5 de fevereiro de 2016

Ode à ataxia de Friedreich --- Um poema lírico honesto sobre a doença

O que é que me fizeste, sua filha-da-mãe?
Dedos curvados, fala arrastada, pélvis fechada,
Músculos decadentes que contraem.

Normalidade tentada,
uma rápida descida para aqueles que babam,
Abaixo a carta que joga a vida,
Mas quando é que eu já fui um tolo mais normal?

Um mundo numa correia transportadora preparado como para uma corrida,
Cursos, carreiras, vidas completas,
Eu, um espectador sem ser convidado que não sabe o seu lugar?

Cursos infrutíferos, letras sem sentido,
Arruaceiro sem direção e não empregável,
Amanhã tortuoso que continua a vir,
Subidas íngremes e espirais descendentes,
Para baixo, mas nunca para fora.

Guinchos, estranhos pagos,
Existir é muito diferente de viver,
"normalidade?" Eu já não sei o que essa palavra significa.

Sem sexo, sem vida, unhas compridas,
Frio e crostas,
Preso na minha cama com corrimões.

Eventos grandes ou pequenos são vistos ou lidos, +
A partir do confinamento da minha cama.

Ingrato eu sou?
A quem exatamente?
Uma nuvem cósmica, uma refração da luz?

Quarto, papel de parede estudado, estradas vazias, céu salvador
sentimentos "pró vida" coaxados por tipos mundanos,
Que teimosamente se recusam a morrer

Será uma cura para ti alguma vez encontrada?
Memórias seladas de relva escorregadia sob os pés,
Aos saltos, o céu ligado.

40 agora, um marco para alguns,
Comprimido e invertido,
O futuro é sombrio.

Continuar eu devo,
Que outra opção eu tenho?
Tentar esquecer o que poderia ter sido,
Até à dissolução final!


(artigo traduzido)