29 de dezembro de 2015

ATAXIA

O que é
A ataxia de Friedreich é uma doença hereditária que causa danos progressivos no sistema nervoso resultando em sintomas que variam desde problemas de fraqueza muscular e da fala, por um lado, a doenças do coração, por outro. É chamada pelo nome do médico Nicholas Friedreich, que primeiro descreveu a condição em 1860. A "ataxia", que refere-se a problemas de coordenação, tais como movimentos desajeitados e falta de estabilidade, ocorre em muitas doenças e diferentes condições.
·         Possível cura
A ataxia não tem atualmente um medicamento ou tratamento cem por cento eficaz, mas as investigações para descobrir uma cura são uma constante. Estas investigações, conforme registrado pela Sociedade Espanhola de Neurologia (SEN), tentam encontrar alvos terapêuticos que possam, pelo menos, retardar a progressão da doença em pacientes afetados, concentrando-se em aspetos até então não estudados como células estaminais ou terapia genética.

Causas
A ataxia de Friedreich é uma doença autossómica recessiva, o que significa que o paciente deve herdar dois genes afetados, um de cada progenitor, para que a doença se desenvolva. Uma pessoa que tenha apenas uma cópia de um gene anómalo para uma doença genética recessiva tal como a ataxia de Friedreich é chamado um portador. O portador não irá adquirir a doença, mas pode passar o gene afetado para os seus filhos. Se ambos os pais são portadores do gene da ataxia de Friedreich, os seus filhos irão ter 1 em 4 hipóteses de ter a doença e 1 em 2 hipóteses de herdar um gene anómalo que, por sua vez, pode passar para os seus filhos. Cerca de 1 em 90 americanos de ascendência europeia são portadores do gene afetado.

Sintomas
Os sintomas geralmente começam entre 5 e 15 anos, mas em casos raros podem aparecer tão cedo quanto aos 18 meses ou tão tarde quanto aos 30 anos de idade. O primeiro sintoma a aparecer é geralmente a dificuldade em caminhar ou ataxia do andar. A ataxia piora progressivamente e propaga-se lentamente aos braços e depois ao tronco. Os sinais iniciais incluem deformidades nos pés, dobrando os dedos dos pés (movimentos consistentes em dobrar os dedos dos pés involuntariamente), dedos em forma de martelo e inversão dos pés (desvio para dentro). Ao longo do tempo, os músculos começam a enfraquecer e a atrofiar-se, especialmente nos pés, partes inferiores das pernas e mãos, e aparecem deformidades.
Outros sintomas incluem perda de reflexos, especialmente nos joelhos e pulsos e tornozelos. Muitas vezes, há uma perda gradual da sensibilidade nas extremidades, que se podem espalhar para outras partes do corpo. Aparece a disartria (dicção lenta ou indistinta) e a pessoa cansa-se facilmente. São comuns os movimentos rítmicos, rápidos e involuntários do globo ocular. A maioria das pessoas com ataxia de Friedreich adquirem escoliose (curvatura da coluna vertebral para um lado), que, se for grave, pode dificultar a ação da respiração.
Outros sintomas que podem ocorrer incluem dores no peito, falta de ar e palpitações cardíacas. Estes sintomas são o resultado de várias formas de doenças do coração, que muitas vezes acompanham a ataxia de Friedreich, tais como cardiomiopatia (alargamento do coração), miocardite (inflamação do revestimento do coração), fibrose miocárdica (formação de material semelhante a fibras nos músculos do coração) e insuficiência cardíaca.
Também são comuns as anomalias do ritmo cardíaco, tais como taquicardia (batimento cardíaco rápido) e bloqueio cardíaco (condução prejudicada dos impulsos cardíacos dentro do coração). 20 por cento ou mais de pessoas com ataxia de Friedreich adquirem intolerância aos carboidratos e 10 por cento adquire diabetes mellitus. Algumas pessoas perdem a capacidade de ouvir ou ver. A forma como a doença progride varia de pessoa para pessoa. Geralmente dentro de 15-20 anos após os primeiros sintomas aparecem, a pessoa está confinada a uma cadeira de rodas e em estágios posteriores da doença, as pessoas ficam totalmente incapacitadas. A esperança de vida é muito afetada e a maioria das pessoas com ataxia de Friedreich morrem no início da idade adulta, se há também doença cardíaca grave, a causa mais comum de morte. No entanto, algumas pessoas com sintomas menos graves de ataxia de Friedreich viver muito mais tempo.

