Mostrar mensagens com a etiqueta pediatria. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pediatria. Mostrar todas as mensagens

26 de abril de 2017

Envolver as famílias nos ensaios clínicos de doenças raras



Autoria: Susan Tansev, Abril, 19,2017
Desenvolver medicamentos para doenças raras é desafiante, mas o apoio dos pacientes e respetivos familiares é fundamental para impulsionar avanços nesta área.


Embora as doenças raras individuais afetem apenas um relativo pequeno número de pessoas, o seu impacto é, em geral, avassalador. Existem cerca de 7000 doenças raras diferentes, sendo que este número cresce todos os anos. No total, as doenças raras afetam cerca de 350 milhões de pessoas em todo o mundo, mais do que a população global dos EUA. Cerca de 75% dos afetados por doenças raras são crianças e 35% destas irão morrer no seu primeiro ano de vida.
Apesar de ainda haver uma enorme quantidade de necessidades não satisfeitas nesta área, a indústria farmacêutica tem, progressivamente, vindo a focar-se nas doenças raras, trazendo esperança para as pessoas afetadas e respetivas famílias. Existem atualmente mais de 450 medicamentos em desenvolvimento, e quase metade dos novos medicamentos aprovados na Europa, em 2015, foram para doenças raras.
Em fevereiro de 2017, tive a oportunidade de falar sobre a questão da importância do envolvimento dos pacientes nos ensaios clínicos de doenças raras, numa conferência de pediatria, que decorreu na segunda Unidade de Vigilância de Doenças Raras Pediátricas do Reino Unido, organizada em parceria com o Hospital Pediátrico de Birmingham. O tema da conferência foi “Do laboratório para o mercado: Novos tratamentos para crianças com doenças raras” e a sessão na qual participei foi liderada por mim,  por Mohini Samani Presidente da organização NIHR West Midlands Clinical Research Network- Young Person´s Steering Group (NIHR Rede de Apoio à Investigação Clínica da Região de West Midlands – Grupo de Orientação para Jovens), e por um sobrevivente de um cancro infantil do tipo Leucemia Linfoblástica Aguda. Neste artigo do meu blogue, irei efetuar algumas reflexões sobre alguns dos temas-chave abordados na conferência.

Enfrentando o desafio da doença rara
As doenças raras são um verdadeiro desafio para a área de desenvolvimento de medicamentos. Sabemos pouco sobre os mecanismos subjacentes a muitas destas doenças raras e a forma como progridem bem como sobre o impacto que as diferenças na severidade da doença e os seus subtipos acrescentam a este desafio. Tal torna ainda mais difícil saber quais os parâmetros e medidas de resultado que devem ser utilizados nos ensaios clínicos. Outro fator desafiante é que os pacientes podem estar espalhados por todo o mundo, incluindo locais remotos.
Embora os organismos reguladores estejam a tentar facilitar o caminho da comercialização, as vias de aprovação podem ser complexas e podem incluir compromissos pré e pós-comercialização e requisitos de gestão de risco.
Trabalhar em conjunto com os pacientes e suas famílias pode ajudar a indústria farmacêutica a ultrapassar algumas dessas dificuldades.
Envolver as famílias no desenvolvimento de novos medicamentos: centrar a atenção no paciente
O desenvolvimento de um medicamento para uma doença rara é um processo muito complexo, existindo todo um conjunto de diferentes formas de as empresas criarem ensaios centrados no paciente e de melhorarem o envolvimento deste, ensaios esses que conduzam a melhores resultados quer para os pacientes quer para os investigadores.
Trabalhar com os pacientes, com as suas associações de defesa e comunidades pode facilitar o recrutamento de pacientes para ensaios clínicos, através da conceção de um ensaio clinicamente relevante para estes, e pode, ainda, ajudar a garantir que o estudo não só preenche os requisitos regulamentares mas também tem boas probabilidades de ser viabilizado. A internet, as aplicações móveis e as redes sociais também podem, igualmente, ajudar os pacientes a encontrar informações sobre os ensaios clínicos existentes e a verificar a sua possibilidade de participarem nos mesmos.
Todavia, este processo não termina com o recrutamento e identificação de pacientes. O ensaio clínico deve ser concebido de forma a torná-lo o mais possível amigo da família. Tal inclui assegurar que o estudo seja prático e viável para os pacientes e suas famílias, sem ter um impacto muito grande seu dia-a-dia: escola, trabalho e vida familiar. Isso pode incluir manter o número de visitas e intervenções no mínimo, enquanto houver  necessidade de recolher dados suficientes para o estudo, e reduzir o número de viagens de pacientes cuja saúde se encontre fragilizada ou que tenham irmãos em idade escolar e pais que trabalhem. Os grupos de pacientes também podem ajudar a instruir os sites dedicados ao estudo das doenças raras e os próprios investigadores sobre a doença.
As pessoas com doenças raras podem estar espalhadas por extensas áreas geográficas pelo que trabalhar com famílias e grupos de pacientes poderá ajudar as empresas farmacêuticas a perceber onde os pacientes podem estar concentrados ou como os ensaios clínicos podem ser levados até eles. As redes sociais podem-nos ajudar a alcançar os pacientes e a determinar a melhor forma de recrutar a sua participação.
Os pacientes também podem desempenhar um papel importante na criação de documentos de estudo e materiais de recrutamento, quer pela verificação da adequação da linguagem adotada para crianças e adultos quer através da sugestão de materiais alternativos tais como adesivos e ímanes de frigorífico, livros de histórias e de quadradinhos.

