26 de fevereiro de 2016

Padrões de sinais motores na ataxia espinocerebelosa tipo 3 no início do seguimento numa unidade de referência

Irene Pulido-Valdeolivas, David Gómez-Andrés, Irene Sanz-Gallego, Estrella Rausell e Javier Arpa

Resumo

Antecedentes:
A ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3) é uma desordem neurodegenerativa que afeta o sistema cerebeloso e outras regiões subcorticais do cérebro. Quanto a outras doenças do cerebelo, a gravidade deste tipo de ataxia pode ser avaliado com a Escala de Avaliação e Classificação da Ataxia (SARA), que dá uma pontuação total que reflete o comprometimento funcional de 8 testes da função cerebelosa. O perfil do resultado dos pacientes com SCA3 é heterogéneo no início do acompanhamento. Este estudo investiga possíveis padrões nesses perfis e analisa o impacto de outros sinais normalmente simultâneos de deficiência dos sistemas motores extracerebelosos em que a variabilidade de perfil é abordada por meio de métodos estatísticos multivariados.

Métodos:
Dezassete pacientes com SCA3 foram submetidos a anamnese sistemática, avaliação neurológica e SARA, avaliação visual de I-Ioflupano (DaTSCAN) TAC com emissão de fóton único (SPECT) e estudos eletrofisiológicos (condução nervosa e eletromiografia). Os padrões nos perfis de pontuação dos itens SARA foram investigados por agrupamentos hierárquicos após a análise multivariada de correspondência. A análise da rede foi usada para representar relações entre os resultados dos itens SARA, clínicos, genéticos e parâmetros de exames neurológicos, bem como anomalias do DaTSCAN SPECT e estudos eletrofisiológicos.

Resultados:
Os itens SARA mais frequentemente alterados em todos os pacientes são a marcha e a postura, e três perfis de pacientes com SCA3 podem ser distinguidos em função, principalmente, do seu grau de deficiência nesses dois itens. Outros itens SARA como a pontuação na ligação calcanhar-queixo contribuem menos para a classificação. A análise à rede mostra contagens do item SARA que configura um único domínio que é independente do tamanho do alelo mutado expandido e idade de início, que são, por sua vez, intimamente e inversamente correlacionados. A gravidade da disfunção cerebelosa está correlacionada com maior tempo de doença, avaliação visual alterada de imagiologia DaTSCAN SPECT e diminuição dos reflexos patelares. Nem a presença de sinais piramidais ou extrapiramidais, nem a intensidade da polineuropatia está correlacionada com as pontuações dos itens SARA.

Conclusões:
As abordagens de reconhecimento de padrões são ferramentas úteis para descrever os fenótipos clínicos de ataxias e identificar configurações específicas de sinais cerebelosos.


(artigo traduzido)




25 de fevereiro de 2016

A Retrotope avança com o RT001 em ensaios clínicos para tratar a ataxia de Friedreich

A Retrotope, uma clínica-empresa de estágio farmacêutico de capital privado, anunciou a conclusão bem-sucedida do grupo de primeira dose e a abertura das inscrições para o grupo de dose maior no seu estudo em curso de 28 dias de RT001 via oral doseado em pacientes com ataxia de Friedreich (AF).O RT001 foi bem tolerado e não foram observados efeitos adversos graves ou toxicidades limitantes da dose.

O RT001 é uma forma quimicamente estabilizada de um ácido gordo natural que confere resistência à peroxidação de lípidos em membranas mitocondriais e celular através de um mecanismo novo. Na AF, o ferro livre é um catalisador para a peroxidação lipídica do tipo exato que pode ser atenuado com o fármaco RT001. A AF é uma doença neuro-degenerativa debilitante, que reduz a esperança de vida e que afeta cerca de 6.000 pessoas nos EUA. A perda progressiva da coordenação e força muscular leva à incapacidade motora, o uso a tempo integral de uma cadeira de rodas, e à morte, em última análise, precoce devido a complicações cardíacas. Atualmente não tratamentos há aprovados para a AF.

O Dr. Robert De Jager, CMO da Retrotope, comentou: "Estamos muito satisfeitos que o RT001 pareça ser seguro e bem tolerado neste estudo em curso em pacientes com AF. Os objetivos primários são a segurança, a tolerabilidade e o perfil farmacocinético dos administrados por via oral com o RT001. Os objetivos secundários são as pontuações neurológicas relacionadas com a doença, pela Tabela de Avaliação da Ataxia de Friedreich, a caminhada cronometrada de 25 pés (7.620 m) e várias medidas exploratórias e biomarcadores".

Jennifer Farmer, Diretora Executivo da FARA (Friedreich’s Ataxia Research Alliance – Aliança para a Investigação na Ataxia de Friedreich, EUA), disse: "A FARA tem o prazer de continuar a apoiar a Retrotope e este estudo clínico duma nova abordagem para tratar a AF. Estamos muito animados com o potencial do RT001 e somos gratos às pessoas que se voluntariaram para este estudo".

A Retrotope está a conduzir o estudo em dois locais: o Centro de Investigação de Ataxias na Universidade do Sul da Flórida (EUA) e a Rede Colaborativa para a Neurociência em Long Beach, Califórnia (EUA). A FARA irá utilizar o seu registo de pacientes para auxiliar no recrutamento.

Sobre o RT001: A Retrotope descobriu que a peroxidação lipídica, a degradação de radicais livres de lípidos em membranas mitocondriais e celulares, pode ser uma causa de uma ampla gama de doenças degenerativas. Os radicais livres atacar e degradar gorduras polinsaturadas (PUFAs), que são componentes essenciais das membranas. A Retrotope e outros demonstraram que os produtos de degradação destas gorduras criam cascatas tóxicas que têm sido associadas com muitas doenças, incluindo a doença de Parkinson, a doença de Alzheimer, retinopatias e a AF. O RT001 é uma terapêutica patenteada modificada da ácidos gordos, disponível por via oral, que se espera estabilizar ("prova de fogo") membranas mitocondriais e celulares contra novos ataques e restaurar a saúde celular.