Tipo
Embora a ataxia de Friedreich seja a mais comum de todos, existem cerca de 200 tipos diferentes de ataxias. Destas, cerca de 160 têm a sua localização cromossómica conhecida.
Globalmente as ataxias podem ser classificadas da seguinte forma:
·         Ataxia cerebelosa
Quando há alterações no cerebelo ou nas suas conexões. Provoca movimentos descoordenados e passos irregulares e cambaleantes. Também dá origem a um discurso instável que afeta o tom e o volume da voz. Pode ser:
- Hereditária autossómica recessiva. Abrange sete em 100.000 casos de doenças neurológicas. Normalmente ocorre antes dos 20 anos e provoca o desenvolvimento anómalo do cerebelo e da medula espinhal. As mais comuns são a ataxia de Friedreich e a ataxia telangiectasia.
- Hereditária autossómica dominante. O cerebelo apresenta disfunções que causam descoordenação na atividade muscular, apresentando um desequilíbrio constante e até tonturas.
- Hereditária episódica. Causa episódios recorrentes de vertigem ou outros sintomas típicos de ataxia.
- Hereditária ligada ao X. Provoca sintomas secundários aos habituais numa ataxia, tais como demência, surdez ou espasticidade.
- Adquirida. É gerada por uma doença que afeta o cerebelo, tais como tumores, acidentes vasculares cerebrais, hemorragias ou lesões demielinizantes. Pode ter uma origem tóxica (álcool, drogas), autoimune (glúten, doenças autoimunes), deficiências nutricionais (vitamina B12, vitamina E) ou associada a doenças degenerativas (atrofia).
·         Ataxia Sensorial
Afeta as colunas posteriores do gânglio da raiz dorsal ou do trato espinocerebeloso. Normalmente apresenta-se com sintomas como perda de equilíbrio ou de fechar os olhos.
·         Ataxia labiríntica
Afeta o sistema vestibular e do labirinto (ouvido). Provoca desequilíbrios.

Diagnóstico
Os médicos diagnosticam a ataxia de Friedreich através da realização de um exame clínico cuidadoso, que inclui um historial médico e um exame físico completo.
Os testes que podem ser feitos incluem:
- Eletromiograma (EMG), que mede a atividade elétrica das células musculares.
- Estudo da condução nervosa, que mede a taxa a que os nervos transmitem impulsos.
- Eletrocardiograma (ECG), que dá uma apresentação gráfica da atividade elétrica ou padrão de batimento cardíaco.
- Ecocardiograma, que registra a posição e o movimento do músculo cardíaco.
- Investigações de imagens de ressonância magnética (MRI) ou tomografia computadorizada (TAC), que fornece uma imagem do cérebro e da medula espinhal.
- Punção lombar (PL) para avaliar o fluido cerebrospinal.
- Análises ao sangue e urina para avaliar altos níveis de glicose.
- Testes genéticos para identificar os genes afetados.

Tratamentos
Como muitas doenças degenerativas do sistema nervoso, não existe atualmente nenhuma cura ou um tratamento eficaz para a ataxia de Friedreich. No entanto, muitos dos sintomas e das complicações associadas a esta doença podem ser tratados para ajudar os pacientes a manter um ótimo funcionamento pelo maior tempo possível. A diabetes, se estiver presente, pode ser tratada com dieta e medicamentos como a insulina, e alguns dos problemas cardíacos podem ser tratados com medicamentos também. Os problemas ortopédicos, tais como deformidades nos pés e escoliose podem ser tratados com aparelhos ortopédicos ou cirurgia. A fisioterapia pode prolongar o uso dos braços e das pernas. Os cientistas esperam que os recentes avanços na compreensão da genética associados à ataxia de Friedreich possam levar a grandes avanços no tratamento.

Outros dados
A ataxia de Friedreich é a primeira doença genética recessiva conhecida provocado pela expansão da repetição tripleta. Embora 98 por cento dos portadores de ataxia de Friedreich tenha uma expansão repetida três vezes genética em particular, não é assim em todos os casos da doença. Uma proporção muito pequena de indivíduos afetados têm outros defeitos de codificação genética que são responsáveis ​​pela doença. A expansão da repetição tripla perturba aparentemente a conversão normal de aminoácidos para proteína, reduzindo grandemente a quantidade de frataxina é produzida.
A investigação indica que sem um nível normal de frataxina, certas células no corpo (em especial as células do cérebro, espinal medula e músculos) não podem suportar quantidades normais de “stress oxidativo" produzido pelas mitocôndrias, plantas produtoras de energia das células. Esta indicação da possível causa da ataxia de Friedreich foi descoberta depois dos cientistas realizarem estudos utilizando uma proteína de levedura semelhante à estrutura da frataxina humana. Descobriram que a ausência desta proteína na célula da levedura levou a uma concentração tóxica de ferro nas mitocôndrias da célula. Quando o excesso de ferro reage com o oxigénio, são produzidos radicais livres. Embora os radicais livres sejam moléculas essenciais para o metabolismo do corpo, também podem destruir as células e causar danos corporais.
A ataxia é uma doença com um aumento dos custos sociais e de saúde, de acordo com a Sociedade Espanhola de Neurologia. O custo total do tratamento da doença em Espanha atingiu 167 milhões de euros, dos quais 21 milhões são custos diretos de cuidados de saúde.
·         A classificação histológica
Os seres humanos têm duas cópias de cada gene - uma herdada da mãe e uma do pai. Os genes estão localizados em lugares concretos, em cada um dos 46 cromossomas do indivíduo, que são cadeias de ADN em forma de espiral apertada contendo milhões de produtos químicos chamados bases. Estas bases - adenina, timina, citosina e guanina – chamam-se em forma abreviada A, T, C e G. Algumas bases sempre se "aparentam" (A com T, G com C) e diferentes combinações de pares de base unem-se em conjuntos de três para formar mensagens codificadas. Estas mensagens codificadas são "receitas" para fabricar aminoácidos, os blocos de construção das proteínas.
Ao combinarem-se em sequências longas, como números de telefone longos, as bases "emparelhados" dizem a cada célula como reunir proteínas diferentes. As proteínas são as células, tecidos e enzimas especializadas que o nosso corpo necessita para funcionar normalmente. A proteína que é alterada na ataxia de Friedreich é chamada de frataxina. Em 1996, uma equipa internacional de cientistas identificou a causa da ataxia de Friedreich como um defeito num gene localizado no cromossoma 9. Por causa do código anómalo herdado, uma determinada sequência de bases (GAA) é repetida muitas vezes. Normalmente, a sequência GAA é repetida 7 a 22 vezes, mas em pessoas com ataxia de Friedreich, repete-se de 800 a 1000 vezes. Esse tipo de anomalia é chamada expansão da repetição tripla e tem sido apontada como a causa de várias doenças de herança dominante.
·         Epidemiologia
Cerca de 1 em 90 americanos de ascendência europeia é portador do gene afetado. No caso da Espanha, existem mais de 8.000 casos de ataxia diagnosticados até 2014, de acordo com dados coletados pela SEN.
·         Etiologia
Na ataxia de Friedreich, a ataxia resulta na degeneração do tecido nervoso na medula espinhal e dos nervos que controlam o movimento muscular nos braços e pernas. A medula espinhal fica mais fina e as células nervosas perdem alguns de seus revestimentos de mielina - camada isolante em todas as células nervosas que ajuda a transmitir os impulsos nervosos.
·         História
É chamada pelo nome do médico Nicholas Friedreich, que primeiro descreveu a condição em 1860 As ataxias dominantes foram descobertos mais tarde, como a ataxia dominante, identificado em 1893 por Pierre Marie, ou outras variedades descobertas por Harding, em 1982.