Referência para o paciente: como aceder aos ensaios clínicos
A Internet está, cada vez mais, a tornar-se a principal fonte de informações sobre doenças, medicamentos e ensaios clínicos, e isto é particularmente importante nos distúrbios da infância, dado que a primeira geração de nativos digitais está a chegar aos trinta e… e a ter os primeiros filhos. As empresas e as associações de defesa dos pacientes podem usar as oportunidades disponíveis através da internet, das aplicações móveis e das redes sociais para informar os pacientes sobre os tratamentos e ensaios disponíveis, educá-los sobre doenças raras e ajudá-los a conectarem-se e a interagirem com outras famílias.
Uma das oportunidades disponíveis é através de sites de referência, onde os pacientes se podem informar sobre os objetivos do estudo e inscreverem-se para participarem. Contudo, é importante estar ciente de que nem todos os pacientes serão elegíveis para o estudo, e de que os coordenadores do estudo devem acompanhar aqueles que não preenchem os critérios de inclusão a fim de fornecer apoio e discutir outros estudos ou opções de tratamento que possam ser capazes de os ajudar. As enfermeiras prestadoras de cuidados aos pacientes podem ter um papel importante de apoio nestas situações.
Sites de referência, registos médicos digitais e colaborações com geneticistas também podem ajudar as empresas farmacêuticas a saber mais sobre a incidência da doença, sobre a sua prevalência e sobre a localização geográfica de potenciais pacientes.

Do laboratório para o mercado
Os pacientes portadores de doenças raras, com muita frequência, têm poucas opções de tratamento. Através de ensaios clínicos de novos tratamentos, as empresas farmacêuticas podem oferecer esperança a esses pacientes. Os pacientes precisam de ser o centro deste processo e criar relações entre pacientes, associações de defesa de pacientes, investigadores e até sites de referência na matéria é um passo vital para a                    consciencialização da importância dos ensaios clínicos, para a elaboração de ensaios próximos dos pacientes e para a participação destes nos mesmos.
 Tradução para a APAHE por: Barbara Cerdeiras

Veja mais em: http://www.quintiles.com/blog/involving-families-in-rare-disease-clinical-trials#sthash.dqQ0r2G8.dpuf

21 de outubro de 2011

Avaliação da eficácia neurológica do idebenone em pacientes pediátricos com ataxia de Friedreich: dados de um estudo controlado de 6 meses, seguido de um estudo aberto de 12 meses.

Meier T, Perlman SL, Rummey C, Coppard NJ, Lynch DR
Santhera Pharmaceuticals, Liestal, Súiça

Resumo

Este estudo tinha como objectivo a investigação da eficácia do idebenone nas funções neurológicas, avaliadas nas tabelas de classificação neurológica ICARS e FARS, em pacientes pediátricos com ataxia de Friedreich (FRDA). 68 pacientes pediátricos foram inscritos num estudo aberto (IONIA-E), onde recebiam idebenone (Catena®), numa dose ajustada ao peso de 1,350/2,250 mg por dia durante 12 meses, após os pacientes terem participado num estudo (IONIA), onde quer idebenone numa dose ajustada ao peso de 450/900 ou 1,350/2,250 mg por dia, quer um placebo, durante 6 meses. Foram sendo registadas as alterações nos totais e sub-totais do ICARS e FARS durante o estudo de 12 meses (IONIA-E), assim como o estudo combinado de 18 meses (IONIA e IONIA-E). Os dados analisados por um modelo ANCOVA, relativos a uma linha básica, resultaram em alterações na ICARS para o estudo IONIA-E de +0.98 pontos (SEM 0.73; p = 0.180), indicando uma tendência para piorar. Contudo, combinado com o estudo IONIA, a alteração foi de -1.03 + 0.68 pontos (p = 0.132), indicando uma tendência de melhoria da função neurológica durante o período de 18 meses. Salienta-se que os pacientes que receberam idebenone, 1,350/2,250 mg por dia, durante este período, apresentaram melhorias significativas nas funções neurológicas (alterações na ICARS: -3.02 + 1.22, p = 0.014). As melhorias nas funções neurológicas, ao longo do tempo, foram mais notadas quando a postura física e mental foram excluídas da análise. Foram obtidos dados comparáveis através da FARS. As descobertas do estudo aberto IONIA-E combinadas com o estudo IONIA, indicam que o idebenone, numa dose de 1,350/2,250 mg por dia, oferece benefícios terapêuticos aos pacientes pediátricos com FRDA, através da estabilização das funções neurológicas gerais e melhoria das capacidades motoras finas e discurso.


