13 de março de 2016

Investigadores estudam a terapia da transcrição do ARN para entrega de mARN da frataxina, como terapia potencial para a ataxia de Friedreich

Os cientistas acreditam que a entrega de mARN da frataxina funcional através da terapia de transcrição do ARN (RTT) pode tornar-se uma terapia potencial para os pacientes com ataxia de Friedreich. O estudo, "A entrega intratecal de mARN de frataxina encapsulados em nanopartículas lipídicas à raiz dorsal gânglia como uma terapia potencial para a ataxia de Friedreich", foi publicado na revista Scientific Reports.

A ataxia de Friedreich é uma doença hereditária autossómica recessiva que provoca lesões progressivas no sistema nervoso. Embora seja principalmente uma doença neurodegenerativa, a sua manifestação atinge vários tecidos incluindo o coração e pâncreas. Os sintomas da doença começam geralmente na infância e levam à coordenação muscular prejudicada (ataxia), que se agrava com o tempo, devido à degeneração dos nervos periféricos e medula espinal.

A doença é causada pela expansão no gene FXN, que conduz à diminuição da expressão da proteína frataxina em todos os tipos de células testadas até agora, mas patologia é observada somente em tipos específicos de células, incluindo neurónios selecionados, cardiomiócitos (células do músculo cardíaco), e ilhéus pancreáticos.

A terapia de transcrição do ARN (RTT) é uma nova estratégia onde mARN - ARN mensageiro necessário para a posterior produção proteica - é encapsulado em nanopartículas, e está atualmente a ser testado como uma nova terapia para várias doenças. Estudos preliminares mostraram que, usando RTT, investigadores poderiam salvar um rato modelo de falhanço genético letal e também entregar um mARN que codifica uma proteína terapêutica num modelo animal.

Estes resultados sugerem que a RTT pode potencialmente ser utilizada como uma estratégia de substituição em doenças hereditárias genéticas, tais como ataxia de Friedreich.

Os investigadores exploraram essa possibilidade e realizaram a RTT pela via intravenosa e intratecal (administrada dentro do canal espinhal) entrega de nanopartículas lipídicas de mARN de FXN recombinante humano (hFXN). A equipa mostrou que o mARN hFXN é transcrito com sucesso in vitro e in vivo após administração sistémica.

Além disso, a proteína gerada seguiu o processamento normal para uma proteína FXN madura, funcional. Após a entrega intratecal de mARN hFXN em nanopartículas lipídicas, a equipa detetou proteína FXN humana recombinante em gânglios da raiz dorsal.

Os resultados mostram pela primeira vez que a terapia de transcrição de ARN é uma estratégia potencial para produzir mARN funcional terapêutico, de gânglios da raiz dorsal da medula espinhal para o tratamento da ataxia de Friedreich e outros atrofias musculares espinais.


mARN – ARN mensageiro


(artigo traduzido)