(artigo traduzido)



26 de dezembro de 2015

Estudo de ressonância magnética longitudinal mostra dano piramidal progressivo na ataxia de Friedreich

Rezende TJ, Silva CB, Yassuda CL, Campos BM, D'Abreu A, Cendes F, Lopes-Cendes I, França MC Jr


Resumo

INTRODUÇÃO:
A medula espinhal e os nervos periféricos são conhecidos classicamente como sendo danificados na ataxia de Friedreich, mas a extensão do envolvimento cerebral na doença e na sua progressão ao longo do tempo ainda não são caracterizados. O objetivo deste estudo foi o de avaliar o dano cerebral longitudinalmente na ataxia de Friedreich.
MÉTODOS:
Foram incluídos 31 pacientes e 40 controlos, que foram avaliados no início do estudo e após 1 e 2 anos. Para avaliar a massa cinzenta, empregamos morfometria baseada em voxel e medidas de espessura cortical. A substância branca foi avaliada utilizando as imagens de um tensor de difusão. As análises estatísticas foram ambas em corte transversal e longitudinal (corrigido para comparações múltiplas).
RESULTADOS:
A comparação de grupo entre pacientes e controlos revelou diferenças macroestruturais generalizadas no início do estudo: atrofia da substância cinzenta nos núcleos dentados, tronco cerebral, e giros precentrais; e atrofia da substância branca no cerebelo e pedúnculos cerebelosos superiores, tronco cerebral, e áreas periventriculares. Não identificamos qualquer alteração volumétrica longitudinal ao longo do tempo. Houve extensas alterações microestruturais, incluindo pedúnculos cerebelosos superiores, corpo caloso, e tratos piramidais. A análise longitudinal identificou anomalias progressivas microestruturais no corpo caloso, tratos piramidais, e pedúnculos cerebelosos superiores após 1 ano de seguimento.
CONCLUSÃO:
Os pacientes com ataxia de Friedreich apresentam danos nas substâncias cinzenta e branca mais difundidos do que anteriormente relatados, incluindo não apenas as áreas infratentoriais, mas também as estruturas supratentoriais. Além disso, os pacientes com ataxia de Friedreich têm anomalias microestruturais progressivas passíveis de deteção num seguimento a curto prazo.


(artigo traduzido)




22 de dezembro de 2015

Os níveis da proteína frataxina podem determinar a natureza da doença ataxia de Friedreich

Estudo constata que tipo de mutação desempenha um papel nos níveis de proteína encontrada nas células


Um estudo recente liga os níveis da proteína frataxina às características da doença em pacientes com ataxia de Friedreich (AF). O artigo, intitulado "Os níveis de frataxina em tecidos periféricos, na ataxia de Friedreich", foi publicado na revista Annals of Clinical and Translational Neurology.

A AF é uma doença neurológica progressiva que danifica o sistema nervoso, resultante de uma mutação num gene chamado frataxina (FXN). Em 98% dos indivíduos afetados, a mutação expande a repetição da sequência dos ‘blocos de construção’ dos nucleotídeos (guanina-adenina-adenina, ou GAA) no FXN.

Os investigadores exploraram a relação entre os níveis da proteína frataxina e as características da doença. Um total de 521 pacientes com AF sem diferenças significativas na média de idade ou sexo, dos quais 306 eram portadores e 120 serviram como controle, foram considerados para este estudo. As amostras de sangue e de células bucais foram extraídas dos indivíduos em visitas clínicas. Além disso, a equipa injetou o gene frataxina mutante em células de rim humanas para criar mutações no interior das células.

