver a investigação. Para nós investigadores, um sinal para perseverar e amplificar ainda mais os nossos esforços; Para os que decidem num lugar poderoso, um sinal de modo que entendam por fim á mensagem simples e sensível dos pacientes, das suas famílias e todos os que são solidários com os investigadores: O futuro do país, a luta contra as calamidades e as doenças, passam pelo desenvolvimento da investigação, desde a mais básica há médica.Neste combate contra a doença, qualquer cêntimo, qualquer euro recolhido é útil, devido ao muito que representa. Vai integralmente para a investigação científica no Hospital Robert Debré para lutar contra Ataxia de Friedreich.

Estamos-vos muito agradecidos!
A equipa de Investigação do Hospital Robert Debré que trabalha sobre Ataxiede Friedreich.Paule Bénit, Emmanuel Dassa, Sergio Goncalves, Isabelle Husson,Sandrine Loublier, Vincent Paupe e Pedra Rustin
(Tradução de Mario Galinha)

16 de junho de 2008

II Assembleia Geral APAHE (Resumo)

No dia 3 de Maio de 2008, realizou-se a II Assembleia-geral da APAHE, no Centro Social da Carregueira na freguesia da Carregueira, concelho da Chamusca.
A Assembleia começou a debater a ordem de trabalhos:

- 1º Ponto: O Relatório de Actividades e Contas onde foram apresentados aos sócios actividades e contas desde o início da associação.

- 2º Ponto: apresentação da Aliança (Plataforma de associações de doenças raras) e votação sobre a adesão da APAHE a esta plataforma, tendo sido aprovada.

- 3º Ponto: discussão de alguns projectos para o futuro, foi proposto a melhor organização dos serviços administrativos de modo a que a APAHE possa concorrer a fundos comunitários e outros; rastreio da doença a Prof. Doutora Paula Coutinho interveio dizendo que grande parte da sua vida tinha sido dedicada ao rastreio da ataxia, pelo que ficou mais tarde de nos informar melhor sobre este; criação de protocolos discutiu-se a possibilidade de se fazer no site a divulgação de empresas ortopédicas, etc., de modo a se adquirirem receitas e apresentar produtos úteis aos portadores de ataxias; criação do Conselho Cientifico da APAHE ficou registado o desejo e a necessidade de o constituir, bem como um boletim da associação que poderá ser enviado em forma de newsletter ou por correio normal para os sócios e estar disponível no site e no blog; sobre a divisão da associação em 3 núcleos (norte, centro e sul) a Prof. Doutora. Paula Coutinho considerou que era uma ideia desacertada, uma vez que iria criar disputas no seio da APAHE, já a Inês Leal Faria disse que ao propor este ponto, apenas tinha em mente uma melhor organização; site da associação, a estrutura tem que ser alterada e a sócia (Helena Ferreira) apresentou-se oficialmente, pois já se tinha oferecido para o elaborar gratuitamente, por outro lado, a Doutora Patrícia Maciel, docente do ICVS, disponibilizou-se a fornecer os conteúdos para o site; sobre a mediatização ficou clara a necessidade de recorrer aos meios de comunicação social para a divulgação da APAHE; realização de um evento no Dia Internacional da Ataxia (25 de Setembro), proposto pela presidente Dra. Ana Pereira este se realizasse na UM (Universidade do Minho). Foram discutidos outros assuntos deixando o 4º ponto para o final.
4º Ponto, foi proposto e aceite que logo após a eleição dos corpos sociais se procederia à tomada de posse dos corpos eleitos. Deste modo, efectuou-se a eleição dos Corpos Sociais da APAHE, tendo sido apurados 46 votos a favor, 0 nulos.

5º Ponto: informados os sócios, do possível envolvimento da APAHE nos testes clínicos do medicamento Ferriprox e o desejo que os testes fossem feitos no Porto; propôs-se o fraccionamento das quotas em várias prestações; votação da Prof. Doutora Paula Coutinho e do Prof. Doutor Jorge Sequeiros como Sócios Honorários da APAHE. Ambas as propostas foram aprovadas por unanimidade.

Direcção:
Presidente – Ana Cristina Pereira
Vice-presidente – Inês leal de Faria
Tesoureiro – Rui Miguel Pinto
Secretária – Teresa Celina Barbosa
Vogal – Sameiro Lopes

Mesa da Assembleia Geral:
Presidente: Nélia Mateus
1º Secretário – Lina M. Agostinho Valador
2º Secretário – João Carlos Sousa

Conselho Fiscal:
Presidente – Sandra Cristina Gomes
Vogal – Paula Agostinho
Vogal – David Agostinho