9 de agosto de 2016

Células estaminais do próprio paciente para curar a Ataxia de Machado-Joseph (SCA3)


A doença de Machado-Joseph de Açores (DMJ), também conhecida como ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3), é uma doença hereditária rara dominante autossómica, neurodegenerativa que causa ataxia cerebelosa progressiva, os sintomas são causados ​​por uma mutação genética que resulta em uma expansão das repetições anómalas "CAG" de trinucleotídeos no gene ATXN3  



Uma investigadora da Universidade de Coimbra (Portugal), Liliana Mendonça, irá desenvolver durante o próximo ano um projeto para conter a doença de Machado-Joseph usando células estaminais do paciente, que seriam tratadas antes de as implantar no cerebelo. 

Esta doença hereditária e neurodegenerativa, que até agora não tem cura, causa atrofia muscular e incoordenação motora, motivo pelo qual Mendonça irá desenvolver, durante um ano, um projeto-piloto com ratos para tentar criar "neuroprotetores". 

Ela, natural das Caldas da Rainha, explicou à EFE que a ideia é "extrair células estaminais a partir da área da derme do paciente para reprogramar e depois transplantar para o cerebelo do paciente." 

Funciona em ratos, criaram-se células estaminais que desencadeiam mecanismos para reduzir a perda neuronal que se desenvolve com esta doença degenerativa e é classificada como uma chamada "doença rara". 

Portugal é o país, do mundo, mais afetado por este tipo de doença e o nome da doença, Machado-Joseph, vem das duas primeiras famílias nativas dos Açores - Portugal, que foram diagnosticadas com a doença na década de 1970. 

A prevalência mais elevada desta doença no mundo, uma pessoa para cada 140, é na pequena ilha das Flores, parte do arquipélago português dos Açores, no Atlântico. 

Esta doença pode ocorrer em três períodos cruciais: entre os 10 e os 30 anos, com uma evolução rápida e rigidez muscular grave; entre os 20 e os 50 anos, com uma evolução um pouco mais lenta; e entre os 40 e os 70 anos, quando o progresso da doença é mais lento. 



Liliana Mendonça disse à agência EFE que, se os testes com os ratos forem satisfatórios, dentro de dez anosembora seja difícil estimar o tempo" precisou -, poderia aplicar-se em pessoas doentes. 

Esta doença também é chamado de ataxia "espinocerebelosa", o que significa falta de controlo muscular. 

Imperícia e fraqueza nos braços e pernas, levando a uma marcha debilitante no paciente, são os sintomas que a caracterizam. 

Mesmo em alguns pacientes foram vistos sentido sintomas similares aos da doença de Parkinson, tiques no rosto e língua ou contrações musculares ou posturas rigidez que causem sintomas incomuns. 

A investigadora conseguiu sufragar a investigação, que irá começar em breve através da Associação Francesa contra Miopatias, que irá fornecer um total de 49.000 euros. 

De acordo com um comunicado divulgado pela Universidade de Coimbra, este projeto também vai conseguir evitar uma possível rejeição de células estaminais do paciente e diferenças éticas que possam surgir a partir da utilização de células estaminais são também eliminadas, já que seriam do próprio afetado. 

A Universidade de Coimbra também destacou o fato de que esta iniciativa é financiada por uma agência internacional, o que prova o "bom trabalho realizado nos últimos anos em termos de qualidade e relevância científica". 


EFE – agência de notícias internacional, fundada em Espanha em 1939.  É a quarta maior agência de notícias do mundo. 


(artigo traduzido) 


Uma terapia genética mediada pelo microARN para a ataxia espinocerebelosa


Um grupo de investigadores da Universidade de Tóquio (Japão) e da Universidade de Chicago (EUA) desenvolveu uma nova terapia genética para a ataxia espinocerebelosa tipo 6 (SCA6). SCA6 é uma doença neurodegenerativa que afeta a função motora nos pacientes. Os investigadores usaram um microARN específico da doença (miARN), um pequeno ARN, para inibir seletivamente a produção de uma proteína associada à doença. 

SCA é uma doença neurodegenerativa caracterizada pela insuficiência progressiva da função motora com a perda de células neuronais no cerebelo. Mais de 40 genes causativos das SCAs foram identificados até à data; no entanto, nenhuma terapia modificadora da doença está atualmente disponível. SCA6, o segundo mais comum tipo de SCA hereditária dominante no Japão, é causada por sequências de repetição expandidas no gene CACNA1A. Embora se pense que o gene CACNA1A codifique o canal de cálcio (αA1) necessário para a atividade das células neuronais, em 2013, um grupo de investigação da Universidade de Chicago informou que, além do αA1, o gene CACNA1A também codifica uma segunda proteína (α1ACT), um fator de transcrição, responsável por regular a expressão do gene e que o α1ACT mutante, em vez do αA1, causa neurodegeneração na SCA6. 

Professor Shin-ichi Muramatsu do Centro de Terapia Genética e Celular, Instituto de Ciências Médicas, da Universidade de Tóquio (Japão), e os seus colaboradores desenvolveram uma nova abordagem terapêutica para SCA6, bloqueando seletivamente a expressão α1ACT. Eles identificaram um miARN que inibe seletivamente a tradução do α1ACT a partir do ARN mensageiro, CACNA1A. Eles usaram um vetor melhorado do vírus adeno-associado (AAV) para entregar eficientemente um miARN específico da doença para dentro das células neuronais em ratos modelo da SCA6. Eles também demonstraram que uma entrega, pelo vetor AAV mediado pelo miARNprotegeu os ratos da deterioração motora e morte das células neuronais no cerebelo. 

"Uma série de relatórios sugeriu recentemente que os miRNAs podem ser uma esperança terapêutica para o tratamento do cancro, doenças metabólicas, e inflamação. Demonstrámos anteriormente que uma entrega por um vetor AAV mediado pelo miARN é eficaz num rato modelo da atrofia muscular espinal e bulbar, um outro tipo de doença neurodegenerativa" diz Muramatsu. Ele continua: "Somos capazes de usar os nossos sistemas de vetores AAV para ter uma transdução generalizada de genes em todo o cérebro e na medula espinhal em macacos e porcos por uma administração intratecal. Nós gostaríamos de aplicar a nossa estratégia nos pacientes com SCA6 em clínicas no futuro próximo." 

Esta investigação foi realizada em colaboração com o Dr. Yu Miyazaki e Professor Christopher M. Gomez, do Departamento de Neurologia da Universidade de Chicago (EUA). 


(artigo traduzido)