23 de janeiro de 2017

Investigadores desenvolvem nova maneira de medir a função mitocondrial no músculo

Investigadores americanos descobriram uma nova maneira não invasiva de medir a função mitocondrial no músculo-esquelético humano, um desenvolvimento que poderia ajudar aqueles com ataxia de Friedreich (AF) e outras doenças. 

O funcionamento aberrante das mitocôndrias, componentes celulares que convertem os alimentos em energia, é uma marca registrada desses distúrbios. 

A equipe da Universidade Estatal do Ohio (EUA), da Universidade da Pensilvânia (EUA) e do Instituto Nacional de Envelhecimento (EUA) produziu um vídeo da sua abordagem para o JoVE Video Journal. 

JoVE é o primeiro jornal de vídeo revisto por pares de todo o mundo. As suas demonstrações de experiências dão aos investigadores uma maneira confiável de replicar técnicas complexas. 

O vídeo mostra como fazer um exame de espectroscopia de ressonância magnética de fósforo (31PMRS) da função mitocondrial do músculo-esquelético. A equipa notou que a abordagem pode ser usada in vivo - isto é, com uma pessoa viva - e ser repetida. 

A abordagem é particularmente atraente porque uma grande quantidade de investigação é necessária para diminuir a carga crescente da síndrome metabólica em todo o mundo. A síndrome metabólica é uma combinação de pressão arterial elevada, níveis elevados de açúcar no sangue, muita gordura abdominal e outros fatores que aumentam o risco de doenças cardíacas e diabetes. 


Outro benefício da abordagem de medição mitocondrial dos investigadores é que precisa de uma quantidade mínima de tempo de scanner e pode ser usado em investigações metabólicas de pacientes em qualquer centro com instalações de 31PMRS. 

"São fundamentais métodos confiáveis ​​para definir adequadamente a função do músculo-esquelético in vivo de uma forma viável, rentável e reproduzível para melhorar os resultados para indivíduos com uma gama de doenças que afetam a função mitocondrial", disse a Dra. Subha Raman, investigadora principal da experiência, num comunicado à imprensa. "Ao publicar no JoVE Video Journalnossa equipa de investigação apresenta um protocolo que qualquer investigador pode replicar e usar com segurança para testar novas ideias para melhorar a função mitocondrial em pacientes". 

A abordagem ainda não foi amplamente adotada porque as variações na metodologia e a orientação escrita limitada têm posto obstáculos à sua padronização. 

O objetivo do vídeo foi padronizar e otimizar o uso de 31PMRS in vivo como uma ferramenta para desenvolver terapias para melhorar a capacidade de fosforilação oxidativa mitocondrial do músculo-esquelético (OXPHOS). 

A capacidade OXPHOS é a capacidade respiratória das mitocôndrias. Mais capacidade OXPHOS pode melhorar a saúde metabólica e cardiovascular. 

O projeto de investigação foi financiado pelo Prémio Trifit do Instituo de Investigação do Coração e Pulmão Davis da Universidade Estatal do Ohio (EUA) e Programa de Investigação Intramural do Instituto Nacional de Saúde (EUA). 


(artigo traduzido) 


Estudo conclui que os testes de equilíbrio são cruciais na avaliação de pacientes com ataxia de Friedreich


Os sintomas neurológicos mais evidentes da ataxia de Friedreich são o movimento mal coordenado, distúrbios da marcha e tonturas, confirmou um estudo publicado na revista International Archives of Otorhinolaryngology, o que implica que as mudanças no sistema vestibular que governam o equilíbrio também incomodam a grande maioria dos pacientes. 

O teste vestibular é, por essa razão, importante porque os sintomas otoneurológicos, ou aqueles associados às porções do sistema nervoso relacionadas com o ouvido, ocorrem precocemente na doença. Esta informação poderia ajudar os médicos no acompanhamento de pacientes com ataxia de Friedreich. 

Para estudar os distúrbios vestibulares em pessoas com ataxia de Friedreich, uma equipa de investigadores liderada pelo Dr. Hélio Afonso Ghizoni Teive, do Departamento de Medicina Interna do Hospital das Clínicas de Curitiba (Brasil), analisou 30 pacientes com idade entre 6 e 72 anos. Recolheu-se o historial médico dos pacientes e foram submetidos a verificações do ouvido, nariz e garganta, bem como avaliações vestibulares, que avaliaa função do equilíbrio no ouvido interno. 

Os resultados mostraram que 66,7% destes pacientes tinham dificuldades de movimento, 56,7% tinham distúrbios na marcha e 50% tinham tonturas. 

O teste vestibular consistiu em testes de calor, nos quais o canal auditivo externo é submetido a ar frio ou quente para detetar as assimetrias no sistema de equilíbrio; Teste do nistagmo do olhar, que avalia o movimento involuntário do olho; Teste da cadeira rotativa; E teste do nistagmo optocinético, ou movimento dos olhos enquanto rastreiam um campo em movimento. 

Foram observadas alterações problemáticas em 90% dos pacientes em todos os testes, com a maioria ocorrendo em pacientes com disfunção vestibular central. Mais precisamente, 73,4% dos pacientes apresentaram alterações no teste de calor, 50,1% apresentaram anomalias no teste do nistagmo do olhar, 36,7% apresentaram distúrbios no teste da cadeira rotativa e 33,4% apresentaram distúrbios no teste do nistagmo optocinético. 

"O estudo enfatiza a importância da avaliação vestibular para o diagnóstico de doenças neurodegenerativas, uma vez que, na maioria dos casos, os sintomas otoneurológicos se apresentam precocemente e essa informação pode auxiliar na escolha dos procedimentos a serem realizados na monitorização clínica e terapêutica" escreveram Teive e os seus colegas no relatório, intitulado "Anomalias otoneurológicas em pacientes com ataxia de Friedreich". 

A ataxia de Friedreich é uma doença neurodegenerativa autossómica recessiva. Os sintomas mais comuns incluem movimentos involuntários dos membros, mas nistagmo, movimentos oculares involuntários e, em alguns casos, perda auditiva também é comum. 


(artigo traduzido)