Sobre a Retrotope: A Retrotope, uma empresa farmacêutica de estágio clínico de capital privado, está a criar uma nova categoria de medicamentos para tratar doenças degenerativas. Composta de compostos patenteados que são formas de nutrientes essenciais estabilizados quimicamente, estes compostos estão a ser desenvolvidas como terapias modificadores da doença para muitas doenças incuráveis, como Parkinson, Alzheimer e retinopatias. A primeira indicação para o RT001, o candidato da Retrotope, é o tratamento da ataxia de Friedreich, uma doença fatal órfã. Para mais informações sobre a Retrotope, visite http://www.retrotope.com.

Sobre a FARA: É uma organização nacional, pública, 501 (c) (3), sem fins lucrativos, isenta de impostos, dedicada a curar a ataxia de Friedreich, uma doença neuromuscular rara, através da investigação. Para mais informações sobre a AF, visite o site da FARA em http://www.curefa.org.


(artigo traduzido)




Prémios EURORDIS de 2016 – anúncio dos vencedores!

Os Prémios EURORDIS de 2016 foram apresentados esta semana numa cerimónia realizada em Bruxelas. Os Prémios reconhecem os mais relevantes representantes dos doentes e as suas associações, os voluntários, cientistas, empresas, média e decisores políticos que contribuíram para reduzir o impacto que as doenças raras têm na vida das pessoas.
Yann Le Cam, Diretor Executivo da EURORDIS, comentou que «Os vencedores dos Prémios EURORDIS revelam um empenho excecional em apoiar pessoas que são afetadas ou vivem com alguém afetado por doenças raras. Todos os anos, constitui uma oportunidade importante para que, por um lado, se reconheça um trabalho árduo de vários indivíduos e organizações que ajuda a reduzir o impacto das doenças raras e, por outro, incentive outras pessoas a fazer o mesmo.»
Em breve, poderá assistir ao vídeo da cerimónia de entrega de prémios no canal de eventos da EURORDIS, disponível na EURORDIS TV. As fotografias dos vencedores dos prémios estão disponíveis aqui.
A seguir, apresentamos algumas informações resumidas sobre o vencedor de cada prémio. Pode encontrar as descrições completas no comunicado de imprensa completo.

Prémio Responsável pela Elaboração de Políticas – Cristian-Silviu Buşoi, Deputado do Parlamento Europeu, Roménia
Cristian-Silviu Buşoi, Deputado do Parlamento Europeu desde 2007, tem vindo a demonstrar ao longo do seu mandato uma visão sólida relativamente aos sistemas médicos europeus centrados nos doentes, acessíveis e com qualidade. Enquanto membro do Comité ENVI (sobre o Meio Ambiente, Saúde Pública e Segurança Alimentar) do Parlamento Europeu, utilizou esta plataforma para defender os direitos dos doentes em cada país. Além disso, Cristian-Silviu Buşoi tem também defendido com veemência os ensaios clínicos nas doenças raras, apoiando uma colaboração europeia multicêntrica para dar impulso à realização de parcerias entre todo os interessados neste domínio.

Prémio Voluntários – Tsveta Schyns-Liharska, Bélgica/Bulgária
Enquanto mãe de uma filha com a doença rara hemiplegia alternante, Tsveta Schyns-Liharska dedicou uma quantidade considerável de tempo a cuidar da sua filha e a trabalhar como voluntária na comunidade das doenças raras. Desde 2008 que as atividades de voluntariado de Tscveta incluem a participação como representante dos doentes no Comité Pediátrico da Agência Europeia de Medicamentos. Nestes últimos 8 anos, dedicou uma quantidade impressionante de tempo e trabalho como Coordenadora Científica do Registo Europeu do Projeto Esclerose Múltipla.

Prémio Média – France Télévisions – AFM-Téléthon, França
O Prémio Média da EURORDIS reconhece o apoio de longa data das France Télévisions por, nestes últimos 30 anos, transmitir ao vivo a Téléthon francesa, a qual é organizada em parceria com a AFM-Téléthon.

Prémio Associação de Doentes – UNIQUE – Grupo de apoio das Perturbações Cromossomáticas Raras, Reino Unido
Desde que foi fundado por Edna Knight em 1984, enquanto Grupo de Apoio da Trissomia 9, no Reino Unido, o UNIQUE tem constituído uma fonte de apoio mútuo e de autoajuda às famílias de crianças com perturbações cromossomáticas raras

Prémio Científico – Professor Dr. Peter N. Robinson, Instituto de Genética Médica Universitätsklinikum Charité, Alemanha
Peter N. Robinson é Professor de Genómica Médica no Universitätsmedizin Charité, em Berlim, sendo também líder de um grupo de investigação no Instituto de Genética Médica e Genética Humana. Entre outras atividades, desenvolveu a Ontologia para Fenótipos Humanos (HPO), que, ao tornar-se o padrão de descrição destes fenótipos, contribuiu para que os dados pudessem ser trabalhados e partilhados por várias equipas de investigação, permitindo o melhor conhecimento e reconhecimento das doenças raras.

Prémio Liderança Europeia na Área das Doenças Raras – Vencedores ex aequo: Antoni Montserrat Moliner, Jarek Waligóra e Michael Hübel, Da Direção-Geral da Saúde e da Segurança dos Alimentos (DG SANTE) da Comissão Europeia
O Prémio Liderança Europeia na Área das Doenças Raras vai para três grandes pioneiros da DG SANTE:
Antoni Montserrat Moliner tornou-se o principal Responsável pela Política de Cancro e Doenças Raras na Comissão Europeia há quase uma década. Foi fundamental no desenvolvimento e adoção da Comunicação da Comissão em 2008 e da Recomendação do Conselho relativa às Doenças Raras em 2009.
Especialista em Pediatria Genética, Jarek Waligóra tem contribuído ativamente com a sua formação para o cargo de Responsável pelas Doenças Raras na Comissão Europeia. Os seus antecedentes foram essenciais para a sua compreensão do formato e das questões importantes para todas as partes interessadas nas doenças raras.
Michael Hübel, Chefe da Unidade de Gestão de Programas e Doenças da DG SANTE, cumpriu o seu cargo de liderança com solidez e visão. Foi imprescindível para o arranque e apoio de políticas relacionadas com as doenças raras, nomeadamente, ao estabelecer o Grupo de Peritos da Comissão Europeia em matéria de Doenças Raras e o Grupo de Peritos da Comissão Europeia em matéria do Controlo do Cancro.