Os resultados não sugeriram qualquer prova do aumento dos níveis da proteína frataxina ao longo do tempo, apesar de um pequeno aumento ter sido detetado ao longo de décadas, por meio de análise de regressão linear. Em ambos os tecidos, afetados e não afetados, o número de repetições GAA estavam ligados aos níveis da proteína frataxina expressada que, por sua vez, foram associadas à idade. Os pacientes com menor número de repetições GAA tinham níveis reduzidos de frataxina quando comparados com pacientes com número de repetições GAA mais elevadas. Mais importante, os níveis da proteína frataxina foram ligado a tipos de mutação, com alguns a reduzir os níveis de frataxina e outros a manter os níveis normais da proteína, quer in vitro, in vivo ou ambos.

Estes resultados destacam a ligação entre os níveis da proteína frataxina e as características da doença em pacientes com AF. No entanto, vários mecanismos podem contribuir para os níveis elevados de frataxina no sangue de alguns pacientes. "Assim, o presente trabalho demonstra a complexidade dos níveis de frataxina periféricos na AF, e a necessidade da consideração de múltiplos fatores na interpretação dos resultados de estudos de intervenção clínica", concluem os autores.


(artigo traduzido)




Novas provas mostram o envolvimento de células gliais na ataxia de Friedreich

A falta de frataxina em astrócitos humanos aciona a morte de astrócitos e provoca toxicidade neuronal


Os investigadores há muito que sabem que - devido a uma mutação genética - os níveis da proteína frataxina estão diminuídos na ataxia de Friedreich. Devido à natureza neurológica da doença, os efeitos da mutação têm principalmente sido estudados em neurónios no sistema nervoso central, e não se sabe muito sobre a contribuição doutros tipos de células para a doença.

Num artigo, chamado "O derrube da frataxina em astrócitos humanos desencadeia a morte celular e a libertação de fatores que causam toxicidade neuronal", Frida Loría e Javier Díaz-Nido, no Centro de Biologia Molecular Severo Ochoa, a Universidade Autónoma de Madrid, e o Centro para Investigação Biomédica sobre Doenças Raras (CIBERER) - todos em Madrid, Espanha - descrevem os resultados dos seus estudos da frataxina em culturas celulares em astrócitos. O estudo, publicado na edição de abril 2015 da revista Elsevier Neurobiology of Disease, oferece uma nova forma de acerca dos défices neuronais na ataxia de Friedreich.

Os astrócitos foram por muito tempo considerados como constituindo apenas uma matriz de suporte para os neurónios, por vezes referido como “cola cerebral”. Os cientistas sabem agora que os astrócitos - o tipo de célula glial mais abundante no sistema nervoso central - cumpre um grande número de tarefas no cérebro e medula espinhal. Os astrócitos regulam o fluxo sanguíneo e o uso de energia, fornecem suporte mecânico, e protegem os neurónios contra danos oxidativos. Mais importante, no entanto, eles têm a capacidade de modular a atividade dos neurónios por libertação de substâncias próprias, tais como citocinas e fatores de crescimento. Em analogia com o termo neurotransmissão, o termo gliotransmissão tem agora sido geralmente adaptado para descrever a sinalização modulatória pelas células gliais.

Ao derrubar o gene que codifica a frataxina em astrócitos humanos cultivados, a equipa conseguiu reduzir a expressão genética e proteica em células a um nível semelhante ao que é encontrado em pacientes: 10% para 25% dos valores normais.

A frataxina é uma proteína encontrada na mitocôndria das células, que são produtoras de energia celular. O estudo descobriu que além de terem uma forma anómala nos astrócitos com falta de frataxina, as mitocôndrias produziram níveis mais elevados de superóxido - um oxidante tóxico para os neurônios.

De acordo com esta conclusão, os investigadores observaram que a sobrevivência celular e o número total diminuiu no seguimento do derrube da frataxina nos astrócitos. A equipa considera que esta conclusão está ligada ao aumento da atividade de p53, p21 e caspase-3 ativado, um trio molecular geralmente envolvidos em apoptose (morte celular programada).

Considerando que os astrócitos são uma importante fonte de citocinas inflamatórias, fatores de crescimento e outras moléculas de sinalização no cérebro, a equipa também decidiu olhar para as substâncias segredadas pelas células para o meio da cultura. Como se esperava, os astrócitos a que falta frataxina exibiram secreção anómala de 55 moléculas diferentes, principalmente associados com o crescimento celular, imunidade e inflamação. Tal perfil altamente alterado de fatores de sinalização segregados é suscetível de ter um efeito profundo sobre os neurónios. Para testar esta hipótese, os cientistas então cultivaram neurónios de rato no meio recolhido de culturas deficientes de astrócitos. Os neurónios, cultivados no ambiente molecular de astrócitos a que falta frataxina, não se desenvolvem normalmente, mostrando um decréscimo de 50% na ramificação de processos celulares (axónios e dendrites), bem como da densidade neuronal.

O estudo confirma que a frataxina é crucial não apenas para os neurónios, mas também para a função normal da astroglia. É um lembrete importante para a comunidade de investigação para estudar outros tipos de células para além dos neurónios na ataxia de Friedreich. Mais importante, no entanto, aponta para a necessidade de investigar mais interações entre os neurónios e as células gliais para melhor compreender doenças neurológicas, como a ataxia de Friedreich.


