2 de maio de 2017

Europa aposta forte na computação

O i inicia hoje a publicação de uma coluna semanal de docentes do Instituto Superior Técnico sobre temas da actualidade de Ciência e Tecnologia. Começa hoje o presidente do Técnico

Numa declaração assinada no passado mês de Março, integrada nas comemorações dos 60 anos do tratado de Roma, sete países europeus, entre os quais Portugal, assinaram uma declaração que define como objectivo que a União Europeia venha a ter dois dos supercomputadores mais poderosos do mundo em 2023.

Os supercomputadores são usados, principalmente, para simular sistemas físicos complexos e para processar grandes volumes de informação. Investigadores do IST, assim como de outras universidades portuguesas, têm utilizado regularmente alguns dos grandes supercomputadores mundiais para estudar diversos fenómenos físicos de grande importância científica. Entre os fenómenos estudados estão a simulação de ondas gravíticas (previstas por Einstein e só recentemente detectadas), a interação entre plasmas e lasers (com muitas aplicações em energia e saúde), o comportamento de sais em estado líquido (importantes para a tecnologia de baterias), o estudo do escoamento de fluidos turbulentos (com aplicações no projecto de veículos) e a análise dos resultados das colisões de partículas efectuadas no CERN (que levou à descoberta do Bosão de Higgs).

Estas actividades dos cientistas portugueses justificam a razão pela qual Portugal foi um dos sete países a assinar a declaração, em conjunto com a Alemanha, França, Itália, Espanha, Holanda e Luxemburgo. Atualmente, nenhum dos dez computadores mais poderosos do mundo está em países da União Europeia, embora um deles esteja na Suíça. Os outros nove estão na China, Estados Unidos e Japão. A iniciativa europeia em computação de elevado desempenho (High Performance Computing) pretende recolocar a União Europeia no grupo de países que controla os computadores mais poderosos do mundo desenvolvendo, até 2023, dois supercomputadores (exascale machines), mais de dez vezes mais poderosos que os atualmente existentes, cada um deles com a capacidade de executar um trilião de operações por segundo, ou seja, 10 elevado a 18 (um 1 seguido de 18 zeros) operações por segundo.

Para além das aplicações científicas, os supercomputadores permitem que empresas e instituições possam inovar de forma mais competitiva, projectando sistemas mais eficientes, seguros e eficazes. As aplicações da supercomputação são muitos vastas, e incluem a simulação de modelos climáticos, a observação da Terra, o projecto de novos veículos energeticamente eficientes, a simulação de novas formas de produzir energia e o estudo e projecto de novos materiais.

Uma das aplicações mais desafiantes é a modelação e simulação do funcionamento do cérebro humano. Num projecto europeu em curso, de grande dimensão, o Human Brain Project (em que Portugal também participa), pretende-se exactamente modelar e simular, com precisão, partes significativas de cérebros animais e humanos, o que permitirá ajudar a perceber como se desenvolvem as doenças neurodegenerativas. Subsistemas com mais de uma dezena de milhar de neurónios foram já simulados neste projecto, usando para tal o supercomputador que existe na Suíça. Estima-se que o cérebro humano tenha aproximadamente 100 mil milhões de neurónios, cada um deles ligado a milhares de outros neurónios, através de sinapses. O número de sinapses num cérebro humano é assim estimado ser da ordem dos 1000 biliões, aproximadamente um 1 seguido de 15 zeros. É usual, por isso, dizer-se que o cérebro humano é tão complexo que nunca poderá ser compreendido. Porém, uma máquina exascale poderá usar mais de 1000 operações por segundo para simular cada sinapse dum cérebro humano, o que significa que terá, em princípio, capacidade suficiente para fazer a simulação em tempo real, usando modelos adequados. Porém, passarão ainda muitos anos até que possamos ter modelos suficientemente precisos do cérebro humano para que tal simulação possa ser fidedigna e útil para a ciência.

