26 de agosto de 2013

Investigadora da Universidade de Telavive (Israel) desenvolve uma proteína para proteger e restaurar as comunicações das células nervosas

Uma estrutura chamada "a rede de microtúbulos" é uma parte crucial do nosso sistema nervoso. Ele atua como um sistema de transporte nas células nervosas, transportando proteínas essenciais e permitindo a comunicação célula a célula. Mas em doenças neurodegenerativas, como Parkinson, Alzheimer e Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), esta rede parte-se, dificultando as capacidades motoras e funções cognitivas.
 
Agora, a Prof.ª Illana Gozes da Faculdade de Medicina Sackler da Universidade de Telavive, desenvolveu um novo peptídeo no seu laboratório, chamado NAP ou Davunetide, que tem a capacidade de proteger e restaurar a função do microtúbulo. O peptídeo é um composto derivado da proteína ADNP, que regula mais de 400 genes e é essencial para a formação do cérebro, memória e comportamento.
 
A Prof.ª Gozes e a sua equipa de investigadores, incluindo o Dr. Yan Jouroukhin e o estudante Regin Ostritsky da Universidade de Telavive, observou que, em modelos de animais com danos nos microtúbulos, o NAP foi capaz de manter ou reavivar o transporte de proteínas e outros materiais nas células, melhorando os sintomas associados à neurodegeneração. Estas conclusões, que foram relatadas no jornal “Neurobiology of Disease”, indicam que o NAP pode ser uma ferramenta eficaz na luta contra alguns dos efeitos mais debilitantes das doenças neurodegenerativas.
 
A Prof.ª Gozes é a diretora do Super Centro Adams para Estudos do Cérebro da Universidade de Telavive, que incluí a presidência da Investigação dos Fatores de Crescimento Lily e Avraham Gildor.
 
Assegurar a passagem através do cérebro
Na sua investigação, os investigadores usaram dois modelos diferentes de animais com danos nos microtúbulos. O primeiro grupo era composto por ratos normais, cujo sistema de microtúbulos foi quebrado através da utilização de um composto. O segundo grupo eram modelos de ratos geneticamente modificados com ELA, em que o sistema de microtúbulos foi cronicamente danificado. Em ambos os grupos, metade os ratos receberam uma única injeção de NAP.
 
Para determinar o impacto do NAP nas comunicações das células nervosas, os investigadores administraram o elemento químico manganês em todos os modelos de animais e seguiram o seu movimento através do cérebro usando uma ressonância magnética. Nos ratos tratados com NAP, os investigadores observaram que o manganês era capaz de viajar através do cérebro normalmente — o sistema de microtúbulos estavam protegido contra danos ou restaurado para uso normal. Os ratos que não receberam o peptídeo experimentaram a habitual quebra ou a disfunção continuada do sistema de microtúbulos.
 
Estas conclusões foram corroboradas por um estudo posterior realizado no Reino Unido, publicado no jornal “Molecular Psychiatry”, que descobriu que o NAP era capaz de amenizar os danos em modelos de mosca da fruta com deficiência nos microtúbulos, reparando a disfunção da célula nervosa.
 
Abrandar a disfunção cognitiva
O NAP parece ter amplo potencial em termos de neuroproteção, diz a Prof.ª Gozes, que recentemente foi agraciada com o prêmio de pesquisa Meitner-Humblodt pela sua contribuição ao longo da vida para o campo das ciências do cérebro.
 
Estudos anteriores sobre o peptídeo, realizados através de uma colaboração entre Allon Therapeutics and Ramot e a tecnologia da Universidade de Telavive, demonstraram que os pacientes que sofrem de disfunção cognitiva — um precursor para a doença de Alzheimer — mostraram melhorias significativas nos seus resultados cognitivos quando tratados com NAP. Estudos adicionais também mostraram que o NAP tem um impacto positivo em corrigir as deficiências nos microtúbulos em pacientes com esquizofrenia.
 
A Prof.ª Gozes observa que mais pesquisas devem ser conduzidas para descobrir como otimizar o uso de NAP como tratamento, incluindo quais os pacientes que mais podem beneficiar da intervenção.
 

Sem comentários:

Publicar um comentário