(artigo traduzido)




18 de dezembro de 2015

Ataxia espinocerebelosa 28: uma nova mutação AFG3L2 numa família alemã com início cedo, progressão lenta e desaceleração sacádica

Christine Zühlke, Barbara Mikat, Dagmar Timmann, Dagmar Wieczorek, Gabriele Gillessen-Kaesbach e Katrin Bürk



Resumo

Antecedentes
A ataxia espinocerebelosa tipo 28 (SCA28) está relacionada com mutações do gene família genética ATPase 3 semelhante ao 2 (AFG3L2). Até à data, 13 mutações missense privadas foram identificadas em famílias de ascendência francesa, italiana e alemã, mas no geral, o distúrbio parece ser raro na Europa. Aqui, relatamos uma linhagem de descendência alemã com quatro membros da família afetados que se apresentam com ataxia lentamente progressiva, sinais de trato piramidal leves e sacádas lentas.

Métodos
Após a exclusão das repetições das expansões nos genes para as SCA1-3, 6-8, 10, 12 e 17, foi feito um sequenciamento Sanger das regiões codificadoras do TTBK2 (SCA11), KCNC3 (SCA13), PRKCG (SCA14), FGF14 (SCA27) e AFG3L2 (SCA28). Os 17 exões codificadores do AFG3L2 com sequências intrónicas flanqueadoras foram amplificados por PCR e sequenciados em ambas as cadeias.

Resultados
A sequenciação detetou uma nova mutação potencial missense (p.Y689N) no domínio proteolítico do terminal C, o ponto de acesso mutacional do AFG3L2. O programa online "PolyPhen-2" classifica esta troca de aminoácidos como provavelmente prejudicial (resultado 0,990). Da mesma forma que a maioria das mutações SCA28 publicadas, a nova mutação está localizada no exão 16. As mutações no exão 16 alteram a atividade proteolítica da protease AFG3L2 que é altamente expressa em células Purkinje.

Conclusões
Os testes genéticos devem ser considerados na ataxia dominante com sinais de trato piramidal e desaceleração sacádica.


 (artigo traduzido)




Christine Zühlke, Barbara Mikat, Dagmar Timmann, Dagmar Wieczorek, Gabriele Gillessen-Kaesbach e Katrin Bürk



17 de dezembro de 2015

Vírus do herpes podem infectar neurônios

Vírus do herpes podem infectar neurônios: Isto pode explicar a estranha conexão entre determinados tipos do vírus do herpes e algumas condições neurológicas.

16 de dezembro de 2015

Concurso Fotográfico de 2015 da EURORDIS: Os vencedores são...

Com mais de 00 participações de todo o mundo, o Concurso Fotográfico da EURORDIS constitui uma oportunidade de realçar o que significa viver com uma doença rara.
Agradecemos a todos os que enviaram as suas fotografias e a todos os que se dispuseram a votar. Pode ver a galeria completa das fotografias apresentadas a competição aqui!
Este ano houve três categorias: Voto do Público, atribuído à fotografia que recebeu mais votos online; Escolha do Especialista, prémio atribuído pelo fotógrafo Rick Guidotti, e o Prémio Instagram (novidade deste ano!), atribuído pela fotógrafa da National Geographic Ami Vitale a uma fotografia submetida através do Instagram.

Prémio Instagram


A vencedora do Prémio Instagram vem dos EUA e é uma fotografia de Eli e da égua Lucy. Eli tem 10 anos e sofre de uma doença genética rara denominada anemia de Fanconi. Eli é um dos menos de 1000 casos conhecidos em todo o mundo.
Ami Vitale escolheu esta imagem por «revelar intimidade, força e vontade de superar os obstáculos. Apesar de todas as dificuldades por que Eli tem passado, nada nem ninguém o para. Como disse Mahatma Gandhi, "A força não provém da capacidade física, mas da vontade inabalável"».

Escolha do Especialista


O Prémio do Especialista vai para uma fotografia de Luca, da Suíça, que tem atrofia muscular espinhal. A fotografia intitula-se «Easy Rider».
Rick Guidotti selecionou esta fotografia por «revelar a essência da esperança, da força, do apoio, da comunidade e da resistência. A imagem não foca uma síndrome incapacitante, não fala de incapacidade, doença ou limitações. Esta imagem espantosa ilumina possibilidades. Easy Rider apresenta a humanidade de forma poderosa e cheia de significado.»

Voto do Público


A foto vencedora, conforme votação do público, é de Lucas e vem de Espanha. Lucas sofre de osteogénese imperfeita. Mesmo tendo recentemente fraturado o braço, Lucas não perdeu o desfile anual das históricas Guerras Cantábricas!

Eva Bearryman, Junior Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 15/12/2015
Page last updated: 16/12/2015




15 de dezembro de 2015

Viver com ataxia e partilhar consciencialização

Em apenas alguns anos, Josee Bull passou de uma vida cheia de atividade diária para uma em que uma viagem ao supermercado é um grande feito.

Agora a viver com ataxia cerebelosa degenerativa, Bull tem uma doença de que nunca tinha ouvido falar até alguns anos atrás.

"Não há um diagnóstico de certeza, porque a única maneira para um diagnóstico definitivo é através de autópsia", disse Bull, 52. "Eu fui diagnosticada há três anos com ataxia, que não tem cura ou tratamento conhecido."

De acordo com a Fundação Nacional de Ataxia (NAF – National Ataxia Foundation), a palavra "ataxia" vem da palavra grega "a taxis", que significa "sem ordem" As pessoas com ataxia têm problemas com a coordenação, porque partes do sistema nervoso que controlam o movimento e equilíbrio são afetadas. A ataxia pode afetar os dedos, mãos, braços, pés, corpo, fala e movimentos oculares.

