3 de maio de 2017

A velocidade da marcha pode melhorar a deteção da progressão da doença de Ataxia de Friedreichs no curto prazo


Autor: Magdalena Kegel
2017-04-18

A velocidade de marcha pode ser usada como uma medida objetiva para avaliar a progressão da doença em pacientes adultos portadores de Ataxia de Friedreichs e que ainda são capazes de andar, de acordo com um pequeno estudo que sugeriu que esta medida é mais adequada para detetar alterações neurológicas no curto prazo.
Como as atuais ferramentas utilizadas para medir a progressão da doença a curto prazo não são as ideais, a mensuração da velocidade da marcha pode ajudar a melhorar os resultados finais dos ensaios clínicos que avaliam os novos tratamentos de Ataxia de Friedreichs.
O estudo "Marcha longitudinal e declínio do equilíbrio na Ataxia de Friedreichs: Um estudo piloto" foi publicado na revista “Gait and Posture” (Marcha e Postura).
Atualmente, a progressão da doença em pacientes com Ataxia de Friedreichs é avaliada usando três escalas de avaliação: a Escala de Classificação da Ataxia de Friedreichs (FARS), a Escala de Avaliação e Classificação da Ataxia (SARA) e a Escala de Classificação Internacional Co-Operativa da Ataxia (ICARS).
Embora essas ferramentas sejam confiáveis, investigadores do Centro de Pesquisa da Ataxia da Universidade do Sul da Flórida sugerem que estas podem não ser as ideais para detetar mudanças de curto prazo, particularmente ao nível da marcha e do equilíbrio.
A equipa de pesquisa elaborou um estudo-piloto para avaliar dois tipos de ferramentas específicas para a avaliação da marcha e do equilíbrio. Estas ferramentas foram comparadas com as FARS de oito pacientes com Ataxia de Friedreichs e com oito pessoas saudáveis.
Os participantes do estudo foram acompanhados durante dois anos. Foram avaliados através do sistema “Walkway GAITRite” (passadeira que transmite dados para um computador) e do sistema “Biodex Balance” (balança que transmite dados para um computador), bem como através dos resultados obtidos nas FARS no início do estudo e após 6, 12 e 24 meses.
A velocidade de marcha durante a caminhada normal diminuiu 8% após 12 meses e 24,1% após 24 meses. Enquanto isso, a velocidade da marcha, durante a caminhada rápida, diminuiu 13,9% após 12 meses e 30,3% após 24 meses. A equipa de pesquisa observou, igualmente, um declínio em outros aspetos da marcha.
Ao longo dos 24 meses que durou o ensaio, os participantes também apresentaram uma diminuição no equilíbrio. Durante este tempo, os pacientes tiveram um aumento de 17,7% nos resultados dos exames neurológicos FARS. Os participantes saudáveis não manifestaram alterações na marcha ou equilíbrio durante o estudo.
As análises mostraram a existência de uma correlação entre vários aspetos das medidas de marcha e equilíbrio e os resultados obtidos nos testes neurológicos FARS. Várias pontuações obtidas em subsecções das FARS foram associadas aos parâmetros da marcha e do equilíbrio.
Embora os investigadores admitam que mais estudos são necessários para validar o uso da marcha e equilíbrio como medidas específicas para detetar pequenas alterações na função neurológica, sugerem que a velocidade da marcha pode ser um fator chave na deteção da progressão da doença, nomeadamente em pessoas com Ataxia de Friedreichs.


Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras