15 de abril de 2017

Nova Frente de Pesquisa para Atacar a Ataxia de Friedreich


A IRB Barcelona inicia um projeto a longo prazo com o objetivo de alcançar um tratamento injetável de frataxina capaz de chegar ao cérebro.

A Frataxina é uma proteína que é reduzida em pessoas infectadas por esta doença rara e degenerativa, que não tem cura.

As associações de pacientes, Babel Family e ASOGAF em Granada fornecem os fundos monetários para os primeiros 18 meses deste desafio.

As associações de pacientes e famílias Babel Family e a Asociación Granadina de la Ataxia de Friedreich (ASOGAF) canalizam 80,000euros das suas doações (50% de cada organização) para um novo projeto de 18 meses, no Institute for Research in Biomedicine (IRB Barcelona). Este projeto destina-se especificamente a completar o passo necessário para avançar para o futuro da substituição da terapia de frataxina para o cérebro, onde a redução desta proteína causa mais estragos em pacientes com a Ataxia de Friedreich

Este estudo é dirigido por Ernest Giralt, chefe do laboratório Peptides and Proteins, que tem vários anos de experiencia e é um especialista reconhecido em química de peptídeos e de novos sistemas pelo qual se leva medicamentos para o cérebro, como as lançadeiras de peptídeos que são moléculas que tem capacidade de levar medicamentos através da barreira que envolve e protege o cérebro. Desde que o laboratório iniciou esta relação com estas associações de pacientes em 2013, foram desenvolvidos mais dois projetos sobre a Ataxia de Friedreich.

Características da Ataxia de Friedreich
A Ataxia de Friedreich é uma doença hereditária e degenerativa que causa lesões progressivas no sistema nervoso, prejudicando a coordenação de movimento e causando fraqueza nos músculos, problemas da fala, e doenças do coração. Esta doença normalmente aparece entre os 5 e 25 anos de idade.

“Infelizmente, não há tratamentos eficientes para o sistema nervoso central de esta doença, nem para outras doenças como Alzheimer e Parkinson. Conseguir fazer chegar medicamentos ao cérebro, continua a ser um desafio, mas estamos esperançosos que uma cura irá eventualmente ser descoberta. Acreditamos que a lançadeira de peptídeos, desenvolvido pelos pesquisadores da IRB Barcelona tem um potencial enorme, embora estejamos conscientes que existem muitos obstáculos para superar ao longo do caminho. Consideramos estas moléculas como sendo um bom ponto de partida,” diz Maria Luz González, e a Teresa Gilabert, porta-vozes das associações Babel Family e ASOGAF, respetivamente,

Duas em cada 10,000 de pessoas são afetadas pela Ataxia de Friedreich, e esta doença só atinge pessoas de origem europeia (Caucasianos). A Espanha regista o número maior de incidentes, com uma estimação de 4.6 casos em 100,000 da população. Esta doença é causada por um defeito num gene, nomeadamente frataxina, que resulta nos níveis reduzidos desta proteína no corpo, que afetam parcialmente o cérebro, a medula espinhal e os músculos.

A Segunda de Quatro Fases
A meta a longo prazo deste projeto é de desenvolver uma terapia de frataxina que chegue ao cérebro – como as injeções de insulina para diabéticos. Além de Ernest Giralt, a equipa é composta pelos cientistas Meritxell Teixidó e Macarena Sanchéz. “As nossas lançadeiras de peptídeo conseguem atravessar a barreira hematoencefálica, atingem o sistema nervoso central, e não tem demostrado sinais de toxicidade em estudos preliminares até á data. O desafio nos próximos meses é de anexar a frataxina à lançadeira para poder transportar o medicamento através da barreira hematoencefálica  para testar sua capacidade em modelos de células,” explica Meritxell Teixidó, pesquisadora associada na IRB Barcelona e chefe da equipa de pesquisa.

Graças ao projeto fundado pela RecerCaixa Programme desde 2015,os cientistas agora são capazes de produzir frataxina em bactérias. “Este foi o primeiro passo para conseguir prever este segundo projeto, após o qual haverá mais duas fases antes de podermos de falar em sucesso,” diz Ernest Giralt. A frataxina tem de atravessar a barreira hematoencefalica, mas também a membrana plasmática de células, depois do qual deve de entrar na mitocôndria – os organelos onde exerce seu efeito. “Não iremos enfrentar estas duas fases agora,” explica Giralt.

Neste projeto, a IRB Barcelona vai explorar o envio da proteína inteira de fraxatina e os seus fragmentos. A equipa explica por que essa abordagem será tomada. Por um lado, os custos da produção de fragmentos de fraxatina irão ser muito mais baixos do que os custos associados a proteína inteira. Por outro lado, os avanços nos conhecimentos sobre os mecanismos de acção desta proteína são esperados, que vai permitir identificar as regiões da proteína que são essenciais para sua atividade no que diz respeito a Ataxia de Friedreich, assim abrindo caminho para o uso terapêutico de fragmentos da proteína.

“Considero que é viável para alcançar, a longo prazo, um tratamento porque não estamos a trabalhar sozinhos. Embora apenas um pequeno numero, outros grupos em todo mundo estão a abordar esta doença e estão a partilhar os seus conhecimentos, este esforço coletivo irá favorecer as possibilidades deste tratamento ou de outras opções de terapêuticas. Não sabemos onde vamos descobrir o tratamento, mas estamos otimistas que vamos encontra-lo,” diz Giralt.


Maria Luz Gonzalez, de Babel Family, conclui que “é crucial – especialmente no caso das doenças raras – que as associações de pacientes canalizem fundos para a pesquisa e para aumentar a consciência do público sobre esta condição, afinal somos todos vítimas potenciais. Alem disso, este projeto não beneficia só a Ataxia de Friedreich. A pesquisa na saúde é do interesse de toda a gente.” diz Teresa Gilabert, da ASOGAF, acrescenta que: “ promover e colaborar com um projeto de pesquisa motiva-nos a continuar a lutar.”

Fonte da Noticia: https://www.irbbarcelona.org/en/news/new-research-front-to-tackle-friedreichs-ataxia

Tradução para APAHE: Alexandra Leal