2 de março de 2016

Cristina Martinez (CRISPI) “O primeiro diagnóstico que me fizeram é que tinha ciúmes das minhas irmãs”

Cristina Martinez acostumou-se a ultrapassar obstáculos. A vida não tem sido fácil, especialmente desde que, com 17 anos de idade, foi-lhe diagnosticada ataxia. É uma doença hereditária que causa danos ao sistema nervoso resultando em problemas de coordenação, fala arrastada, fraqueza muscular e mesmo, em alguns casos, problemas cardíacos. Embora tenha demorado 17 anos a descobrir-se, Cristina estava sempre doente. Até então ela pensava que era apenas menos hábil que os demais.

Mas tudo mudou quando ela começou a ter dificuldade em andar, até que um dia caiu. Os médicos não sabiam muito bem o que se passava. Na verdade, um deles veio a fazer um diagnóstico que ficou preso como um punhal no coração de Cristina. "Ele disse-me que estava com ciúmes das minhas irmãs e que era eu que provocava os sintomas", ela lembra. Outro médico disse que era um tumor. Mas tudo ficou claro quando ela passou pelas mãos de um neurocirurgião que a levou a Madrid (Espanha) e descobriram o problema: ataxia. "E o que é isso?" Pensou ela e a sua família. Não era fácil saber. Na verdade, a maioria dos médicos não tinham pistas.

A ataxia pode ser um sintoma de outras doenças, mas também é uma doença em si. Crónica, degenerativa e incurável. Desde que aconteceu, há já dez anos, agora tem que se deslocar numa cadeira de rodas.

O golpe foi tremendo. "Quando o assumes, apenas podes virar a página e seguir em frente", diz Cristina, que se expressa com dificuldades devido à doença. Na verdade, por um tempo, teve a ajuda de um terapeuta da fala e de um fisioterapeuta. "Mas tiraram-nos essa ajuda, porque esta é uma doença crónica e que para a Junta não compensava", reclama o seu marido, Kevin Alvarado. Como para eles não compensa a ajuda que recebem cada mês: 22 euros.

Kevin é as mãos e as pernas da sua esposa. A assistência necessária 24 horas por dia, embora ele recuse o mérito: "Eu coloco a destreza, mas a verdadeira força é a dela, que se levanta todos os dias com um sorriso apesar de tudo. Eu não sei se aguentaria."

A Cristina não lhe apetece desistir, porque não está acostumada a fazê-lo. Ela não o fez, por exemplo, quando alguns professores da Faculdade de Enfermagem, disseram-lhe que ela não dava para aquilo. Não só terminou os seus estudos, como também conseguiu uma reforma. Mas, novamente, teve que lutar mais do que os outros. Ela queria a sua reforma e teve que ir a tribunal, que finalmente decidiu aposentar Cristina com uma deficiência total. Agora o seu sonho é estudar Náutica e Transporte Marítimo, mas, aos 32 anos, é contundente: "Estou feliz".

Ela já está mentalizada de que a sua situação não vai melhorar, muito pelo contrário, mas tem a sorte de ter uma família que, sem dúvida, vai tornar a viagem muito mais suportável.


(artigo traduzido)