"Os meus movimentos, equilíbrio e coordenação foram-se todos cerca de um ano antes de ir médico. Finalmente consegui ir a um neurologista quando eu estava de visita a Alberta (Canadá) e ele me disse que eu tinha ataxia, diagnosticada através de uma ressonância magnética. "

Antes de ser diagnosticada com esta doença rara, Bull foi proprietária e trabalhou na loja UPS no centro de Vernon (Canadá) por cinco anos. Depois de ela vender a loja, ela e o seu companheiro, Sean, geriram uma estância de férias no Douglas Lake Ranch (Canadá) antes de se mudarem para Armstrong (Canadá), há cerca de um ano.

"A trabalhar na estância de férias, tínhamos muitos convidados todos os dias e sentimos falta dessa parte", disse ela. "Eu costumava treinar todos os dias. Eu era muito ativa, era uma corredora, também uma motociclista entusiasta toda a minha vida, desde os 18. Mas eu ia notando que o meu equilíbrio não estava bem, mas ao princípio não pensei que fosse algo de grave.

"Eles dizem que as causas são, provavelmente, ambientais ou genéticas. Eles fizeram testes genéticos, mas eu não tenho uma causa genética."

A forma de ataxia que Bull tem significa que o cerebelo - a parte inferior do cérebro - é afetado. A área afetada está a encolher e vai continuar a encolher.

"A atrofia do cerebelo causa a ataxia. Todos têm ataxia; quando se fica mais velho, tem-se ataxia devido à degeneração cerebral. Mas para mim, porque está a acontecer numa idade precoce, é mais rápido e mais cedo do que todos os outros.

"Eu vou morrer de asfixia, porque eu tenho dificuldades na deglutição e respiração, mas isso afeta a todos de forma diferente.

"Para mim, é a fala e a nível urinário -todas as pequenas coisas em que não pensamos até ter dificuldades com as mesmas."

Originária de Montreal (Canadá), Bull tem uma filha adulta e dois netos e disse que Sean, o seu companheiro de há mais de uma década, é um enorme apoio para ela. Mas acrescentou que a doença tem pesado na sua relação porque é afetada a sua capacidade para aproveitar as atividades que ela costumava ter por garantidas, desde coisas simples como ir ao supermercado até jantar na casa de amigos.

"Se Sean for para Askew (Canadá), eu poderia ir para lhe fazer companhia, mas tem sido difícil para a nossa relação", disse ela. "Tem piorado ao longo dos anos. Eu só saio para ir fazer as compras ou algo assim.

"Além disso, eu faço exercícios a partir do momento que eu acordo: exercícios respiratórios e de fala e pequenos exercícios motores para as minhas mãos; tenho uma bola maleável para as minhas mãos que eu aperto; faço exercícios de equilíbrio.

"Eu não sei se isso ajuda a atrasar a progressão, mas ajuda-me a lidar com isso. Se eu não fizesse tanto movimento, passaria o dia todo a ver televisão e eu não quero ver televisão durante o dia."

Bull agora usa um andarilho para se locomover, mas disse que uma cadeira de rodas está no seu futuro.

"Antes, eu era capaz de andar na rua, mas não posso mais fazer isso. Em setembro comecei a frequentar um centro de dia em Enderby (Canadá) e que ajuda, mas todas as pessoas são mais velhas.

"A minha filha está em Calgary (Canadá) e tem a sua família, a minha irmã e meu irmão estão em Montreal (Canadá), por isso é difícil."

Enquanto o seu cão boxer, Ty, lhe faz companhia, Bull encontra apoio através dos grupos das redes sociais a que ela pertence, tudo a ver com a ataxia.

Bull está à espera de passar o Natal em Calgary (Canadá) com a filha e netos, mas tal pode não ser possível devido à longa viagem.

"A minha filha quer que eu vá passar o Natal com ela. Eu não sei se posso, mas nós temos uma carrinha que tem uma casa-de-banho por isso pode ser possível.

"Os netos têm apenas sete e nove anos e eles sabem que estou doente - eles andam no meu andarilho e alcançam-me as coisas.

"Mas a minha filha diz que ‘aquela não é a minha mãe’, porque ela me conhece como uma pessoa muito forte."

Bull não está em busca de pena, o que ela espera ver é a consciencialização da doença que afeta 25.000 pessoas no Canadá. Mas a sua raridade significa que não existem grupos de apoio no distrito de North Okanagan (Canadá).

Embora haja muita consciencialização em torno de doenças como Parkinson e Alzheimer, Bull disse que pouco se sabe sobre ataxia.

"Acima de tudo, o que eu gostaria é de consciencialização sobre a doença e para a Fundação Nacional de Ataxia (NAF – National Ataxia Foundation).

"Mas seria bom se eu conhecesse mais pessoas com a doença."


NAF – National Ataxia Foundation: http://www.ataxia.org


(artigo traduzido)




13 de dezembro de 2015

Meninas de Airdrie (Canadá) com ataxia de Friedreich recebem casa de doador anónimo

Kadence Leavitt, 11, e Addison, 9, têm doença rara que as vai confinar a cadeiras de rodas

Kadence e Addison Leavitt nadam, fazem ioga e andam a cavalo, como a única coisa que os médicos podem
recomendar a pacientes com AF que estão a viver um estilo de vida ativo
Um doador anónimo voluntariou-se para comprar uma casa para uma mãe solteira em Airdrie (Canadá), cujas filhas têm uma doença rara que vai confiná-las a cadeiras de rodas.

