6 de março de 2017

Estudo sugere que a flexibilidade de pensamento seja debilitada em pacientes com ataxia de Friedreich



A flexibilidade de pensamento é debilitada em pessoas com ataxia de Friedreich (AF), incluindo a capacidade de prever e suprimir uma resposta verbal, de acordo com uma nova investigação. 

O estudo“Medindo a flexibilidade cognitiva e a inibição na ataxia de Friedreichfoi publicado na revista The Cerebellum. 

Curiosamente, estas anomalias não parecem estar associadas às características clínicas da doença, tais como idade de início, duração, características genéticas e as pontuações que os pacientes obtiveram na Tabela da Avaliação da Ataxia de Friedreich, que mede a gravidade da doença. 

Estas observações sugerem que as anomalias na flexibilidade de pensamento podem não estar relacionadas com a doença de uma forma direta. 

Trabalhos anteriores demonstraram que a AF tem um impacto sutil na capacidade de pensar dos pacientes. No entanto, ainda falta uma ferramenta clinicamente relevante para medir as mudanças na cognição em pacientes com ataxia de Friedreich. Tal ferramenta seria inestimável na medição da resposta dos pacientes a medicamentos ou outras intervenções em ensaios clínicos. 

Investigadores liderados pelo Prof. Martin Delatycki no Instituto de Investigação Infantil Murdoch, na Austrália, examinaram a flexibilidade de pensamento e a capacidade de suprimir uma resposta previsível em 43 pessoas com ataxia de Friedreich e 42 controlos saudáveis, ​​usando três testes diferentes. Estes foram o Teste de Concluir uma Frase (HSCT), o Teste da Pontuação (TMT) e o Teste de Stroop (ST). 

O HSCT é composto por duas partes, que avaliam a resposta verbal e a supressão da resposta. Para ambas as partes os investigadores leram 15 frases em voz alta e pediram aos participantes para concluir a frase com uma palavra lógica (parte A) ou com a palavra que não se encaixava com o resto da frase (parte B). 

No TMT, os participantes foram convidados a desenhar uma linha sequencial dos números 1 a 25, e entre números sequenciais e letras o mais rápido possível. 

O ST avalia a capacidade de uma pessoa para separar a leitura de uma palavra de cor de nomear a cor real. Os nomes das cores foram escritos usando letras de outra cor. Os participantes foram convidados a nomear a cor das letras em vez de ler as palavras. 

Embora não houvesse diferenças significativas no TMT e no ST entre as pessoas com ataxia de Friedreich e controlos saudáveis, o HSCT mostrou que a capacidade dos pacientes com AF para predizer e suprimir uma resposta foi significativamente debilitada. 

Os investigadores concluíram que o HSCT pode ser um método sensível de medição de problemas de pensamento em pacientes com AF e um teste útil em ensaios clínicos. 

"Os indicadores de capacidade de supressão da resposta ou flexibilidade cognitiva não foram significativamente relacionados com as características clínicas da [ataxia de Friedreich], sugerindo que, embora significativa, a deficiência não se relaciona com o processo da doença de uma maneira simples", concluíram os autores. 


(artigo traduzido)