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3 de janeiro de 2015

Cientistas descobrem a primeira proteína que pode editar outras proteínas


 Janet Iwasa, Ph.D, Universidade do Utah, EUA

A tarefa mais importante dentro de qualquer célula é a produção de proteínas, e todas elas são feitas utilizando as instruções a partir do ADN. Este processo é praticamente evangélico no campo da biologia molecular, mas uma nova investigação identifica algumas exceções. Algumas proteínas, ao que parece, podem fazer outras proteínas.

As proteínas são montadas a partir de aminoácidos no interior das estruturas celulares chamados ribossomas. Normalmente, os planos para cada proteína - de anticorpos de combate às doenças, a componentes estruturais que permitem que os músculos se contraiam - são codificados no ADN e entregues aos ribossomas por moléculas chamadas mensageiros ARN (mARN). Assim, essas instruções genéticas são utilizadas por uma molécula relacionada chamada transferência ARN para construir a proteína.

A imagem acima, publicada na revista Science, mostra uma maneira totalmente diferente da construção duma proteína. A massa amarela é uma proteína chamada Rqc2 que está a fazer o trabalho normalmente feito pelo mARN. Está ligada à transferência ARN (as massas azul e verde claro), dizendo aos ribossomas (a massa de cachos brancos) para inserir uma sequência aleatória de aminoácidos na cadeia de proteínas.

Este não é um caso duma proteína se tornar desonesta. Parece ser parte do processo de reciclagem, que ocorre quando há um erro na construção duma proteína. Quando um erro é introduzido, os ribossomas param e chamam um grupo de proteínas de controlo de qualidade, incluindo a Rqc2. Ao observar esse processo, os investigadores viram como a Rqc2 se liga com a transferência ARN e lhe diz para inserir uma sequência aleatória de dois aminoácidos na corrente (dum total de 20 aminoácidos).

Os investigadores acreditam que o comportamento aparentemente aberrante da Rqc2 pode ser uma parte integrante de manter o corpo livre de proteínas defeituosas. É possível que seja a sinalização da proteína para a destruição, ou de que a corrente de aminoácidos pode ser um teste para ver se o ribossoma está a funcionar corretamente. As pessoas com doenças como Alzheimer e Huntington têm processos de controlo de qualidade defeituosos para as suas proteínas. Compreender as condições exatas de como a Rqc2 é acionada, e onde falha, são o próximo passo na investigação, e pode ser importante para o desenvolvimento de novos tratamentos para doenças neurodegenerativas.




25 de março de 2014

Estudo sobre doenças neurodegenerativas fecha com chave de ouro

Projeto liderado por Fernanda Borges, docente do Departamento de Química e Bioquímica
O projeto, na área da química medicinal "BP4Brain - Benzopyrane as a privileged structure for the rational design of multi-target-directed drugs potentially useful in neurodegenerative diseases" fechou com chave de ouro o seu estudo. O trabalho é coordenado por Fernanda Borges, docente do Departamento de Química e Bioquímica da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e investigadora do Centro de Química da Universidade do Porto (CIQ), do qual fazem investigadores do CIQ, do Instituto Superior de Engenharia do Porto, do Instituto Superior de Ciências da Saúde - Norte, da Universidade de Magna Graecia of Catanzaro - Faculdade de Farmácia e da Universidade de Santiago de Compostela - Faculdade de Farmácia. A principal estratégia do projeto BP4Brain é agregar a experiência de cada participante, tendo em vista o desenvolvimento interdisciplinar de conceitos, ferramentas, métodos e técnicas.
Este grupo de investigadores publicaram parte dos resultados obtidos num artigo de revisão intitulado Chromone: A Valid Scaffold in Medicinal Chemistry (DOI: 10.1021/cr400265z) no Chemical Reviews, uma revista da ACS de índice de impacto 41.298, com uma posição líder a nível mundial entre as revistas da área da química.
Segundo Fernanda Borges, a procura de uma solução terapêutica para as doenças neurodegenerativas permanece, ainda neste século, um desafio. Para algumas doenças como a doença de Parkinson a terapia existente atualmente é apenas paliativa, e para outras, como a doença de Alzheimer não existem terapias que tenham um impacto significativo na progressão da doença. Na verdade a atual estratégia terapêutica de um fármaco para um alvo tem-se revelado ineficaz. Como resultado, verifica-se que a descoberta de agentes multipotentes, que visam alvos múltiplos, se tenha traduzido numa estratégia que está a atrair mais e mais atenção. Assim, o projeto BP4Brain está focado no desenvolvimento novas entidades químicas (NCE) para doenças neurodegenerativas, tendo como suporte uma base química versátil adequada para a preparação das quimiotecas e screening biológicos direcionados para vários locais alvo. Desta forma será obtida uma plataforma integrada adequada para o desenvolvimento de novos fármacos . Os resultados do projeto BP4Brain irão, após a prova do conceito, permitir criar novas oportunidades na bio-economia na medida que melhores candidatos, que superem com êxito as exigências, serão transferidos para a indústria farmacêutica.
FONTE:
 http://sigarra.up.pt/fcup/pt/noticias_geral.ver_noticia?p_nr=7110

