7 de dezembro de 2016

Cientistas descobrem mecanismo que pode ajudar a restaurar a frataxina na ataxia de Friedrich



Restaurar a produção normal da frataxina, a proteína ausente na ataxia de Friedrich (AF), pode tornar-se possível no futuro, de acordo com a investigação recentemente publicada na revista PLoS One. 
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O estudo intitula-se "Perturbação de estruturas de ADN de ordem superior na ataxia de Friedreich (GAA) e repetições através de visar o PNA ou LNAe foi conduzido por Helen Bergquist, do Instituto Karolinska na Suécia, e colegas de outros institutos internacionais de investigação. 

A ataxia de Friedrich é uma doença neurodegenerativa pediátrica incurável que deriva de uma mutação na proteína frataxina (causada por repetições de uma sequência de ADN conhecida como expansão repetida GAA), o que prejudica a expressão normal desta proteína. 

Estas expansões causam uma redução substancial nos níveis de proteína frataxina e várias consequências a nível celular. Além disso, os baixos níveis de frataxina são responsáveis ​​por várias manifestações clínicas, como ataxia, fraqueza muscular, sensibilidade anómala dos membros, várias alterações na estrutura de certas regiões cerebrais, como o cerebelo, e diminuição da esperança de vida. 

A presença de expansões de repetição GAA bloqueia a produção de frataxina devido à formação de estruturas anómalas de ADN próximas do seu gene. Os investigadores colocaram a hipótese de se certas moléculas poderiam destruir essas estruturas de ADN, abrindo assim a possibilidade de desenvolver novas estratégias visando restaurar a produção adequada de frataxina. 

Bergquist e os seus colegas usaram dois tipos de moléculas para direcionar essas estruturas de ADN, chamadas PNAs e LNAs. Os PNAs e os LNAs são imitadores de ADN e ARN, respetivamente, que se podem ligar a uma sequência complementar de ADN ou ARN com resistência elevada e especificidade. Ambos os tipos de moléculas têm a capacidade de invadir o ADN e ligam-se a uma sequência específica. 

Os investigadores projetaram PNAs (ácido nucleico peptídico) e LNAs (ácido nucleico bloqueado) que pudessem reconhecer as repetições GAA no gene da frataxina e interromper as estruturas de ADN associadas. Observaram que ambos os tipos de moléculas poderiam atingir com êxito as repetições GAA anómalas, bem como alterar e resolver as estruturas de ADN que bloqueiam a produção de frataxina. 

Os autores concluíram: "Os nossos resultados sugerem que visar o ADN ... em repetições expandidas [GAA] pode ser empregue para examinar o possível papel de estruturas de ADN [anómalas] no silenciamento do gene [frataxina] e potencialmente aplicada para desenvolver novaestratégias terapêuticas [ADN ou ARN] na doença ataxia de Friedreich." 


(artigo traduzido) 


Densidade mineral óssea em pacientes com esclerose múltipla, ataxia hereditária ou paraplegia espástica hereditária após pelo menos 10 anos de doença


Cecilia Smith Simonsen, Elisabeth Gulowsen CeliusCathrine Brunborg, Chantal Tallaksen, Erik Fink EriksenTrygve Holmøy e Stine Marit Moen 


RESUMO 
Antecedentes 
Embora a incapacidade seja considerada a principal causa da baixa densidade mineral óssea (DMO) na esclerose múltipla (EM), outros fatores relacionados com o processo da doença ou tratamento também poderiam estar envolvidos. O objetivo deste estudo foi avaliar se os pacientes com EM são mais propensos a desenvolver baixa DMO (osteopenia ou osteoporose) do que os pacientes com as doenças neurológicas não inflamatórias Paraplegia Espástica Hereditária (PEH) e Ataxia Hereditária (AH). 
Métodos 
Realizámos um estudo comparando a DMO (coluna vertebral, anca e corpo total) e medidas bioquímicas do metabolismo ósseo em 91 pacientes com EM e 77 com PEH ou AH, combinados por idade, sexo e incapacidade. Ambos os grupos de pacientes tinham vivido com a doença há pelo menos 10 anos. 
Resultados 
No total, 74,7% dos pacientes com EM e 75,3% dos pacientes com PEH ou AH apresentaram osteopenia (-2,5 com EM do que com PEH/AH (44,0 vs 20,8%, p = 0,001). Esta diferença não foi significativa após a correção dos fatores de confusão (p = 0,07), nem foi algum dos marcadores bioquímicos. 
Conclusão 
A maioria dos pacientes com doenças neurológicas incapacitantes como a EM e PEH/AH desenvolve osteopenia ou osteoporose. Os pacientes com EM apresentavam osteoporose mais frequentemente do que os pacientes com AH/PEH, embora a diferença não fosse significativa após o ajuste para os fatores de confusão. A osteoporose e a saúde óssea devem ser consideradas em todos os pacientes com doenças inflamatórias e neurológicas crónicas degenerativas. 


(artigo traduzido)