2 de dezembro de 2015

Preparação para as Redes Europeias de Referência

As Redes Europeias de Referência (RER) estão a criar uma estrutura de governação clara
para a partilha de conhecimentos e a coordenação de cuidados na Europa. Trata-se de redes de centros de referência, profissionais de saúde e laboratórios organizadas de forma transfronteiriça.

Devido à baixa prevalência e à complexidade das doenças raras, assim como à natureza reduzida e dispersa das populações de doentes, o sistema de RER que está a ser estabelecido pode trazer um valor acrescentado real às pessoas com doenças raras. As RER têm como objetivo dar aos profissionais de saúde acesso a conhecimentos especializados a que poderão não conseguir aceder no seu país.

Apresentação de candidaturas a Redes Europeias de Referência
A Comissão Europeia irá publicar um convite à apresentação de candidaturas por parte das redes que pretendam tornar-se RER.
A EURORDIS desenvolveu uma nova secção no seu site com ligações para materiais que explicam a forma de e preparar este processo de candidatura. O site sobre RER da Comissão Europeia define igualmente oprocesso de avaliação gradual das candidaturas das redes que pretendam tornar-se RER. Estão ainda disponíveis apresentações da recente 2.ª Conferência da Comissão Europeia sobre RER, incluindo uma apresentação sobre o ponto de vista do doente, de Yann Le Cam, Diretor Executivo da EURORDIS.
O Consórcio de Parceria para Avaliação da Excelência Clínica na Rede Europeia de Referência (PACE-ERN) (liderado pela EURORDIS em conjunto com a HOPE e a Accreditation Europa) foi convidado a desenvolver a proposta técnica para definir o manual e a caixa de ferramentas técnicas da Comissão Europeia para a avaliação das candidaturas das redes a RER. Este manual e caixa de ferramentas é constituído por duas partes:

Redes Europeias de Referência centradas nos doentes
Não é exigido por lei que as associações de doentes participem na governação e na avaliação das RER. Contudo, as RER são obrigadas a demonstrar que os cuidados são centrados nos doentes e que estes são capacitados.
Devido à complexidade e baixa prevalência das doenças raras e às limitações do acervo de conhecimentos sobre as doenças raras, o papel das pessoas que delas sofrem (enquanto especialistas nas suas doenças) no desenvolvimento de RER é ainda mais essencial. Para garantir o sucesso deste desenvolvimento, é vital que exista um maior nível de envolvimento dos doentes nos processos de tomada de decisões e de emissão de pareceres acerca das RER.
Adenda de junho de 2015 às Recomendações do EUCERD relativas às RER define recomendações detalhadas sobre a forma como os representantes dos doentes podem participar em pleno na criação de RER.

Grupos de Defesa dos Doentes da EURORDIS para as RER (EPAGs)
Não é exequível criar uma RER por cada uma das mais de 6000 doenças raras que existem. Por esse motivo, as RER serão organizadas segundo grupos de doenças. A proposta de lista de agrupamento está também incluída na página 7 da Adenda de junho de 2015
O objetivo da EURORDIS é garantir que todas as pessoas com doenças raras, incluindo as que ainda não foram diagnosticadas, encontrem um local de acolhimento dentro do sistema de RER, se não de imediato, pelo menos progressivamente ao longo dos próximos anos.
A EURORDIS está a criar um Grupo de Defesa dos Doentes (EPAGs - EURORDIS Patient Advocacy Groups) para cada agrupamento de RER. Estes EPAG agregarão representantes dos doentes eleitos das associações que integram a EURORDIS e assegurarão que a voz dos doentes é ouvida ao longo do processo de desenvolvimento das RER. Esta abordagem estruturada para a representação dos doentes nas RER permitirá à EURORDIS apoiar o envolvimento dos doentes e o apoio mútuo e a coesão entre os representantes.
Se pertencer a uma associação membro da EURORDIS e estiver interessado em envolver-se num EPAG, envie um e-mail para anja.helm@eurordis.org.