Prémio Empresas – Actelion Pharmaceuticals Ltd., Suíça
A Actelion dedica-se à produção de medicamentos inovadores para doenças com necessidades médicas não satisfeitas. Em particular, esta empresa fez a diferença para a hipertensão arterial pulmonar (HAP) na Europa e no mundo. Membro Esmeralda da Mesa Redonda Empresarial da EURORDIS, a Actelion tem apoiado várias iniciativas importantes da EURORDIS.

Prémio de Carreira – Renza Barbon Galuppi, Itália
Renza Barbon Galluppi é considerada uma «super-mulher» pela capacidade e força que tem para estar no lugar certo, no momento certo. Tudo começou com o diagnóstico de um tipo típico de hiperfenilalaninemia a dois dos seus filhos. O atraso no diagnóstico da sua filha mais velha e as suas consequências levaram-na a colaborar inicialmente com a associação de doentes envolvida nas doenças metabólicas e, pouco depois, com a UNIAMO, a Federação Italiana de Doenças Raras.
Nos últimos 10 anos, enquanto presidente da UNIAMO, Renza tem contribuído para sublinhar a importância que tem para as pessoas com doenças raras partilhar as suas experiências em associações e promover a sua integração na comunidade em todos os aspetos da vida.

Eva Bearryman, Junior Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira 
Page created: 24/02/2016
Page last updated: 24/02/2016





20 de fevereiro de 2016

A Agilis Biotherapeutics e a Waisman Biomanufacturing entram em acordo exclusivo para fabrico de terapia genética para a ataxia de Friedreich

 Waisman vai providenciar à Agilis o fornecimento global da nova terapia genética AGIL-FA

A Agilis Biotherapeutics, LLC (Agilis), uma empresa de biotecnologia que avança com terapias genéticas inovadoras para doenças genéticas raras que afetam o sistema nervoso central (SNC) e a Waisman Biomanufacturing, um grupo sem fins lucrativos de desenvolvimento e fabrico de terapia celular e genética localizado na UW-Madison Waisman Center (Centro Waisman, na Universidade do Wisconsin-Madison, EUA) (Waisman) anunciou hoje que as empresas firmaram um acordo de parceria exclusivo para a produção do novo produto de terapia genética fa Agilis, o AGIL-FA, para o tratamento da ataxia de Friedreich (AF). A AF é uma doença debilitante multi-sistémica resultante da mutação do gene FXN. É a ataxia hereditária mais comum, em 1 em cada 100 pessoas que são portadoras de um gene mutado FXN. A AF normalmente surge entre as idades de 5 e 15 e manifesta-se como dificuldade com o equilíbrio e a coordenação. Ao longo do tempo, a doença progride para uma variedade de sintomas neurológicos e alterações mudam a vida em mobilidade, energia, fala, audição e outros sistemas do corpo, incluindo o sistema cardiovascular, o que reduz a longevidade coletivamente em muitos casos.

"A nossa parceria com a Waisman é um passo importante no avanço da nossa terapia genética AGIL-FA para o tratamento potencial dos sintomas neurológicos em pacientes com ataxia de Friedreich"

Após a avaliação e seleção do candidato terapêutico para a AF, AGIL-FA, a Agilis concluiu a caracterização molecular e a prova-de-conceito inicial e estudos de biodistribuição di AGLIL-FA antes da apresentação de um pedido de Investigational New Drug (IND) à Food and Drug Administration (FDA) dos EUA. A construção do gene FXN usado no AGIL-FA foi otimizado e desenvolvido em parceria com Intrexon Corporation.
Sob os termos do acordo, a Waisman irá utilizar o seu pessoal, instalações e processos próprios para a fabrico de material GLP para estudos não clínicos, material cGMP para estudos não clínicos e clínicos, e futuro potencial de oferta comercial caso o AGIL-FA seja desenvolvido com sucesso e aprovado. A Agilis e a Waisman fornecem cada uma à equipa especialistas para contribuir para a execução global de toda a gama de fabrico, qualidade e atividades de regulação.
"A nossa parceria com a Waisman é um passo importante no avanço da nossa terapia genética AGIL-FA para o tratamento potencial dos sintomas neurológicos em pacientes com ataxia de Friedreich", disse o Dr. Mark Pykett, Presidente e CEO da Agilis. "A Waisman é um fabricante líder de produtos biológicos, com vasta experiência e um forte historial na produção de produtos médicos inovadores. Em parceria com a Waisman para alavancar os seus sistemas proprietários, experiência organizacional e de infra-estrutura extensa, a Agilis solidificou um componente-chave estratégico no curto prazo e desenvolvimento a longo prazo e comercialização do AGIL-FA. Estamos satisfeitos com a parceria com uma organização tão respeitável como a Waisman para garantir alta qualidade, fabricação escalonável do produto".
Fundada em 2001, a Waisman Biomanufacturing, uma entidade sem fins lucrativos do Waisman Center e da Universidade de Wisconsin, atualmente opera uma instalação de produção de produtos biológicos de 15.000 pés quadrados (1393.546 metros quadrados), com oito áreas cGMP de sala limpa compatível para acomodar a produção clínica de terapias de mamíferos e microbianas e enchimento asséptico de produtos finais. O Sistema de Qualidade Waisman e instalação de sala limpa são projetados para maximizar a conformidade regulamentar e qualidade ambiental.
O Dr. Derek Hei, diretor da Waisman, comentou, "A nossa parceria com a Agilis é o reflexo da missão da Waisman em fornecer produtos biológicos cGMP de alta qualidade aos nossos parceiros e para ajudar com o avanço de medicamentos inovadores para melhorar o tratamento de doenças humanas. Temos o prazer de colaborar com a Agilis no seu excitante produto de terapia genética para a ataxia de Friedreich e facilitar o fornecimento do produto para a sequência de estágios de desenvolvimento necessários para a sua aprovação e comercialização final".

