14 de julho de 2017

Grupos Europeus de Defesa dos Doentes em acção

Em 2016, a EURORDIS lançou os ePAG (Grupos Europeus de Defesa dos Doentes) para assegurar que os doentes são integrados no desenvolvimento, governação e funcionamento das Redes Europeias de Referência (ERN).

Redes Europeias de Referência
Em 2017, mais de 900 equipas médicas altamente especializadas de toda a Europa juntaram forças em 24 RER para fazer face a doenças ou patologias complexas ou raras que exigem cuidados altamente especializado e uma concentração de conhecimentos e recursos. Estas redes virtuais vão ajudar a garantir que são as competências e os conhecimentos que viajam através das fronteiras em vez de serem os doentes. Em 2017, têm-se vindo a realizar reuniões de lançamento das RER por toda a Europa.
Mais informações sobre as RER:
·         Em quatro novos vídeos produzidos pela Comissão Europeia, os doentes Elisa (também disponível com legendas em italiano), Paula (legendas em espanhol), Jasper (legendas em holandês) e Daniel (legendas em francês) explicam como as RER os irão ajudar.
·         Consulte a lista completa de RER da Comissão Europeia com acompanhamento de fichas informativas e de hiperligações para sites de RER individuais.
·         Descubra os profissionais de saúde que são membros de cada RER no seu país ao transferir os arquivos zip disponíveis aqui. Os profissionais de saúde podem contactar o seu representante nacional no Conselho de Estados-membros das RER no caso de pretenderem participar numa RER.
·         A EURORDIS também elaborou relatórios de síntese que detalham a estrutura e os objetivos de cada RER e que estão disponíveis no site da RD-Action.
Para analisar o diagnóstico e o tratamento de um doente, os profissionais de saúde consultam outros membros da sua RER, com os quais trocam informações e partilham conhecimentos. Os coordenadores e outros dirigentes das redes convocam conselhos consultivos "virtuais" de médicos especialistas em diferentes disciplinas, recorrendo a uma plataforma informática específica e a ferramentas de telemedicina. Mais informações sobre o âmbito das RER.

Grupos Europeus de Defesa dos Doentes (ePAG)
Os ePAG reúnem representantes eleitos dos doentes e as associações afiliadas para garantir que a voz dos dentes é ouvida durante o desenvolvimento das RER.
Registe a sua associação de doentes como membro de um ePAG
Para receber atualizações e para ser consultado sobre a atividade da RER relevante para a sua doença, registe o interesse da sua associação em tornar-se membro de um ePAG, indicando a RER a que quer pertencer. A participação nos ePAG é aberta a todas as associações de doenças raras (com sede na UE, sejam ou não membros da EURORDIS).
Representantes dos Doentes nos ePAG
Existem mais de 100 representantes de doentes dos ePAG que têm um mandato oficial permanente para representar as associações membros dos ePAG no seu respetivo RER, bem como para os consultar sobre as atividades em curso nas RER. Estes representantes manterão o contacto com as associações para garantir que a voz dos doentes é representada de forma adequada através da sua participação na direção e nos comités subclínicos da RER.
A EURORDIS está à procura de representantes de ePAG para a RER sobre anomalias craniofaciais e de doenças de otorrinolaringologia (ORL). Agradecemos que entre em contacto com Lenja Wiehe, gestora dos Grupos de defesa dos doentes, através do email lenja.wiehe@eurordis.org no caso de ter interesse em representar este ePAG.
Teve lugar uma reunião satélite de ePAG no decurso do Encontro de Associados da EURORDIS de 2017, que se realizou em maio em Budapeste. Este encontro assinalou a primeira vez que representantes de ePAG de todas as 24 RER se reuniram para partilhar as suas expectativas e dar passos no sentido da colaboração entre RER.
Os participantes no Encontro de Associados da EURORDIS de 2017 em Budapeste também tomaram parte numa Oficina sobre como tornar as RER uma realidade.

Programa de Mentoria dos Representantes dos ePAG
A EURORDIS criou um Programa de Mentoria dos Representantes dos ePAG com o objetivo de capacitar os representantes dos ePAG para se tornarem parceiros apreciados e de pleno direito que possam agir com autonomia e autoridade na Direção ou no comité dos seus respetivos RER. Os mentores provêm de uma variedade de contextos (grupos de pacientes, quadros superiores de empresas, consultores de comunicação e de liderança, Comissão Europeia, consultores de cuidados de saúde, profissionais de saúde, etc.).
Para obter mais informações, entre em contacto com lenja.wiehe@eurordis.org.



Eva Bearryman, Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 11/07/2017
Page last updated: 11/07/2017



O aumento da modificação da proteína provoca/causa doença cardíaca em pacientes com ataxia de Friedreich, demonstra estudo



Um aumento anormal na acetilação de proteínas induz a doença cardíaca em pacientes com ataxia de Friedreich (FA) e pode representar um novo alvo terapêutico para a intervenção precoce, conclui um estudo.

O estudo “A progressiva acetilação da proteína lisina da mitocondrial e insuficiência cardíaca num modelo de cardiomiopatia de ataxia de Friedreich " apareceu na “Plos One”.

