20 de abril de 2017

A identificação das mudanças estruturais do Cerebelo pode servir como Biomarcadores para a investigação da Ataxia, tal como afirma o estudo realizado por investigadores em Itália


Investigadores da Fundação de Santa Luzia, IRCCS, em Itália, descobriram que a atrofia cerebelar pode afetar as estruturas do cérebro relacionadas com as emoções, com o pensamento e com a memória, alterações essas que podem, em parte, explicar os sintomas da ataxia. Os resultados sugerem que a identificação de alterações estruturais no cerebelo, feita através da imagiologia, pode ajudar a detetar quer a degeneração cerebelar quer a ataxia.

Estas observações, constantes da sua investigação “O impacto da atrofia cerebelar na massa cinzenta cortical e nos pedúnculos cerebelares, avaliada por meio de técnicas de morfometria geométrica em três dimensões e por imagens de difusão de alta resolução angular” foram publicadas no Jornal Functional Neurology.

O cerebelo é a região do cérebro que controla os movimentos e todas as tarefas motoras. Recentemente, os cientistas perceberam que o cerebelo também está envolvido no processo cognitivo e na geração de emoções, embora não seja ainda claro como é que esta região estará ligada a essas funções cerebrais. A atrofia cerebelar pode afetar todas as regiões ligadas ao cerebelo. Nesse sentido, estudar a estrutura cerebral dos pacientes com esta condição pode elucidar sobre a conexão estrutural e funcional do cerebelo com o resto do cérebro.

No estudo, os seus autores avaliaram a ocorrência de alterações estruturais no cérebro devidas a degeneração cerebelar num grupo de sete pacientes com ataxia cerebelar – dois com atrofia espinocerebelar Tipo2, um com ataxia de Friedreich e quatro com ataxia cerebelar idiopática.

Utilizando técnicas de imagiologia e análises estruturais, observaram que diferentes regiões do cérebro - o núcleo caudado o giro cingulado e o córtex órbito-frontal – dos pacientes em questão, apresentavam uma diminuição simétrica do volume da massa cinzenta, face aos valores de pacientes saudáveis.

Juntamente com o cerebelo, a região do núcleo caudado está relacionada com os movimentos voluntários. O giro cingulado está envolvido no controle emocional, na recuperação da memória e no conhecimento em geral, enquanto que o córtex orbito-frontal está relacionado com a atividade cerebelar. As observações efetuadas sugeriram a existência de uma possível conexão funcional entre o cerebelo e as três regiões cerebrais.

“Ao comparar pacientes que apresentam atrofia cerebelar geral com pacientes saudáveis, foi possível investigar quais as regiões cerebrais afetadas pela sua atrofia cerebelar”, afirmaram os investigadores.

A Ressonância Magnética de Imagem de Difusão (dMRI) é uma técnica não-invasiva que mapeia um tecido baseada na capacidade de uma molécula da água de viajar nesse tecido. Os investigadores encontraram uma correlação entre os valores dMRI de uma região do cerebelo- o pedúnculo médio cerebelar- e o resultado geral obtido na escala de avaliação da ataxia, bem como em alguns itens da mesma, como a funções cinéticas e as desordens do movimento ocular.

Especificamente, os pacientes com baixos valores dMRI obtinham pontuações mais altas na escala de avaliação da ataxia, enquanto que os pacientes com valores altos de dMRI obtinham pontuações mais baixas na escala de avaliação da ataxia, sugerindo que o dMRI pode ser um biomarcador útil para a degeneração cerebelar e para a ataxia.

Tradução para APAHE por: Bárbara Cerdeiras