Sobre a ataxia de Friedreich
A ataxia de Friedreich (AF) é uma doença neuromuscular hereditária mais vulgarmente causada por um único defeito genético no gene FXN que conduz à produção reduzida de frataxina, uma proteína mitocondrial que é importante para o metabolismo do ferro. A AF resulta numa condição física debilitante, redução da esperança de vida e é a ataxia hereditária mais comum, com uma estimativa de 5.000 a 10.000 pacientes nos EUA (ou seja, uma em cada 50.000 pessoas). Tanto crianças do sexo masculino como feminino podem herdar o distúrbio. Os sintomas da AF incluem perda progressiva da coordenação e força muscular, que levam ao uso em tempo integral de uma cadeira de rodas; escoliose (que muitas vezes requer intervenção cirúrgica); diabetes mellitus; problemas na audição e visão; doenças cardíacas graves; e morte prematura. As terapias atuais para a AF estão voltadas para o alívio sintomático, e não existem medicamentos aprovados pela FDA para tratar a causa da AF.

Sobre a Agilis Biotherapeutics

A Agilis está a avançar terapias genéticas inovadoras destinadas a proporcionar uma eficácia a longo prazo para pacientes com doenças genéticas debilitantes, muitas vezes fatais, raras que afetam o sistema nervoso central. As terapias da Agilis são concebidas para conferir benefícios clínicos sustentáveis, e potencialmente uma cura funcional, por indução da expressão persistente de um gene terapêutico. A tecnologia da empresa visa o direcionamento preciso e a restauração duma função perdida dum gene, evitando ao mesmo tempo os efeitos não intencionais fora do alvo. A estratégia integrada da Agilis aumenta a eficiência do desenvolvimento de terapêuticas de ADN em terapias genéticas seguras, direcionadas que alcancem eficácia a longo prazo e permitam que os pacientes permanecem assintomáticos sem tratamento invasivo contínuo. Os programas de doenças raras da Agilis estão focados na terapia genética para a Deficiência de L-aminoácidos aromáticos descarboxilasencia, ataxia de Friedreich, síndrome de Angelman e síndrome do X Frágil, doenças genéticas raras que incluem défices neurológicos graves e resultar em condições fisicamente debilitantes.

Convidamo-lo a visitar o nosso site em http://www.agilisbio.com.

Sobre Waisman Biomanufacturing
A Waisman Biomanufacturing (http://www.gmpbio.org) é um grupo de desenvolvimento bioterapêutico sem fins lucrativos e de fabrico que faz parte do  Centro Waisman da Universidade de Wisconsin-Madison (EUA). A missão da WB é acelerar o avanço de bioterapias prometedoras em ensaios clínicos humanos através de colaborações com investigadores académicos e empresas de biotecnologia. A WB tem uma vasta experiência na produção cGMP de produtos biológicos para a fase I/II de ensaios clínicos em seres humanos, incluindo: vetores virais e vacinas, ADN plasmídeo, proteínas recombinantes e terapias celulares. A WB fornece serviços abrangentes para abordar questões fundamentais para projetos em estágio inicial, incluindo: transferência de tecnologia, desenvolvimento de processos, desenvolvimento do ensaio, qualificação do processo/validação, qualificação do ensaio/validação, fabrico cGMP de material pré-clínicos e clínicos, testes de controlo de qualidade e enchimento asséptico. Além disso, a WB oferece suporte completo para registros regulatórios.

Declaração Porto-Seguro
Algumas das declarações feitas neste comunicado de imprensa são declarações prospetivas. Estas declarações prospetivas são baseadas nas nossas expectativas e projeções atuais sobre eventos futuros e estão geralmente associadas aos nossos planos, objetivos e expectativas para o desenvolvimento do nosso negócio. Embora a administração acredite que os planos e objetivos refletidos ou sugeridos por estas declarações prospetivas sejam razoáveis, todas as declarações prospetivas envolvem riscos e incertezas e os resultados futuros reais podem ser materialmente diferentes dos planos, objetivos e expectativas expressos neste comunicado de imprensa.


Investigational New Drug (IND) – Novo Medicamento de Investigação
Food and Drug Administration (FDA) – Administração dos Medicamentos e Alimentos
Material GLP (Good laboratory practice) – Material de boas práticas laboratoriais
Áreas cGMP (current good manufacturing practice) – Áreas de boas práticas de fabrico atuais



(artigo traduzido)




NEUROCIENTISTAS DA UMINHO ESTÃO EM BARCELOS ATÉ MARÇO

A INICIATIVA TEM O TEMA GERAL ‘TUDO O QUE EU QUERO SABER SOBRE AS DOENÇAS DO CÉREBRO’ E CONTA COM O APOIO DO MUNICÍPIO DE BARCELOS E DA REDE PEQUENOS CIENTISTAS.

O Instituto de Investigação em Ciências da Vida e Saúde (ICVS/3B’s) da Universidade do Minho (UMinho) apresenta, de 20 de fevereiro a 9 de março, um conjunto de atividades em Barcelos, cativando o público para as neurociências e divulgando a sua investigação.
A Biblioteca Municipal de Barcelos acolhe palestras em três sábados consecutivos, sempre às 11h00 e com entrada livre. Amanhã, dia 20, o investigador João Cerqueira fala sobre esclerose múltipla, no dia 27 é a vez de o neurorradiologista Tiago Gil Oliveira abordar a doença de Alzheimer e, a 5 de março, a professora Patrícia Maciel reflete sobre a doença de Machado-Joseph.
Paralelamente, a Escola Secundária de Barcelos acolhe atividades laboratoriais às quartas-feiras, a partir das 14h00, ligadas aos temas das palestras. No dia 24, a investigadora Fernanda Marques analisa as moléculas inflamatórias em animais com esclerose e, a 2 de março, volta a usar modelos animais para casos com Alzheimer; já a 9 de março a investigadora Andreia Castro mostra como o verme ‘c. elegans’, que vive no solo, tem sido decisivo nos avanços para tratar a doença de Machado-Joseph.

Gazeta do Rossio




18 de fevereiro de 2016

Informações a respeito da degeneração espinocerebelosa

Dr. Spiros Theocharous

Visão geral
A degeneração espinocerebelosa, também conhecido como ataxia espinocerebelosa (SCA), é uma doença neurológica progressiva e degenerativa que afeta o cerebelo do cérebro. A causa desta doença é devido à predisposição genética e pode ser transmitida através de genes recessivos, dominantes ou ligados ao X. Portanto, pode afetar qualquer pessoa de qualquer idade.
A SCA tem vários subtipos, dos quais cada um poderia ser considerado uma doença por si só. Para conseguir obter as mensagens importantes sobre esta doença, devemo-nos concentrar na maneira como a SCA se apresenta, como é diagnosticada e que protocolos de tratamento existem.

Sinais e sintomas
A área do cérebro que é afetada é o cerebelo e a sua função é lidar com o equilíbrio, marcha e coordenação.
Os sinais e sintomas desta doença incluem o seguinte:
·         Má coordenação das mãos, pés, movimentos oculares e da fala.
·         Tremor intencional das mãos.
·         Ataxia (incoordenação lentamente progressiva da marcha) que varia de acordo com o subtipo da doença.
·         Perda da coordenação fina dos movimentos musculares, que leva a movimentos desajeitados e instáveis.

Como é feito o diagnóstico
Quando o paciente começa a desenvolver os sinais e sintomas acima mencionados, devem, então, ser encaminhado para um neurologista, que irá analisá-los.
Uma ressonância magnética do cérebro e coluna vertebral é feita para ver uma possível evidência radiológica da doença, tal como a atrofia do cerebelo. A punção lombar também pode ser feita para procurar possíveis evidências.
A confirmação da SCA é feita através da visualização da matéria do cérebro afetada na autópsia de um paciente falecido, pois não há um teste definitivo para diagnosticar esta condição.

Gestão da SCA
Infelizmente, não há cura para a SCA. É importante ter em conta que nem todos os subtipos da doença causar a mesma deficiência.
O tratamento visa a gestão de suporte do paciente e os seus sintomas. Existem medicamentos que podem ser prescritos para ajudar a aliviar problemas como cãibras musculares, rigidez, espasticidade, distúrbios do sono e depressão.
Os pacientes com SCA, eventualmente, não serão capazes de realizar as suas atividades normais da vida diária. Os terapeutas de reabilitação têm um papel importante a desempenhar neste domínio, a fim de ajudar os pacientes a maximizar a sua capacidade de autocuidado e tentar atrasar a deterioração até um certo ponto.
Os fisioterapeutas também podem auxiliar na implementação de programas de exercícios para que os pacientes podem ainda manter um nível de independência. Aspetos importantes destes exercícios centram-se em treino da marcha e equilíbrio postural, bem como técnicas de fortalecimento muscular e exercícios de amplitude de movimento.
Os terapeutas ocupacionais podem ajudar a ajudar a fornecer dispositivos tais como bengalas, andarilhos, cadeiras de rodas, etc., para pacientes com problemas de marcha. Eles também podem ajudar, fornecendo dispositivos que ajudam com a alimentação, escrita e autocuidado para pacientes com má coordenação do braço e mão.
Os terapeutas da fala também podem ajudar os pacientes através da implementação de estratégias de intervenção comportamental, bem como dispositivos de comunicação para ajudar com o comprometimento da fala.
Quando implementado corretamente, estas medidas têm mostrado ajudar a manter algum nível de melhoria das capacidades físicas do paciente por até 24 semanas após o tratamento.


(artigo traduzido)




ESMI – Iniciativa ataxia espinocerebelosa tipo 3 europeia/Doença de Machado-Joseph (Projeto apoiado pela JPND)

A ataxia espinocerebelosa tipo 3 (SCA3)/doença de Machado-Joseph (DMJ) é a ataxia familiar mais comum. Embora a mutação genética que causa a SCA3 seja conhecida, não existe tratamento. No entanto, quanto há um entendimento avançado dos mecanismos subjacentes à SCA3, estão a ser desenvolvidas novas abordagens terapêuticas. Para ativar os ensaios aos fármacos, a disponibilidade de grandes grupos de pessoas que têm a mutação é obrigatória. O ESMI reunirá 8 grupos com mais de 800 indivíduos. Vamos integrar os dados existentes num banco de dados comum e aplicar protocolos padronizados e de avaliação de qualidade controlada.
Uma grande parte da nossa iniciativa será o desenvolvimento de novos marcadores de doenças. Os resultados esperados têm relevância imediata para aplicação na investigação clínica e nos cuidados de saúde de rotina. Ao juntar as coortes existentes vai facilitar muito a inscrição de participantes em ensaios aos fármacos. O desenvolvimento de marcadores de doença irá permitir a prova de conceito em estudos com um resultado biomarcador que requerem um número menor de participantes do que em ensaios convencionais. Os dados sobre a evolução a longo prazo da doença irá informar os estatísticos que projetam os ensaios clínicos para a SCA3. Finalmente, a nossa investigação terá um impacto direto sobre os cuidados de saúde, como novos instrumentos podem ser utilizados para promover e melhorar a gestão clínica dos pacientes com ataxia.