No início deste ano, Shanna Leavitt soube que as suas duas filhas Kadence, 11, e Addison, 9, têm ataxia de Friedreich - uma doença genética rara que deteriora lentamente os músculos e afeta os olhos e o coração.

A doença não tem cura.

"Eu não sei como agradecer as pessoas o suficiente", disse Leavitt quando ela foi informada sobre o doador anónimo no início deste mês, rodeada pelas suas três irmãs e amigos íntimos.

Surpresa emocionada
Shanna Leavitt desfaz-se em lágrimas, após saber
da doação

"É incrível como generoso e quão grande é o coração das pessoas", disse ela enquanto as lágrimas escorriam pelo seu rosto.

Os Leavitts tomam posse do seu bungalow em abril, mas ainda precisam de angariar arrecadar dinheiro para tornar a casa acessível para cadeiras de rodas.

O "incrivelmente generoso" anjo investidor comprou a casa, e vai pagar a hipoteca até que Leavitt possa, ela própria, assumir os pagamentos, disse a organizadora voluntária Bridget Brown.

A família está-se a candidatar a fundos de apoio e à procura de comerciantes para doar os seus serviços.

A mãe Shanna Leavitt disse que Addison, à esquerda, em breve necessitará de um
andarilho para se locomover


(artigo traduzido)




12 de dezembro de 2015

Cardiomiopatia na ataxia de Friedreich detetada através de um ECG

Os investigadores dizem que a eletrocardiografia, ou ecocardiograma, é capaz de detetar problemas cardíacos precoces em pacientes com AF


Um novo estudo indica que uma avaliação completa da função cardíaca pode identificar a cardiomiopatia na maioria das pessoas com ataxia de Friedreich (AF), e que a eletrocardiografia, ou ecocardiograma, especialmente, mostra anomalias cardíacas precoces. O trabalho, intitulado "A cardiomiopatia na ataxia de Friedreich - Novo biomarcador para encenar envolvimento cardíaco", apareceu no International Journal of Cardiology.

A AF é causada pela hereditariedade de defeitos no gene da frataxina, transmitido por ambos os progenitores. Quando a proteína codificada por este gene está esgotada, isso resultada em danos do sistema nervoso, que conduzem tipicamente a uma perda de coordenação, visão diminuída, e fadiga. Os problemas do coração são também uma consequência comum, de modo a que a triagem para alterações cardíacas é particularmente importante.

Participaram no estudo trinta e duas pessoas com AF, com o diagnóstico confirmado por análise genética. Os investigadores avaliaram os participantes do estudo, utilizando um eletrocardiograma (ECG) em repouso, assim como outros testes padrão: um ECG-Holter de 24 horas, ecocardiografia, ou ecocardiograma, com acompanhamento de imagem, ressonância magnética cardíaca (cMRI) com realce da imagem final (por fibrose de substituição), e medição de alta sensibilidade da troponina T (hsTNT). Também compararam imagens dos corações dos pacientes às obtidas cinco anos antes.

Fazendo uso destes métodos de avaliação, a equipa arranjou um método para identificar clinicamente a degeneração do músculo cardíaco (cardiomiopatia) em pessoas com AF. No seu relatório, observam que "em todos, menos em dois pacientes, ela [cardiomiopatia] poderia ser detetada (94%)." Especificamente, eles foram capazes de identificar a cardiomiopatia (CM) através da avaliação dos níveis de alta sensibilidade da troponina T, fibrose (cicatrização do coração), e anomalias usando o ECG. O melhor método para a deteção dos problemas cardíacos relacionados com a AF nos seus estágios iniciais foi o ECG, que identificou diferenças elétricas no ritmo cardíaco.

Os investigadores concluíram, "A avaliação cardíaca completa irá desvendar CM estabelecida em quase todos os pacientes com AF, com alterações eletrocardiográficas como primeiros sinais."

Adotando esses métodos no uso clínico podem levar a problemas cardíacos, cardiomiopatia especificamente, a ser detetada e tratada no início em pacientes com AF. A miocardiopatia pode ser um problema que limita da vida das pessoas com AF, e a sua identificação e tratamento precoce pode melhorar a sua qualidade de vida.


ECG – eletrocardiograma


(artigo traduzido)




11 de dezembro de 2015

Lançamento do novo site para o Dia das Doenças Raras de 2016!

O Dia das Doenças Raras de 2016 terá lugar no dia 29 de fevereiro de 2016, também ele um dia raro!
O principal objetivo deste Dia é aumentar a sensibilização para as doenças raras e para o impacto que elas têm na vida dos doentes.
Não deixe de ver o novo site da RareDiseaseDay.org!
O ano de 2016 assinala a nona edição destemovimento centrado nos doentes. Por todos os continentes, decorrerão milhares de eventos que chegarão às pessoas com doenças raras e às suas famílias.
A EURORDIS, em parceria com uma rede de 37 associações nacionais de doentes, apela a doentes, famílias, associações de doentes, cuidadores, profissionais de saúde, responsáveis pela tomada de decisões, indústria, investigadores e quaisquer pessoas com interesse nas doenças raras que ajudem afazer das doenças raras o centro das atenções!