20 de abril de 2012

Doenças raras


Prémio Rola-Braz é uma bolsa de investigação numa garrafa de vinho
Um Brinde pela Ciência é o último ponto do programa científico que sexta-feira vai discutir a regulação e qualidade dos testes genéticos em Portugal. A discussão, no Porto, será centrada nos três anos de espera pela regulamentação da lei sobre informação genética pessoal e informação de saúde, mas a sessão vai encerrar com um invulgar exemplo de mecenato científico. Ana Rola-Braz decidiu contribuir para a criação de uma bolsa de investigação que permita desenvolver novas formas de diagnóstico de doenças raras, fazendo reverter um euro da venda de cada garrafa de vinho que produziu na região do Douro

É "uma homenagem a uma pessoa de família com a doença de Machado-Joseph", explica a enóloga, que trabalha nas Caves de Santa Marta e é proprietária da marca de vinho Quinta de Remostias, na região do Douro. Ana Rola-Braz quis retribuir por um serviço prestado pelo Centro de Genética Médica Preditiva e Preventiva (CGPP), no Porto, e decidiu oferecer o que faz: vinho.

"Uma ideia fantástica para uma forma de mecenato que é muito comum noutros países, mas que em Portugal é incipiente", nota Cláudio Sunkel, director do Instituto de Biologia Molecular e Celular (IBMC), onde está o CGPP, acrescentando que "é a primeira vez" que isto acontece no instituto.

A enóloga poderia ter-se limitado a doar uma verba ao CGPP. Mas, após um encontro com os responsáveis do centro e do IBMC, decidiu que seria mais interessante contribuir para um avanço científico nesta área. Assim, foi já seleccionado num concurso um bolseiro que, durante o próximo ano (a bolsa poderá ser alargada), vai tentar encontrar novas formas de diagnóstico da doença de Machado-Joseph (a doença rara de maior prevalência em Portugal) e outras ataxias hereditárias como esta (doenças crónicas que afectam o cerebelo e acabam por deixar as pessoas sem se poderem mexer nem falar).

Sobre o vinho Quinta das Remostias, que será lançado e provado no final do encontro da Orphanet Portugal, Ana Rola-Braz esclarece que se trata de um tinto, da colheita de 2007, feito com as castas Touriga Nacional e Tinta Roriz, com grau alcoólico de 14% e cujo preço deverá rondar os cinco euros. A enóloga tem um stock de seis mil garrafas (estão à venda à online ou nas lojas de especialidade) para o Prémio Rola-Braz.

Os organizadores do primeiro encontro sobre doenças raras e medicamentos "órfãos" da Orphanet - uma rede que apoia o diagnóstico e tratamento destes doentes, para os quais a indústria farmacêutica tem pouco interesse em desenvolver produtos, e que é liderada por um consórcio de 40 países - esperam que o brinde reservado para o final do dia sirva para celebrar. A Orphanet Portugal espera obter nesta sexta-feira o compromisso do Governo (o secretário de Estado da Saúde, Leal da Costa, deverá estar na sessão), para avançar com a regulamentação da lei publicada em Janeiro de 2005. É que a proposta de decreto regulamentar está pronta desde o início de 2009.

"E até agora nada", constata Jorge Sequeiros, cientista do CGPP e que presidiu à comissão que elaborou esta regulamentação. Na mesma altura apresentou-se uma proposta de portaria sobre o licenciamento dos laboratórios de genética médica. Também, nesse caso, nada até agora.

Apesar de a lei publicada em 2005 estar em vigor, a regulamentação deverá clarificar alguns pontos, como as condições de oferta de testes genéticos, a regulação da sua qualidade, o estabelecimento de biobancos ou a protecção de informação sensível. Estima-se que existam 5 a 8 mil doenças raras, afectando no seu conjunto até 6% da população, o que, extrapolando, significa que haverá até 600 mil pessoas com estas patologias em Portugal.
FONTE: http://www.publico.pt/Ci%C3%AAncias/premio-rolabraz-e-uma-bolsa-de-investigacao-numa-garrafa-de-vinho-1542576