Data de início: janeiro 2016
Duração: 3 anos
Coordenador: Thomas Klockgether
T: +49 228 2871 5736

Parceiros:
- Thomas Klockgether, Centro Alemão de Doenças Neurodegenerativas, Bona, Alemanha
- Paola Giunti, University College London, Reino Unido
- Manuela Lima, Universidade dos Açores, Portugal
- Luís Pereira de Almeida, Universidade de Coimbra, Portugal
- Olaf Riess, Universidade de Tübingen, Alemanha
- Ludger Schols, Universidade de Tübingen, Alemanha
- Bart van de Warrenburg, Universidade Radboud, Nijmegen, Holanda


JPND – Programa conjunto para a investigação das doenças neurodegenerativas na União Europeia


(artigo traduzido)





17 de fevereiro de 2016

Ataxia com apraxia oculomotora tipo 1



Tradução:
Ataxia with Oculomotor Apraxia 1, Defective gene: APTX – Ataxia com apraxia oculomotora 1, Gene defeituoso: APTX
Damaged DNA – ADN danificado
Aprataxin – Aprataxina
Repaired DNA – ADN reparado
Messenger RNA – ARN mensageiro
DNA repair – Reparação do ADN
Nucleus – Núcleo
Synthesized protein in cerebellum helps coordinate movement – A proteína sintetizada no cerebelo ajuda a coordenar os movimentos
Aprataxin interacts with other DNA repair proteins – A aprataxina interage com outras proteínas de reparação do ADN
Cerebellar Cells – Células cerebelosas
DNA not repaired – ADN não reparado
Mutated APTX makes aprataxin unstable so that it breaks down. Damaged DNA accumulates leading to cell death in the cerebellum with loss of movement coordination – O APTX mutado causa a instabilidade da aprataxina para que quebre. A acumulação do ADN danificado leva à morte celular no cerebelo com perda da coordenação dos movimentos
Mutated Cerebellar Cells – Células cerebelosas mutadas


(artigo traduzido)




Cientistas descobrem um potencial tratamento para a ataxia de Friedreich

Investigadores do Centro Médico do Sudoeste da Universidade do Texas (EUA) identificaram ARN e ADN sintético que inverte a deficiência proteica que causa a ataxia de Friedreich, uma doença neurológica para a qual não há atualmente cura.

O resultado das modificações em sequências de ADN na ataxia de Friedreich evita que as células produzam o suficiente de uma proteína necessária chamado frataxina. A falta de frataxina pode resultar numa variedade de problemas, que incluem a perda de controlo muscular, fadiga, visão ou de perda auditiva, fala arrastada, e doenças cardíacas graves.
Usando o ARN ou ADN sintético, os investigadores identificaram uma maneira de permitir que a produção normal de frataxina possa ser retomada.
"O ADN ou ARN sintético impede a sequência mutante da flexão para trás e bloquear o gene da frataxina. Essa ação ativa o gene da frataxina, que faz então o ARN da frataxina e proteína em níveis normais", disse o Dr. David Corey, professor de Farmacologia e Bioquímica. "Além disso, a nossa abordagem é seletiva para a segmentação do gene da frataxina FXN e não afeta os outros genes."
Em contraste com a técnica de edição genómica CRISPR, que requer modificações nos genes, as moléculas neste estudo são sintéticas. O ADN e ARN pertencem a classes de moléculas que já estão sendo usadas clinicamente, tornando o desenvolvimento de uma nova terapia mais simples, disse o Dr. Corey, que detém a cátedra Rusty Kelley em Ciências Médicas.
Para uso na ataxia de Friedreich, o desafio remanescente será entregar adequadamente as moléculas sintéticas para tecidos que são afetados pela doença, mas esses desafios estão a ser abordados em programas clínicos que visam a doença de Huntington e a atrofia muscular espinhal existente, disse o Dr. Corey.
Cerca de um em 50.000 pessoas têm ataxia de Friedreich, e o início típico é entre os 5 e os 18 anos de idade, de acordo com o Instituto Nacional de Doenças Neurológicas e Acidentes Vasculares Cerebrais. A doença é causada por células que produzem muito pouco da proteína frataxina, embora as proteínas que sejam feitas são consideradas normais.
"O problema surge devido a uma mutação no interior do gene da frataxina FXN que não codifica a proteína. Neste caso, a mutação causa a síntese de um pedaço maior de ARN. Esta sequência mais longa liga-se ao ADN e atrasa os trabalhos, bloqueando a produção de ARN necessária para produzir a proteína frataxina ", disse o Dr. Corey.
Os resultados aparecem na revista Nature Communications.


ADN – ácido desoxirribonucleico
ARN – ácido ribonucleico
                         

(artigo traduzido)




A fosforilação da ataxina-3 diminui os defeitos neuronais em modelos da ataxia espinocerebelosa tipo 3

Carlos A. Matos, Clévio Nóbrega, Susana R. Louros, Bruno Almeida, Elisabete Ferreiro, Jorge Valero, Luís Pereira de Almeida, Sandra Macedo-Ribeiro, e Ana Luísa Carvalho

Resumo
Diferentes doenças neurodegenerativas são causadas pelo alongamento anómalo de sequências repetidas de glutamina normalmente encontradas em proteínas humanas particulares. Embora as proteínas envolvidas estejam distribuídas com ubiquidade nos tecidos humanos, os alvos de toxicidade só define as populações neuronais. As alterações provocadas por uma proteína poliglutamina expandida são possivelmente influenciadas por mecanismos celulares endógenos, o que pode ser aproveitado para produzir neuroprotecção. Aqui, mostramos que a ataxina-3, a proteína envolvida na ataxia espinocerebelosa tipo 3, também conhecida como doença de Machado-Joseph, causa a perda de sinapses e dendríticas em neurónios em cultura, quando expandida. Nós relatamos que a S12 da ataxina-3 é fosforilada em neurónios e que mutação deste resíduo, de modo a imitar um estado fosforilado constitutivo combate os defeitos neuromorfológicos observados. Em ratos injetados estereotaxicamente com vetores lentivirais codificadores de ataxina-3 expandida, a mutação de serina 12 reduz a agregação, perda neuronal, e a perda de sinapse. Os nossos resultados sugerem que a S12 desempenha um papel nas vias patogénicas mediadas pela ataxina-3 poliglutamina expandida e que a fosforilação deste resíduo protege contra a toxicidade.