Tema e slogan do Dia das Doenças Raras de 2016
O tema de 2016, A voz dos doentes, reconhece o papel crucial que os doentes têm na expressão das suas necessidades e em promover mudanças que melhorem a sua vida e a das suas famílias.
O slogan de 2016, Junte-se a nós para dar voz às doenças raras, apela a um público mais vasto, às pessoas que não têm uma doença rara ou não são diretamente afetadas por uma para que se juntem à comunidade das doenças raras e deem a conhecer o impacto que estas têm.

Participe
·         Para assinalar a ocasião do Dia das Doenças Raras, a EURORDIS e os seus parceiros irão realizar um simpósio multiparticipado de dois dias sobre a melhoria do acesso dos doentes a terapias para as doenças raras, em Bruxelas, a 24 e 25 de fevereiro de 2016. Para mais informações sobre a inscrição e preços, queira enviar um e-mail para anne-mary.bodin@eurordis.org.
·         Se não lhe for possível estar presente neste evento, a sessão de abertura, em que um dos principais oradores será Philippe de Backer, Deputado do Parlamento Europeu pela Bélgica, será transmitida ao vivo no site eurordis.org (com acesso livre através de uma hiperligação a ser indicada posteriormente). Vytenis Andriukaitis, Comissário Europeu para a Saúde e Segurança Alimentar, também irá participar nesse dia. Pouco depois do evento, a EURORDIS TV irá disponibilizar online um vídeo do seu discurso.
·         No dia 23 de fevereiro, das 16h00 às 17h30, hora portuguesa, será também transmitida ao vivo nosite eurordis.org (com acesso livre), a partir de Bruxelas, a Cerimónia da Entrega dos Prémios da EURORDIS para 2016. Assista e fique a conhecer os vencedores dos Prémios de 2016!

Há muitas outras formas de participar no Dia das Doenças Raras de 2016:
Torne-se amigo do Dia das Doenças Raras, levante e dê as mãos, organize e publique o seu próprio evento,conte a sua história sobre doenças raras e fique atento às notícias da nova campanha "Big Moment" nas redes sociais!
Também pode transferir o novo logótipo do Dia das Doenças Raras aqui.
No próximo Dia das Doenças Raras, Junte-se a nós para dar voz às doenças raras. Juntos, podemos amplificar a Voz dos doentes para que todo o mundo a ouça!

Eva Bearryman, Junior Communications Manager, EURORDIS
Tradutores: Ana Cláudia Jorge e Victor Ferreira
Page created: 11/12/2015
Page last updated: 11/12/2015




10 de dezembro de 2015

Num paciente com ataxia de Friedreich, o estudo da capacidade afetada de mutação das proteínas em dobrar sugere que as mutações da frataxina podem ser abordagem terapêutica para alguns pacientes com AF



Os investigadores têm mostrado que um novo potencial alvo terapêutico para pacientes com ataxia de Friedreich (AF) pode ser uma mutação que causa falha na dobra de proteínas específicas, o que resulta em concentrações de proteínas reduzidas.

O estudo, conduzido por cientistas do Departamento de Neurociência Básica e Clínica do Instituto Maurice Wohl do Kings College em Londres (Reino Unido), e intitulado "Analisando os efeitos de uma mutação G137V no gene FXN", foi recentemente publicado na revista Frontiers in Molecular Neurosciance.

A equipa do estudo teve como objetivo compreender os efeitos de uma determinada mutação, conhecida como a mutação pontual G137V, através de métodos laboratoriais experimentais que olhavam para ambas as vias biofísicas e bioquímicas envolvidas. Os investigadores utilizaram amostras de um paciente do sexo masculino com AF, de 29 anos, as seguintes características:

o   O paciente foi visto no Hospital S. Andrea, em Roma (Itália)
o   O paciente tinha um historial médico de abuso de álcool e drogas psicoativas desde os 17 anos
o   Aos 25, ele começou com desequilíbrio da marcha, quedas frequentes, e parestesia dos pés
o   Internado no hospital aos 26 anos, apresentou-se com disartria leve, ataxia da marcha e do tronco, disdiadococinesia, ausência de reflexos nos membros superiores e inferiores, debilidade posicional e da sensibilidade vibratória nos membros inferiores

Após a análise das amostras, foi observado o seguinte:

o   um efeito nos níveis proteicos mas não em função
o   quando dobrada, a frataxina mutante é totalmente funcional. Mas a estabilidade mais baixa faz com que o processo de dobragem de proteínas seja menos eficiente, e/ou pode melhorar a degradação

"Assim, propomos que o mecanismo que atua em alguns pacientes heterozigotos com FRDA conta com a consequência de uma deficiência estrutural que chamaremos de 'perda de eficiência de dobragem' para ser distinguido das perdas/ganhos de mecanismos funcionais. Apesar de ser bastante diferente das outras doenças neurodegenerativas devido à agregação tóxica, este mecanismo pode ser importante na maioria dos pacientes heterozigotos e podem ser relevantes também noutras doenças. Estas considerações podem sugerir uma possível aplicação terapêutica para o tratamento seletivo de pacientes com mutações na frataxina com reduzida estabilidade de dobragem", escreveram os autores no seu estudo.


(artigo traduzido)