Fonte:
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/21779958?dopt=Abstract

9 de outubro de 2011

Doenças pediátricas infecciosas e desordens nos movimentos (tiques, ataxia, rigidez)

Os tiques são movimentos repetitivos súbitos, semi-voluntários e altamente estereotipados. Podem ser simples, envolvendo apenas grupos musculares específicos (ex: piscar de olhos excessivo ou fazer caretas), ou mais complexos.
Tiques
Os tiques são movimentos repetitivos súbitos, semi-voluntários e altamente estereotipados. Podem ser simples, envolvendo apenas grupos musculares específicos (ex: piscar de olhos excessivo ou fazer caretas), ou mais complexos. Os tiques podem ser em qualquer lugar no corpo, mas é mais comum ocorrerem na face, cabeça e pescoço.
Apesar de os tiques vocais associados a violentas exteriorizações de profanidade terem recibo uma considerável publicidade, estes são raros e os tiques vocais podem ser fonações como classificar, fungar, espirrar, grunhir, clarear a garganta ou expressões não-essenciais.
A severidade dos tiques é naturalmente influenciada pelas fases da Lua, assim como a excitação, aborrecimento, stress e fadiga associados. Os tiques são frequentemente descritos como sendo uma necessidade premonitória de movimento e enquanto que o movimento pode ser suprimido, a necessidade vai aumentando até ser insuportável até o movimento ter de ser executado, manifestando-se o tique.
Imediatamente após o tique ser executado, há uma sensação de alívio transitória referente à necessidade do movimento, apenas para ser substituída por outra necessidade premonitória, e assim o ciclo de tiques se repete. Os tiques são, provavelmente, a forma primária mais comum de desordens no movimento, na infância; com 5-24% das crianças em idade escolar, a terem pelo menos um tique transitório. Frequentemente, as desordens relacionadas com tiques são associadas à Desordem Obsessiva Compulsiva e/ou Desordem Deficit de Atenção.
Tremor
O tremor é um movimento oscilatório involuntário, hiper-cinético e rítmico, de parte do corpo à volta de um ponto fixo ou lugar. É importante notar se os tremores ocorrem se em acção, descanso, postura ou a efectuar tarefas específicas, pois isso influencia o diagnóstico diferencial, assim como o tratamento. Enquanto que a incidência de tremores, na infância, é desconhecida, na população geral é de 1.5 em 10.000. Numa clínica pediátrica de desordens nos movimentos, 19% das crianças tinham tremor como a única ou principal característica da sua condição.
Ataxia
A ataxia é caracterizada por problemas na coordenação muscular. Pode afectar o tronco (ataxia do tronco), o andar (ataxia postural) ou as extremidades distais (ataxia apendicular). É frequentemente associada, mas não restrita, a lesões nos caminhos do cerebelo.
 Rigidez
A rigidez é muito mais comum em adultos, do que em crianças. Trata-se de hipertonia, na qual todos os seguintes são verdadeiros: (1) a resistência a movimentos impostos externamente (passivos) está presente em baixas velocidades e não varia com a rapidez; (2) a contracção dos grupos musculares pode ocorrer, fruto duma resistência imediata a uma mudança de direcção de movimento sobre uma articulação; (3) o membro inferior não tem a tendência de voltar para aprender uma posição particular fixa ou ângulo articular extremo; e (4) as actividades voluntárias em grupos musculares distantes não leva a movimentos involuntários sobre as articulações rígidas, apesar de a rigidez poder piorar. Em crianças, é mais comum ser associado a efeitos secundários de medicamentos ou a Parkinsonismo juvenil.  
REFERÊNCIAS E NOTAS DE RODAPÉ:
·       Samir S. Shah, M. M. (2009), PRÁTICA PEDIÁTRICA Doenças Infecciosas. Nova Iorque, Chicago, S. Francisco, Lisboa, Londres, Madrid, Cidade do México: MC GRAW HILLS.