Eva Bearryman, Junior Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 02/12/2015
Page last updated: 02/12/2015




Depleção do DNA mitocondrial (mtDNA) em leucócitos de doentes com doença Machado-Joseph : um estudo piloto

Contribuição: Lima, Manuela
Fonte: Universidade dos Açores
Publicador: Universidade dos Açores
Tipo: Dissertação de Mestrado
Data(s): 05/10/2015
Língua(s): POR


Resumo:

Dissertação de Mestrado, Ciências Biomédicas, 5 de Outubro de 2015, Universidade dos Açores;
A doença de Machado-Joseph (DMJ), também denominada por ataxia espinocerebelosa do tipo 3 (SCA3; OMIM 109150; ORPHA 98757) é uma doença neurodegenerativa autossómica dominante de início tardio, caracterizada por uma expressão clínica variável. A mutação causal da DMJ corresponde a uma expansão instável da repetição CAG no exão 10 do gene ATXN3, localizado em 14q32.1. Esta expansão, traduzida num trato poliglutamínico expandido, concede à proteína ataxina-3 uma função tóxica. Estudos recentes sugerem que danos mitocondriais e variações no DNA mitocondrial (mtDNA) desempenham um papel importante nas doenças poliglutamina (poliQ), tais como a doença de Huntington, a ataxia espinocerebelosa do tipo 2, a SCA3 e a atrofia muscular espino-bulbar. A ocorrência destes danos, através da acumulação de alterações qualitativas e quantitativas, correlaciona-se com o declínio da função mitocondrial; dada a importância desempenhada pelas mitocôndrias em determinadas vias metabólicas, nomeadamente, apoptóticas, estas contribuem para o processo de envelhecimento, constituindo deste modo um fator de interesse nas doenças poliQ. As evidências atuais sugerem uma maior suscetibilidade aos efeitos do stress oxidativo e uma incapacidade de proteção contra os radicais livres. Para a DMJ a literatura científica disponível para alterações mitocondriais é reduzida e com resultados controversos, contudo alguns estudos parecem sugerir que, tal como em outras doenças poliQ, alterações nos mecanismos de proteção contra o stress oxidativo poderão desempenhar um papel na patogenicidade desta doença. Sendo que a alteração no número de cópias do mtDNA foi reportada na DMJ, o objetivo principal do presente estudo consiste na avaliação do potencial das alterações no número de cópias de mtDNA como biomarcador de estado e de progressão da DMJ.




Restabelecimento de ataxina-2 regula negativamente a tradução da ataxina-3 mutante e alivia a doença de Machado-Joseph

Clévio Nóbrega, Sara Carmo-Silva, David Albuquerque, Ana Vasconcelos-Ferreira, Udaya-Gita Vijayakumar, Liliana Mendonça, Hirokazu Hirai, Luís Pereira de Almeida


Resumo

A doença de Machado-Joseph é um distúrbio neurodegenerativo progressivo associado com a ataxina-3 expandida poliQ (codificada pela ATXN3), para o qual nenhuma terapia está disponível. Com o objetivo de esclarecer o mecanismo da neurodegeneração, a hipótese de que o trato poliQ anormalmente longo iria interagir de forma aberrante com a ataxina-2 (codificada pela ATXN2), uma outra proteína poliQ cuja função foi recentemente ligada à regulação translacional. Utilizando amostras de pacientes e de modelos animais e celulares, verificou-se que na doença de Machado-Joseph: (i) os níveis de ataxina-2 são reduzidos; e (ii) a sua localização subcelular é alterado para o núcleo. Restaurar os níveis de ataxina-2 através de sobre-expressão mediada por lentivírus: (i) reduziu os níveis da ataxina-3 mutante; e (ii) recatou os defeitos comportamentais e a neuropatologia num rato modelo transgénico da doença de Machado-Joseph. Inversamente (i) a mutação do motivo ataxina-2 que permite a ligação ao seu interator natural e ativador da tradução da proteína de ligação poli(A); ou (ii) sobre-expressando a proteína de ligação poli(A), teve efeitos opostos, aumentando a tradução e agregação da ataxina-3 mutante. Este trabalho sugere que, na doença de Machado-Joseph, a ataxina-3 mutante impulsiona uma redução anómala dos níveis da ataxina-2, que sobre-ativa a proteína de ligação poli(A), aumenta a tradução da ataxina-3 mutante e outras proteínas e agrava a doença de Machado-Joseph . O restabelecimento dos níveis de ataxina-2 reduz a ataxina 3 mutante e alivia a patogénese da doença de Machado-Joseph, abrindo um novo caminho para a intervenção terapêutica neste e potencialmente outros distúrbios poliQ.


(artigo traduzido)