(artigo traduzido)




16 de fevereiro de 2016

Na ataxia de Friedreich, as neurotrofinas têm o potencial terapêutico para prevenir e tratar a neurodegeneração

Os investigadores têm demonstrado no laboratório (in vitro) e em indivíduos vivos (in vivo), que a transferência do gene do fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) protege os modelos de ataxia de Friedreich da morte degenerativa neuronal, proporcionando uma prova do princípio de que as neurotrofinas podem ser uma opção terapêutica para evitar e tratar a neurodegeneração associada à ataxia de Friedreich.
O trabalho de investigação, “A transferência de genes de fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) impede a neurodegeneração desencadeada por deficiência da frataxina” foi publicado na Molecular Therapy.
A ataxia de Friedreich é uma doença neuromuscular caracterizada pela neurodegeneração progressiva dos nervos e músculos do sistema nervoso e do coração, e é causada por mutações no gene FXN que levam a uma diminuição da transcrição do locus do gene e, por conseguinte, baixos níveis de frataxin (FXN) , uma proteína importante para a defesa antioxidante das células. As estratégias terapêuticas em desenvolvimento focam-se em diferentes abordagens, tais como aumentar os níveis de FXN dentro das células, através de fármacos, ou por terapia genética por reintroduzir o gene FXN normal ou de ativar o gene silenciado.
Outra estratégia promissora pode ser a prevenção da apoptose neuronal (morte celular), uma abordagem terapêutica que tem sido sugerida como uma estratégia promissora para o tratamento de doenças neurodegenerativas. Os fatores neurotróficos são proteínas secretadas que são capazes de parar a apoptose e melhorar a função neuronal, propriedades que os fizeram objeto de investigação para terapias para a neurodegeneração e lesões traumáticas.
Os investigadores utilizaram técnicas de terapia genética para criar um vetor que transporta o gene codificador para o fator neurotrófico derivado do cérebro (BDNF) e testar o seu efeito em neurónios do cerebelo deficientes em frataxina tanto em ratos in vitro, como in vivo. Os resultados in vitro indicaram que a transferência de genes BDNF evitaram a morte de neurónios causada geralmente pela falta de frataxina. Além disso, os investigadores também confirmaram este efeito neuroprotetor in vivo num rato modelo onde a queda da frataxina é acompanhada por morte neuronal significativa e perda de coordenação motora. A injeção do vetor que transporta o gene BDNF impede não só a neurodegeneração cerebelosa, mas também o fenótipo atáxico.
Os investigadores concluíram que este estudo fornece "evidência para o potencial terapêutico de neurotrofinas, como a BDNF para tratar a neurodegeneração na ataxia de Friedreich. O gene viral codificador mediado pelo vetor de fatores neurotróficos pode ser, portanto, considerado como uma ferramenta adicional para abordagens à terapia genética e celular atuais, que estão agora em andamento".


(artigo traduzido)





15 de fevereiro de 2016

Assembleia Geral da APAHE, 05-03-2016



Junta de Freguesia de Cadima: Rua Frederico Garcia Secades, n.º 43 – 3060-094 Cadima (Cantanhede, Coimbra)


A APAHE endereça, desde já, os seus mais profundos agradecimentos à Junta de Freguesia de Cadima, pelas facilidades concedidas na realização desta Assembleia Geral.


12 de fevereiro de 2016

Genes mutantes nem sempre levam a doenças genéticas

A mãe de Sonia Vallabh deteriorou-se rapidamente. A sua condição começou com alguma visão turva e pequenas falhas cognitivas, mas dentro de alguns meses, ela não poderia reconhecer a própria filha. Dentro de um ano, ela estava morta. Após a sua morte, os médicos realizaram testes para ver o que fez com que ela tivesse um rápido declínio neurológico. O diagnóstico final foi uma doença príon, uma condição infeciosa mal compreendida que faz com que as proteínas no cérebro abandonem as suas estruturas normais, aglutinem-se e tornem-se tóxicas. A doença príon mais famosa é a doença das vacas loucas, mas a doença parece também ter uma base genética e mãe de Sonia teve uma dessas mutações.
Sonia também foi testada para a mutação. E como o seu médico lhe disse, ela teve a mesma alteração no gene da proteína prion RPPN que a sua mãe tinha. Sonia e o seu marido, Eric Minikel, imediatamente perguntaram se ter a mutação significava que ela iria ter definitivamente a doença. Ele escreve no seu blogue:

Sonia e eu não tínhamos formação científica, e uma vaga lembrança de biologia da escola. Sonia tinha acabado de se formar da faculdade de direito. Eu estava a trabalhar em consultoria de tecnologia de transporte. Nós acabaríamos por saber que o termo científico para o que estávamos a procurar era penetrância. Penetrância é a probabilidade de desenvolver uma doença genética particular, se temos uma mutação genética particular.

Sonia Vallabh e Eric Minikel
Uma mutação com alta penetrância provavelmente irá causar uma doença. Uma penetrância de 100% significa que desenvolver a doença é uma certeza. Mas um grande número de genes que causam doenças têm baixa penetrância. A penetrância dos genes associados ao cancro da mama, BRCA1 e BRCA2, são 48 e 74 por cento respetivamente. Para o BRCA1, isso significa que há uma hipótese superior a 50%, para quem tem a mutação, de ter a doença. Mas com doenças tão raras como a doença príon de dobramento, é extremamente difícil desenvolver medições de penetrância. Em parte porque é muito difícil encontrar pessoas afetadas pela doença.
Vallabh, uma advogada, e Minikel, analista de transportes, tiveram aulas à noite e formação como biólogos. Ambos começaram os estudos de doutoramento no Instituto Broad do MIT (EUA) no mesmo laboratório de bioestatística na esperança de responder à questão mais premente das suas vidas: seria que Vallabhiria ficar doente? Qual foi a penetrância da sua mutação?
Juntamente com a a sua equipa internacional de investigação, analisaram os dados de mais de 16.000 pacientes com doenças prion e pessoas saudáveis ​do Exome Aggregation Consortium e 23andMe. Karen Weintrub descreve o processo:

O tamanho dos conjuntos de dados permitiu aos investigadores tirar conclusões, mesmo com uma condição tão rara como uma doença príon. Os médicos tinham anteriormente conhecimento de apenas cerca de 63 possíveis mutações em pessoas com a doença, pelo que eles pensavam que todas as mutações necessariamente causavam problemas. Mas os investigadores descobriram 141 pessoas saudáveis ​​no conjunto de dados da 23andMe que tinham mutações no gene RPPN - uma taxa muito mais elevada do que a incidência da doença príon. Isso significa que algumas das mutações devem ser inofensivas ou que pelo menos nem sempre causam a doença, disse J. Fah Sathirapongsasuti, biólogo computacional da 23andMe e um coautor do estudo.

Os investigadores descobriram que três das 16 mutações que identificaram foram altamente penetráveis, outras eram quase benignas e ainda outras não puderam ser classificadas, apesar do tamanho enorme da amostra e cooperação internacional. Em parte, os resultados oferecem alguma esperança. Muitas pessoas que tiveram uma destas mutações doença estavam vivas e a viver uma vida saudável, porque eles também eram portadores duma cópia saudável. Mas também descobriram que a mutação de Vallabh vai realmente ser fatal se não houver um tratamento que possa ser disponibilizado.
Robert Green, um médico geneticista de Harvard (EUA), descreveu o telefonema que fez para um dos seus pacientes com uma mutação que provou ser benigna, como um dos "mais emocionantes" da sua vida como médico, num editorial. O trabalho de Vallabh e Minikel tirou o peso da dúvida do futuro do seu paciente. E provando que era possível permanecer saudável com uma mutação altamente penetrante, enquanto havia uma cópia saudável do gene, o trabalho abre o caminho para possíveis tratamentos futuros, talvez usando a edição genética.
O estudo também mostra a crescente importância da partilha de dados para desvendar o mistério de penetrância de um gene. A CEO da 23andMe, Anne Wojcicki, disse há muito tempo que achava que o verdadeiro valor da sua empresa seria concretizado pelas empresas farmacêuticas que iriam encontrar alvos para os fármacos com os seus dados. E portais de investigação como a Matchmaker Exchange estão a trabalhar num sistema padronizado para relatar internacionalmente descobertas genéticas e as suas implicações para a saúde, projetos tão grandes e ambiciosos como o de Vallabh e Minikel, tornam-se mais fáceis e rápidos.
Outro aspeto da história desta mulher, que poderia ser mais aplicável à vida de muitos pacientes, é que ela seria informada sobre uma doença incurável em primeiro lugar. Especialistas em ética médica ainda estão em debate sobre a possibilidade de dizer às pessoas o seu estado genético para as doenças, se não houver tratamento. A doença de Alzheimer é um grande exemplo. O American College of Medical Genetics and Genomics insta a que os médicos não testem para o gene APOE relacionado com a doença de Alzheimer porque essa informação só poderia ser prejudicial a uma pessoa, e não útil.
Mas a história de Vallabh é uma grande lição. Quando soube que era portadora de uma mutação neurodegenerativa fatal, ela decidiu agir. Nem todos os pacientes podem mudar de vida como Vallabh, que deixou o emprego e se tornar uma doutorada (PhD) pelo MIT. Mas qualquer um se pode capacitar e reunir informações, que Vallabh disse que foi o seu primeiro passo. A informação também pode inspirar um paciente a prever a necessidade de cuidados no futuro. Ou decidir não ter filhos.
Quando se trata de doenças genéticas, é importante dizer aos pacientes que querem saber diz Robert Green:

Por muitos padrões publicados e perspetivas de especialistas, Sonia deveria ter sido fortemente aconselhada, até dissuadida, sobre o potencial dano psicológico de saber se era portadora dessa mutação, com a suposição de que nenhum bom conhecimento médico poderia resultar de tal conhecimento. Mas a noção de capacidade de ação tem provado ser muito menos paroquial do que convenções presentes sugerem. Acumular evidências da divulgação do risco genético para uma única doença, para painéis de marcadores de risco genéticos, e por resultados inesperados potencialmente devastadores sugerem que quando os indivíduos desejam conhecer os seus riscos genéticos, eles conseguem em grande parte da informação de forma altamente construtiva. O poder da partilha desses conhecimentos com os pacientes pode, em alguns casos, ser exagerada por empresas de testes genéticos no complexo bioindustrial emergente, mas a capacitação dos doentes também parecem ser construções tangíveis, quantificáveis ​​que podem agitar as mudanças pessoais fundamentais e avanço na ciência.

Às vezes, isso leva a mais confusão. Um estudo recente mostrou que depois das pessoas receberam relatos das suas condições genéticas de uma empresa direta ao consumidor de testes genéticos, eram menos confiantes no seu conhecimento de genética. Isso é uma coisa boa. Isso significa que as pessoas não estão a tirar conclusões precipitadas sobre a sua saúde. Ao contrário, eles estão apropriadamente desconcertados pela informação extremamente complicada. Os médicos geneticistas são, também. Mas a ideia de que se deve proteger os pacientes de si próprios não é certamente a resposta. Basta perguntar a Vallabh e a Minikel.


MIT – Massachusetts Institute of Technology (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), EUA - é uma universidade privada de investigação localizada em Cambridge, Massachusetts, EUA. Fundada em 1861, em resposta à crescente industrialização dos EUA, o MIT adotou um modelo europeu  de ensino politécnico e salientou a instrução laboratorial em ciência aplicada e engenharia.


(artigo traduzido)