3 de março de 2016

Na trilha de novos tratamentos para a ataxia de Friedreich

A ataxia de Friedreich é uma doença hereditária. É causada por mutações recessivas que causam uma redução drástica nos níveis de frataxina, uma proteína que desempenha um papel chave na formação nos centros de ferro-enxofre, que por sua vez, são essenciais para a função de várias proteínas celulares; incluindo os complexos responsáveis pela produção de energia na mitocôndria.

A deficiência de frataxina causa degeneração de determinados neurónios no cerebelo e medula espinhal. Como resultado, os pacientes com ataxia de Friedreich sentem dificuldades em coordenar os seus movimentos, que vão piorando até que muitos deles se veem na necessidade de usar uma cadeira de rodas.

Os sintomas começam, habitualmente, entre os 5 e os 15 anos, mas pode também ter um início muito mais cedo ou mais tarde. Além disso, os pacientes podem sofrer de problemas não neurológicos, como escoliose, cardiomiopatia ou diabetes. Atualmente, não há uma cura ou tratamento eficaz para a ataxia de Friedreich.

Nos últimos anos, o grupo do Dr. Javier Diaz-Nido, do Centro de Biologia Molecular "Severo Ochoa" (CBMSO), do Centro Conjunto da Universidade Autónoma de Madrid (UAM - Espanha) e do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC); e também pertence ao Instituto de Investigação Sanitária do Hospital "Puerta de Hierro-Majadahonda" (IDIPHIM) concentrou-se em esclarecer a base molecular da neurodegeneração na ataxia de Friedreich, com o objetivo de desenvolver terapias que podem ser eficazes para o seu tratamento.

O BDNF exerce neuroproteção contra a deficiência de frataxina
O fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) é uma proteína segregada, principalmente no sistema nervoso (SN), que estimula a sobrevivência dos neurónios e a função sináptica (a comunicação entre neurónios). Numerosos estudos têm mostrado ter um papel de proteção em alguns modelos de lesão neuronal.

No estudo publicado pela revista Molecular Therapy, que mostra que a transferência do gene que codifica o BDNF para os neurónios é capaz de prevenir a morte neuronal em culturas de células em que é induzida a deficiência de frataxina.

Também foi observado esse efeito neuroprotetor do BDNF in vivo: "Quando a deficiência de frataxina no cerebelo de ratos é induzida, é observada a morte e atrofia de diferentes tipos de neurónios; e, como resultado, os ratos sofrem uma diminuição significativa na sua capacidade de coordenar os seus movimentos. Todas estas alterações patológicas são impedidas pela transferência do gene que codifica o BDNF" explica Javier Diaz-Nido.

Embora seja um trabalho de investigação básica com um modelo animal, este estudo sugere novos caminhos para a intervenção terapêutica para a ataxia de Friedreich, tanto com base na terapia com genes neurotrófico como na base na utilização de fármacos que imitam a ação desses fatores.


(artigo traduzido)