Professor do Departamento de Eng. Informática do IST


Presidente do Instituto Superior Técnico

Fonte: https://ionline.sapo.pt/artigo/560996/-europa-aposta-forte-na-computacao

Doença rara - Siringomielia e Síndrome de Arnold-Chiari - Campanha Vamos Salvar o Rui Canosa



“Vamos Salvar o Rui Canosa” é o apelo da campanha de recolha de fundos lançada nas redes sociais para ajudar a suportar as despesas de uma cirurgia a Rui Canosa, portador de uma doença rara, chamada Siringomielia e Síndrome de Arnold-Chiari, doenças que destroem a espinal medula, e que levam a uma morte súbita.
“Se não fizer esta cirurgia vou acabar por morrer, lentamente, numa cama em casa, a saber que aqui no país vizinho posso salvar a minha vida”, refere Rui Canosa no pedido de ajuda que lançou na sua página de facebook.
A cirurgia surge na sequência de uma consulta realizada a Rui Canosa, no mês passado, no Instituto Chiari & Siringomielia & Escoliose, em Barcelona e para a qual havia sido, igualmente, lançada uma campanha de recolha de fundos.
A campanha agora em marcha pretende reunir 22 mil euros. Cerca de 20 mil para a cirurgia e o restante para ajudar a suportar as despesas de deslocação, estadia e alimentação.
Rui Canosa tem 46 anos, vive em Viana do Castelo. Há 25 anos sofreu um acidente de viação que o colocou numa cadeira de rodas.
“A doença encontrava-se estável há cerca de 15 anos mas piorou recentemente, deixando a perna direita paralisada”, afirma no apelo que lançou na sua página de facebook este designer gráfico, desempregado e com uma reforma de 215 euros.

NIB: 003508520015249530006

IBAN: PT50003508520015249530006

Fonte da noticia: Radio Alto Minho (Portugal)
http://radioaltominho.pt/noticias/14558/#prettyphoto[group]/2/

Contactos Rui Canosa:


A FDA acaba de aprovar uma das drogas mais caras do mundo

Bem-vindo ao mais recente escândalo de preço de medicamentos: um tratamento para uma doença rara com um preço de tabela de mais de 700.000 dólares por ano.
A Administração de Alimentos e Drogas (FDA, em inglês), na quinta-feira, deu a sua luz verde para o medicamento, BioMarin Pharmaceutical Inc. (bmrn) Brineura. É o primeiro medicamento aprovado para uma forma da doença de Batten, uma desordem genética rara que devasta o sistema nervoso e pode causar sintomas variando desde a apreensão para dificultar a coordenação dos músculos à perda de visão. Pode afetar tanto adultos como crianças; o Brineura é aprovado para crianças com pelo menos três anos de idade.

O triunfo regulador da BioMarin é uma boa notícia para os pacientes, considerando a escassez de tratamentos disponíveis para a doença Batten. Mas o preço de tabela anual de 702.000 dólares - enquanto muito mais do que os pacientes realmente pagam depois dos descontos, abatimentos e programas de assistência ao paciente - só aumentará a controvérsia em torno dos elevados preços dos medicamentos para doenças raras.
Acredite ou não, o Brineura nem é o medicamento mais caro por aí. Essa distinção vai para a Ravicti Horizon Pharma, que ronda os 793.632 dólares por ano. (Outro concorrente é a terapia de atrofia muscular espinal recentemente aprovada pela Biogen, Spinraza, que custa 750,000 dólares no primeiro ano, mas depois a partir daí desce para 325,000 dólares por ano).
Os fabricantes de medicamentos - especialmente os focados em doenças raras - justificam os elevados preços de tabela, argumentando que é extremamente difícil encontrar tratamentos inovadores que afetam apenas uma fatia da população. Isso torna o processo de ensaio clínico mais embaraçoso e o limitado grupo de pacientes significa que não há um enorme mercado para vender. Basta considerar o exemplo da UniQure, cuja terapia genética de mais de 1 milhão de dólares está a ser posta de parte porque quase não teve vendas em cinco anos.

Mas embora os pacientes não tenham que pagar os preços de tabela por inteiro, as seguradoras e os administradores dos lucros têm que recolher uma parcela robusta da marcação, o que pode eventualmente ter um efeito devastador nos consumidores. E as empresas farmacêuticas concentradas na desordem rara também podem colher benefícios financeiros através do programa Orphan Drug da FDA. Na realidade, a BioMarin está a receber um cobiçado voucher de avaliação prioritária de doenças pediátricas juntamente com a aprovação do Brineura. A empresa pode usar isso para acelerar o processo de aprovação de uma terapia experimental diferente a todos os níveis ou vendê-lo por, potencialmente, centenas de milhões de dólares a outra empresa.

Tradução para APAHE: Luz Couto

Fonte da noticia: http://trueviralnews.com/the-fda-just-approved-one-of-the-most-expensive-drugs-in-the-world/