Os autores do estudo encontraram uma estreita relação entre a acetilação de proteínas - um mecanismo importante que atua ao nível da alteração das proteínas de forma a regular o metabolismo celular - e a perturbação metabólica e funcional observada nos corações dos modelos animais com FA, bem como em pacientes com FA.

O estudo utilizou um modelo animal de FA, em que os ratos foram geneticamente modificados para não produzirem a proteína de frataxina nas células cardíacas, de modo a refletir a perda de frataxina observada em pacientes com FA.

Os investigadores avaliaram as mudanças nos corações dos animais, tanto fisiológicas como funcionais, e documentaram a evolução da doença durante 30, 45 e 60 dias.

Os resultados demonstraram que, ao 30º dia, a falta de frataxina tinha provocado um aumento na acetilação de proteínas das células cardíacas dos ratos. A rapidez deste mecanismo continuou a aumentar com o passar do tempo, e ao 45º dia, ocorreram os primeiros indícios anormais de dano cardíaco, com o espessamento da parede ventricular esquerda e a disfunção diastólica. À medida que a acetilação progrediu, a função cardíaca continuou a diminuir nos modelos com ratos.

No geral, os investigadores detetaram uma forte ligação entre uma maior modificação proteica e a fibrose cardíaca, o dano mitocondrial e o metabolismo prejudicado, para além de disfunção diastólica e sistólica, que conduz à insuficiência cardíaca nos animais.

Embora este estudo mostre que um aumento na acetilação de proteínas cardíacas leva a danos cardíacos e a doença cardíaca, nenhum mecanismo pode, ainda, explicar a razão por trás disso. Os autores do estudo solicitam que haja mais pesquisa a fim de que se desenvolvam novas terapias para atingir a acetilação proteica precoce.

 A FA é uma desordem hereditária rara que afeta cerca de um em cada 50.000 americanos. Geralmente, tem inicio na infância e leva ao comprometimento da coordenação muscular do individuo, piorando ao longo do tempo.

Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/06/27/friedreichs-ataxia-cardiomyopathy-caused-by-increased-acetylation-of-heart-proteins-study-finds/?utm_source=Friedreich%27s+Ataxia&utm_campaign=0a3198bdce-RSS_WEEKLY_EMAIL_CAMPAIGN&utm_medium=email&utm_term=0_ae7feab64b-0a3198bdce-72172285

Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras

Investigadores criam "células do coração num prato de laboratório" para estudar a doença cardíaca associada à FA




Autor: Joana Fernandes, PhD 06 / 07/2017

 

Investigadores australianos transformaram com sucesso células-tronco de pacientes com ataxia de Friedreich (FA) em células cardíacas para estudar anomalias moleculares que podem contribuir para esta doença.

Essas "células cardíacas num prato de laboratório" fornecem informações valiosas para o estabelecimento de tratamentos novos.

No seu estudo, " A ataxia de Friedreich influenciou os cardiomiócitos derivados de células estaminais pluripotentes, mostrando anomalias eletrofisiológicas e deficiência no controle de cálcio", apareceu na revista “Aging”.

A FA é causada por baixos níveis da proteína frataxina, devido a anomalias na sequência do gene que codifica esta proteína - repetições de porções de DNA dentro do gene. Quanto maior o número de repetições, mais cedo se dá o início da FA e de todas as suas complicações associadas.

A frataxina desempenha um papel importante nas mitocôndrias, o poder da célula, de modo que a mutação da proteína é responsável por vários sintomas que refletem deficiências na produção de energia. O coração é um dos órgãos afetados por essa falta de energia.

"A cardiomiopatia é detetada em dois terços dos indivíduos com FA]", escreveram os investigadores. "Os indivíduos com FA, geralmente, apresentam cardiomiopatia progressiva do ventrículo esquerdo, que é a principal causa de morte em FA devido a arritmias e/ou insuficiência cardíaca".

Estudos anteriores demonstraram que a morte de células cardíacas, cardiomiócitos e a fibrose podem contribuir para as complicações cardíacas em FA, mas pouco se sabe sobre o impacto da doença no coração.

Os investigadores criaram culturas de células estaminais usando células de três pacientes de FA com complicações cardíacas. A seguir, estimularam o desenvolvimento dessas células-tronco em cardiomiócitos - basicamente, células de coração num prato de laboratório.

Os novos cardiomiócitos apresentaram baixos níveis de frataxina, como era esperado, mas também correntes iónicas anormais, que são cruciais para o funcionamento normal dessas células. Tiveram, também, uma maior variação nas suas taxas de batimento, que estava ligada ao deficiente controle do cálcio, afetando finalmente o funcionamento dos cardiomiócitos.

Juntos, estes resultados abrem caminho não só para entender como os pacientes FA desenvolvem atividade cardíaca anormal mas também para a utilização de células estaminais induzidas para estudar a cardiomiopatia no contexto desta doença.

"Mais importante, os nossos dados indicam, claramente, que as FA iPSC [células-tronco] - cardiomiócitos derivados podem ser usados no escrutínio de compostos capazes de alterar ou reverter fenótipos, em células humanas, proporcionando, deste modo, uma ferramenta inovadora e única para a pesquisa da FA", concluíram os investigadores.

Fonte: https://friedreichsataxianews.com/2017/07/06/friedreichs-ataxia-heart-disease-is-focus-of-stem-cell-study-by-australian-researchers/

Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras